Afinal, hoje, até havia jornal. Já não há respeito por nada: aqui há 40 anos, vi-me aflito para almoçar, no primeiro dia do mês. Tive que me contentar com uma sandes ressequida, no foyer do cinema Monumental - era o que havia...
Maio era o mês dos morangos, pequeninos e saborosos, que a minha Tia me mandava, num pequeno cesto de verga, pelo aniversário; agora, até chegam muito mais cedo, são enormes e não sabem a nada - senão à memória deles, no passado, e dizemos: fazem lembrar morangos!...
Era também o mês das fortes trovoadas, em que se invocavam S. Jerónimo e Sta. Bárbara, virgem, quando a luz se ia abaixo. Agora, que há apagões todo o ano, já ninguém lê hagiografias, nem conhece o nome dos santos patronos.
Valham-nos as favas!, que costumavam vir por Maio, e se davam aos cavalos, para os robustecer. Ainda vêm e até já as comemos. Mas, congeladas, também se podem comprar em qualquer mês do ano. Vai sendo cada vez mais difícil cumprir as tradições, na altura certa e competente...