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sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Impromptu 62



Do Me duele España, de 1923, cunhado por Miguel de Unamuno (1864-1936), até ao Madrid me mata, de origem anónima creio, usado para caracterizar a Movida madrilena, medeiam cerca de 50 anos.
Não creio que os portugueses tenham aplicado tanto sentimento na prática nacional, como os espanhóis.
Será que são mais discretos ou envergonhados?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Seamus Heaney, Madrid e Goya


É minha convicção que as viagens só têm aproveitamento de aprendizagem e só ganham espessura, na memória, a partir da adolescência. Até lá poderão talvez ficar fiapos de recordações e imagens, não mais.
Madrid poderá ver-se de várias perspectivas, consoante o visitante, sendo que duas serão as mais claras: consumo e cultura. Tudo, também, depende da razão por que lá fomos, o estado de espírito da altura, a idade, o que vimos e comprámos. Há porém quem defenda que a memória das cidades resulta das experiências afectivas ou eróticas que lá tivemos. Será, porventura, uma forma poética ou psicanalítica de ver as coisas...
Era eu um infante, a primeira vez que fui a Madrid. Ficaram-me, da chegada, as imagens de prédios altos (que nunca tinha visto tão altos) iluminados, porque já era de noite. E ainda a lembrança de um detestável e enjoativo sorvete de baunilha, que não consegui acabar; bem como uma armadura perfurada por balas da Guerra Civil, num museu. As moedas, mais leves que as portuguesas e um vago quarto de hotel. Foi tudo. Vieram também comigo 1.000 selos de colecção: Hungria, Checoslováquia, do período da inflação alemã.
O poeta irlandês Seamus Heaney (1939-2013) esteve lá em 1969. Pouco menos de três anos antes da Bloody Friday, mas já a Irlanda do Norte fervilhava. Heaney viu Madrid através de algumas pinturas de Goya e, mais tarde, escreveu um poema, que intitulou Summer 1969. De que vou traduzir uma pequena parte dos versos finais:

Refugiei-me na frescura interior do Prado.
Os "Fuzilamentos do 3 de Maio" de Goya
Cobriam uma parede, as armas apontadas
E o espasmo do rebelde, os protegidos
E trajados militares, a eficiente descarga
De fuzilaria. Na sala adjacente os seus
Pesadelos incrustados na parede do palácio
- ciclones sombrios, sôfrego, recurvado Saturno
Enfeitado no sangue dos seus próprios filhos
O caos gigantesco em redor da barbárie
Sobre o mundo. (...)
Ele terá pintado de punhos cerrados, sobrancelhas
Franzidas, coração endurecido pelo peso da história.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Marcadores 24


O marcador de livros e o postal alusivo destinam-se a publicitar a Feira do Livro Antigo, que decorrerá em Madrid, de 27 a 30 de Novembro de 2014.

domingo, 26 de maio de 2013

Bibliofilia 82


É a primeira impressão (1949) de um dos últimos livros, publicados em vida, por Juan Ramón Jiménez (1881-1958). Precioso - como dizem os espanhóis -, porque é um livro bonito, de um dos meus poetas mais estimados. É uma edição bilingue, com a versão francesa dos poemas, feita por Lysandro Z. D. Galtier, para a Editorial Pleamar, de Buenos Aires, com capa de pano, original. O livro Animal de Fondo está integrado na colecção Mirto, dirigida por Rafael Alberti, também ele poeta, e acabou de se imprimir a 4 de Julho de 1949.
Não sei quanto dei por ele, mas creio que o comprei em Madrid, no ano de 1986. Na AbeBooks, em rápida consulta, verifiquei que os preços da obra oscilam entre 40 e 100 euros, consoante o estado de conservação do livro. O meu exemplar, embora com as capas um pouco empoeiradas, encontra-se em bom estado.

sábado, 27 de abril de 2013

1 Zarzuela para 2 Amigos que andam por Madrid


para MR e JAD, com votos de boa estadia!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Pinacoteca Pessoal 45 : Hans Baldung


Caberia o quadro melhor na Quarta-feira de Cinzas, mas também não será obrigatório, aqui no Blogue, falar-se no Carnaval, sobretudo nos tempos que correm.
A Morte com a sua clépsidra, na mão, encerra as três idades do homem, que Hans Baldung (1484-1545), gráfico e pintor alemão, personificou através do recém-nascido (Infância), da jovem semi-nua (Juventude) e da idosa mulher (Velhice), a que a prudente coruja, na paisagem despida, assinala o destino.
O quadro terá sido pintado no ano de 1539. Baldung foi aluno de Dürer, mas o tratamentos dos corpos lembra, também, o traço de Lucas Cranach, o Velho. A obra integra o acervo do Museu do Prado, em Madrid.

domingo, 3 de abril de 2011

Três Andamentos


1. Outubro de 86, num café do Porto: um pintor e um poeta. Este pergunta ao Pintor se ele sabe o paradeiro de todos os quadros que fez. O artista responde que há dois que não sabe onde estão. E, num guardanapo de papel, com pequenas e breves hesitações de traço, desenha-os, linearmente. O Poeta diz-lhe: "- Do triangular, sei quem o tem!" O Pintor explica que o título do quadro é "O Massacre de Chicago", em homenagem à liberdade de associação sindical; e, depois, interroga: "- Onde está?" O interlocutor responde, cauteloso, em termos vagos: "- O dono, sei que está em Madrid..." O Pintor, após um ligeiro silêncio, exclama: " - Diga-lhe que pode ficar com ele."

