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quinta-feira, 28 de julho de 2022

As palavras do dia (47)



De Estaline, são os silêncios que matam, em Hitler, é a palavra. Os Gregos tinham esta crença extraordinária de que um anátema lançado sobre alguém jamais se poderia desfazer. (...) Alguns povos crêem nisso, e eu também: a linguagem do grande ódio é uma arma mais poderosa do que todas as outras. A linguagem do amor, em Celan por exemplo, tenta reparar a queda do homem. 

George Steiner (1929-2020), in Magazine Littéraire (nº 454, junho 2006).

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Lembrete 71


O dossiê do último Magazine Littéraire (Dezembro) é dedicado a Albert Camus (1913-1960). São 18 páginas de qualidade muito diversa, de vários colaboradores e com alguns excertos de obras do escritor. Só não recomendo efusivamente a revista porque me parece que, para os fãs de Camus, conhecedores da sua vida e livros, o número nº 24 do Magazine Littéraire, não trará nada de surpreendente ou de novo sobre ele.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

De uma entrevista de Steiner, e sobre o predomínio do inglês


"...perder uma língua, é perder uma possibilidade infinita de criação, de invenção; é também perder os lugares da memória ancorados na linguagem. Não resta senão uma esperança para o escritor de uma língua minoritária (não há pequenas línguas; todas as línguas são infinitas): ser traduzido em anglo-americano. (...) Mas é muito difícil fazer previsões: os linguistas anunciam que dentro de 20 ou 30 anos o anglo-americano se irá cindir, e que haverá um dicionário do canadiano, do neo-zelandês, do inglês das Antilhas, e até o inglês e o americano serão eles próprios objecto de cisões. ..."

George Steiner (1929), em entrevista ao Magazine Littéraire (nº 427, Janeiro de 2004). 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Curiosidades 44 : o tempo, a moda e os números



Uma moda, ou preferência, excessivamente gritante, num dado momento do tempo, corre o risco, muitas vezes, de se apagar depressa e definitivamente, talvez por saturação e ressaca, ou porque foi artificial e injustamente promovida por razões que nada tinham a ver com a qualidade ou a estética. Pode observar-se este fenómeno em muitos top-ten ou listas de best-sellers que, passados 2 ou 3 anos, estão na maioria dos casos sepultados no esquecimento, para sempre. Por isso, não vale muito a pena ir a correr às livrarias para comprar e ler obras muito badaladas e na berra. Mais vale aguardar que o Tempo faça a monda acertada. A notoriedade de um autor, hoje em dia, depende mais do seu mediatismo insistente, do que de critérios de verdadeira qualidade. E, a crítica, nos nossos dias é o que se sabe...
Passemos ao concreto. A revista "Magazine Litteraire", em Março de 2000, dedicou uma boa parte das suas páginas (49) aos escritores portugueses. Fez entrevistas a Saramago, Lobo Antunes e Manuel Maria Carrilho, na altura Ministro da Cultura. Além de haver artigos singulares dedicados exclusivamente a alguns escritores (Pessoa, Lídia Jorge, Tabuchi...). Finalmente, a revista literária francesa inclui uma sinopse selectiva dedicada a autores considerados importantes ("Dictionnaire des Auteurs"), com algumas linhas distribuidas por cada um dos escolhidos. Seleccionei alguns, referindo a seguir o número de linhas a eles dedicadas, para cotejo:
- Eugénio de Andrade: 7 linhas.
- Ruy Belo: 9,5 linhas.
- Al Berto: 34,5 linhas.
- Agustina Bessa Luís: 19,5 linhas.
- Luís de Camões: 16 linhas.
- José Cardoso Pires: 28 linhas.
- Mário de Carvalho: 53 linhas.
- Camilo Castelo Branco: 4,5 linhas.
- Vergílio Ferreira: 24,5 linhas.
- Eça de Queiroz: 29,5 linhas.
- Wanda Ramos: 24,5 linhas.
- Jorge de Sena: 36,5 linhas.
- Miguel Torga: 52,5 linhas.
- Gil Vicente: 8,5 linhas.
Finalizo sem comentários, deixando o juízo sobre os números, a quem ler. Mas não há dúvida que, como diz o ditado: "Mais vale cair em graça, do que ser engraçado"... 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Pelo aniversário do nosso Nobel

"...Eu sou verdadeiramente um autodidacta (e disso não tiro nem vergonha nem orgulho), mas um autodidacta que leu muito, e ler, penso eu, que ainda é e sempre foi a melhor maneira de aprender a escrever. ..."
José Saramago (1922-2010), em entrevista a François Busnel (Magazine Littéraire, Março de 2000).

sábado, 26 de março de 2011

Interrogações de E. M. Cioran


"...Porque é que um tipo é um bom poeta, e outro não o é? Porque é que a sua poesia não resiste? Porque o que faz a origem dos actos, o que é profundo, não passa; é brilhante, é notável, é poético, mas sem mais. Porque é que um outro, que tem menos talento, é um poeta maior? Porque conseguiu transpôr algo que nos escapa, e que lhe escapa a si mesmo. Por isso é um fenómeno que permanece misterioso. ..."
E. M. Cioran, em entrevista ao Magazine Littéraire (Dezembro de 1994).