1. Toda a grande poesia tem uma nova linguagem. Ou, em termos abstractos, uma expressão própria. Difícil de descriptar, até que nos habituemos. Li eu, algures. O que é verdade: Nobre e Herberto Helder; Emily Dickinson e René Char, por exemplo. Não será regra absoluta, entre grandes poetas, mas quase.
Depois, há os versinhos de que toda a gente gosta...
2. A fotografia banalizou-se, deixou de ser um ritual próprio em circunstâncias especiais, oficiada por escolhidos ou profissionais. Perguntaram a Roger Scruton (1944), filósofo inglês, o porquê da seriedade das expressões, nos retratos do século XIX. Ele falou vagamente da solenidade do acto, nessa época.
Mas referiu também, no presente: as idiot smiling faces of the selfies.
3. A complacência, pecado maior. Ainda que sem notarmos, fazemos quase sempre um movimento e um esforço imperceptível para nos integrarmos na ordem estabelecida ou no gosto da maioria. Mesmo que essa adesão implique um constrangimento às nossas convicções mais íntimas ou pessoais.
As vanguardas artísticas já aceites, o filme (mais banal) já premiado, a canção eleita, mesmo pimba...
As vanguardas artísticas já aceites, o filme (mais banal) já premiado, a canção eleita, mesmo pimba...