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sábado, 12 de maio de 2018

Variedades e efeméride


Em tempos da minha juventude, as opções eram normalmente simples. O maniqueísmo era predominante. Ou cabelos curtos ou muito longos, Benfica ou Sporting (o Porto ainda não fizera a sua aparição...), ou O Mundo de Aventuras ou O Cavaleiro Andante, semanais. Muito embora houvesse transgressões pequenas: por exemplo, os soixante-huitard, do Maio francês, preferiam os cabelos compridos e rabos de cavalo aos austeros cabelos curtos do maoismo da Revolução Cultural. Excepção feita ao alsaciano Cohn-Bendit, que tinha o seu cabelo mais ou menos composto e com volume. Pressagiando, talvez, o cordato e futuro deputado Verde do P. E., que viemos a conhecer mais tarde.
Muitos anos depois, chegou a terceira via, que havia de dar cabo do socialismo democrático, a multiplicidade do corte dos cabelos, o liberalismo desenfreado que se seguiu à queda do Muro, o exotismo andrógino, o politicamente correcto dos beatos saudosos da religião perdida, a nova ignorância militante. As etnias multiplicaram-se à face da terra e nas consciências, sendo enorme, hoje, a possibilidade de escolhas. Mas uma coisa se repete, juvenil, quando a liberdade parece ser total: continuam a queimar-se carros pelas ruas. Como aqui, há 50 anos atrás, neste Paris varrido pela sublevação estudantil, em 11 de Maio de 1968 ( da foto que encima este poste).

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Há quase 50 anos...


Não imagino como o governo do sr. Macron tenciona comemorar, no próximo ano, o meio século das movimentações estudantis e operárias de Maio de 1968, em Paris. Mas há datas que são sempre difíceis de tentar contornar, rasurar ou não referir. Emmanuel Macron (1977) estará, com certeza, à vontade, porque, como ainda não era nascido não se deve lembrar dessas convulsões pelas ruas de Paris... 



Daniel Cohn-Bendit (1945), hoje, tranquilo reformado do Parlamento Europeu, que foi figura cimeira e carismática nessa época, fará certamente algumas declarações solenes e importantes sobre a efeméride. Talvez aproveite até a oportunidade (quem sabe?) para lançar algum livro de memórias. Quanto a Jean-Luc Mélenchon (1951), que, dada a tenra idade, teve um papel menor, não deve porém ficar calado...
Mas o que resta dessa época de som e fúria, nas páginas cépticas da História, são sobretudo alguns slogans pitorescos, como: "É proibido proibir", "A ortografia é um mandarinato", "A sociedade é uma flor carnívora"; ou esse saboroso diálogo, que reproduzo acima, entre Cohn-Bendit e o ministro francês da Juventude, na altura.
Tudo o resto acabou por se esfumar no tempo e nas viradeiras sucessivas da história contemporânea francesa.
Que De Gaulle repouse em paz!

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A grande diferença


Quando vejo, nos jornais, fotografias destes encapuzados (como se fossem assaltantes) juvenis ou mascarados de Guy Fawkes pindéricos e esbranquiçados (ia jurar que 95% deles nem sabem quem foi Guy Fawkes...) a esconder a cobardia da sua identidade, vejo a enorme distância de atitudes entre a geração de 68 e a de 2012. O que as une é, unicamente, o legítimo verdor do lúdico dos anos juvenis e o arrancar pedras da calçada, para atirar à Polícia. Mas, se os de 68 escavavam para atingir "a praia" ou o Mar, os de 2012 cavam por cavar, simplesmente, sem outros objectivos, nem substância ou projectos - e escondem o rosto, com medo...
Daniel Cohn-Bendit é, hoje, deputado europeu pelo grupo dos Verdes, no Parlamento Europeu - continua a defender causas. O que serão estes pequenos guy fawkes mascarados, em 2050?