Não imagino como o governo do sr. Macron tenciona comemorar, no próximo ano, o meio século das movimentações estudantis e operárias de Maio de 1968, em Paris. Mas há datas que são sempre difíceis de tentar contornar, rasurar ou não referir. Emmanuel Macron (1977) estará, com certeza, à vontade, porque, como ainda não era nascido não se deve lembrar dessas convulsões pelas ruas de Paris...
Daniel Cohn-Bendit (1945), hoje, tranquilo reformado do Parlamento Europeu, que foi figura cimeira e carismática nessa época, fará certamente algumas declarações solenes e importantes sobre a efeméride. Talvez aproveite até a oportunidade (quem sabe?) para lançar algum livro de memórias. Quanto a Jean-Luc Mélenchon (1951), que, dada a tenra idade, teve um papel menor, não deve porém ficar calado...
Mas o que resta dessa época de som e fúria, nas páginas cépticas da História, são sobretudo alguns slogans pitorescos, como: "É proibido proibir", "A ortografia é um mandarinato", "A sociedade é uma flor carnívora"; ou esse saboroso diálogo, que reproduzo acima, entre Cohn-Bendit e o ministro francês da Juventude, na altura.
Tudo o resto acabou por se esfumar no tempo e nas viradeiras sucessivas da história contemporânea francesa.
Que De Gaulle repouse em paz!