2. Maio ou Junho de 86, um pai e um filho, depois de jantar (o filho dirá, mais tarde, que foi antes do jantar e que nem chegaram a comer juntos), dirigem-se para a Feira do Livro, no Parque Eduardo VII. Vão comprar, aproveitando os descontos, um livro com um auto de Gil Vicente, de que o jovem precisa para a Escola. Junto do Pavilhão Carlos Lopes há um monte de lixo e sucata, restos de fórmica e esferovite espalhados pelo chão - despojos da exposição-celebração do 15º aniversário da CGTP. Mas, no meio, e nas costas de um contraplacado de 1,20 x 1,20, há um nome: Angelo de Sousa. O filho não sabe quem é, mas o pai sabe. E, uma hora mais tarde, o quadro, de táxi, atravessará o Tejo, em direcção à Outra-banda.

3. Algures no séc. XXI, de novo, no Porto. O Pintor e o filho do homem encontram-se e conhecem-se durante uma exposição. O jovem fala ao Pintor (que se parece com o João César Monteiro, mas é menos desbocado), já sexagenário, do quadro "O Massacre de Chicago" e confirma-lhe que o pai o tem, pendurado, na sala do pequeno apartamento de Lisboa. O Pintor pede, então, ao jovem que tire uma fotografia da obra e lha mande. O jovem diz que sim. Mas com a falta de tempo e os trabalhos, nunca chegará a enviar a foto. E, entretanto, como diz a canção do José Afonso - "O Pintor morreu..."

para A. de A. M. e ms, e à memória de Angelo de Sousa.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Favoritos XLIX : Juan Gris




Juan Gris (1887-1927), pseudónimo de José Victoriano Gonzalès, nasceu em Madrid, a 23 de Março. É, porventura, o meu pintor cubista preferido, embora no traço dos desenhos goste mais da mão de Picasso, pela sua sábia e escorpiónica destreza. Juan Gris chega a Paris com 19 anos - uma idade em que tudo parece possível, mesmo transformar o mundo... Traz consigo uma formação-base, de raíz científica, que imprimirá a toda a sua obra a marca do rigor, ou a sua tentativa, naquilo em que a Arte consente.
Paris está em plena efervescência modernista. Juan Gris faz a sua 1ª exposição no "Salon des Independents" de 1912 e, entretanto, vai ganhando a vida com desenhos satíricos que vai fazendo para l'Assiette au Beurre, Le Cri de Paris, le Charivari, etc.. Mais tarde fará cenários e projectos de roupa para os Ballets de Diaghilev (Juan Gris era um apaixonado pela dança). Mas cedo desiste pela sua incompreensão da desordenação artística da Companhia de Diaghilev.
A frágil saúde, acompanhadas de uma pleurisia e de asma, determinam a sua morte, a 11 de Maio de 1927.
para MR, estas guitarras de Juan Gris, numa parceria geminada com os jornais do Prosimetron.

domingo, 2 de janeiro de 2011

A Dama de Elche, em aditamento e sequência, para JAD


Aqui fica, para confronto, esta nossa ibérica ascendente, do séc. IV, com os seus pessoalíssimos atavios. E ar compenetrado, que se guarda no Museo Arqueologico Nacional, em Madrid.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Ainda Julio Camba : em louvor do linguado



Já aqui falamos de Julio Camba, autor galego de "La Casa de Lúculo o el Arte de Comer (Nueva Fisiología del Gusto)", de 1929. Transcrevemos, traduzindo, uma parte do capítulo que ele dedicou a um dos seus peixes predilectos - o linguado.
"O amor apaixonado pela sardinha, cuja miséria reconheço, bem como a sua grandeza, não bastaria, nem com acrescentos, para me fazer menosprezar o linguado. O linguado é, porventura, o melhor de todos os peixes do mar, mas!, desconfiai das imitações. Não sou eu que compartilhe a opinião de um amigo meu, que sustenta que, na Corunha, há umas máquinas, tipo prensa, com as quais se convertem em linguados todos os peixes. Não. A falsificação faz-se mesmo no fundo do mar, longe dos olhares humanos e é a propria natureza quem os transforma. Devido ao enorme êxito obtido pelo saboroso acantoperígio, uma quantidade de peixes insignificantes adoptaram a forma extra-plana, e quando o pescador lança a sua rede para pescar linguados, não é estranho que os peixes-galos, as solhas, os "rapantes(?)", etc., se metam fraudulentemente nela a ver se passam como clandestinos. Quem não tem imitadores neste mundo, irmão linguado?
O linguado presta-se a preparações esquisitas. Em qualquer livro de cozinha encontrará V., amigo leitor, as receitas do linguado Marguery, do linguado Joinville, do linguado Mornay, etc.; mas, por razões que exponho noutro sítio, não aconselho que experimente alguma delas. Nada disso. Cozinhe antes o seu linguado, um bom linguado de um quilo, cem gramas a mais ou a menos, mas não demasiado menos. Os linguados deste tamanho são os que chegam a Madrid com a carne no seu devido ponto de firmeza. Polvilhe-o com um pouco de farinha - suponho naturalmente que o seu linguado esteja limpo - e frite-o em azeite: bom azeite e muito azeite..."

P. S.: para MR (e JAD), que provavelmente, em breve, provarão um "primo"...