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sexta-feira, 3 de maio de 2024

Pinacoteca Pessoal 203


 
Não será muito citado o pintor impressionista português Fausto Sampaio (1893-1956), muito embora esteja representado por 14 obras de boa qualidade no museu Medeiros e Almeida e outras na Fundação Oriente. A inaptidão auditiva, que o atingiu em tenra idade,  permitiu-lhe, de certa forma, uma sensibilidade própria para se expressar através da pintura. Um pouco a exemplo do pintor belga Eugène Laermans (1864-1940), da escola realista, que era também surdo e quase mudo, mas muito talentoso.




O gosto pelas viagens levou Fausto Sampaio a deambular pelo Oriente (Índia, Timor) e até a fixar-se em Macau onde chegou a criar, em 1936, uma escola de desenho e pintura. Essencialmente paisagista (acima, tela das Azenhas do Mar), a sua obra conta também com retratos que testemunham a sua passagem por algumas das ex-colónias portuguesas.



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Filatelia LVII : Catálogos estrangeiros


Os catálogos de selos, na imagem, não são recentes. O mais moderno tem já 7 anos e abarca, resumidamente, os selos de Inglaterra, emitidos entre 1840 e 2005: é uma publicação da Stanley Gibbons, a mais importante casa filatélica do mundo. O mais antigo dos catálogos (Norges Frimerker), de 1955, referente a selos da Noruega, veio-me parar às mãos por herança improvável, no início do séc. XXI. Finalmente, os dois catálogos chineses que se ocupam das emissões filatélicas de Macau, antes da entrega à China: o de 1997 é uma edição da Son Kei P. Company, provavelmente com o patrocínio dos CTT macaenses; o de 1998-99 foi editado, em Hong-Kong, pela Yang's Stamp & Coin Co., e os valores são em moeda chinesa.

Com lembranças amigas a JAD.

sábado, 29 de setembro de 2012

Macau e Auden

A melhor forma de lembrar um Artista será, quanto a mim, (re-)visitar-lhe a obra. Por isso, resolvi traduzir um poema de W. H. Auden, hoje que passa mais um aniversário da sua morte (29/9/1973). Não será um dos seus melhores poemas, mas fala de uma ex-colónia portuguesa. Auden escreveu-o com 31 anos.

Macau

Uma semente da Europa Católica, fez-se raiz
Por entre algumas colinas amarelas e o mar,
Suas alegres casas de pedra um exótico fruto,
Uma bizarria Luso-Sínica.

Imagens barrocas do Santo e Salvador
Prometem fortunas aos jogadores quando morrerem,
Igrejas lado a lado com bordéis asseguram
Que a fé pode perdoar a natureza.

Uma cidade assim indulgente não deve recear
Os pecados mortais por que morrem os mais fortes
E são despedaçados pernas e braços e governos:

Os sacros relógios darão as horas, os vícios infantis
Serão defesa bastante das poucas virtudes das crianças,
E nada de sério pode acontecer por aqui.

                                                                Dezembro 1938

sábado, 19 de maio de 2012

Restos de um império : o patuá



com agradecimentos a AVP.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Memória 38 : Camilo Pessanha


O desejo de aniquilamento ou, com mais rigor, de apagamento, é uma das matrizes mais constantes da poesia de Camilo Pessanha (1867-1926). Já o gravara, em epígrafe, no início de "Clepsidra": "...No chão sumir-se como faz um verme..." Não sei se essa vontade parte da desesperança de um amor desencontrado por uma ascendente do poeta António Osório, ou se, com o próprio ópio - de que usava e abusava -, era apenas uma expressão exterior que correspondia a um desejo mais profundo, a uma acédia (vide: Cioran e Fernando Pinto de Amaral), que já crescera com ele. Que sabemos nós dos poetas e dos homens? Que lemos, quando lemos os poetas, senão a nós mesmos, também? Procurando, talvez (e tantas vezes), uma sobreposição imprecisa, o ajuste com o nosso negativo fotográfico (revelado), um reequilíbrio, uma certeza - sobre a Vida.
Ainda descendente desse Almirante Pessanha que veio de Itália, no tempo de el-rei D. Dinis, para reorganizar a nossa Marinha, as idas e vindas que Camilo Pessanha fez (não muitas, aliás) de e para Macau, terão talvez suscitado, no seu olhar visionário, uma sobreposição genética e ancestral com o seu antepassado medieval. No dia de aniversário do seu nascimento, foi assim a razão de ter optado por este belo soneto.

Singra o navio. Sob a água clara
Vê-se o fundo do mar, de areia fina...
- Impecável figura peregrina,
A distância sem fim que nos separa!

Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente cor-de-rosa,
Na fria transparência luminosa
Repousam, fundos, sob a água plana.

E a vista sonda, reconstrói, compara.
Tantos naufrágios, perdições, destroços!
- Ó fúlgida visão, linda mentira!

Róseas unhinhas que a maré partira...
Dentinhos que o vaivém desengastara...
Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Macau : um inventário de Bocage



O lado insólito de poemas com números sempre me despertou interesse e atenção. Há-os nas "Poesias" do Abade de Jazente, e Alexandre O'Neill, pelo menos. Hoje, descobri um de Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805) que andou por Macau, entre Outubro de 1789 e Março de 1790. Provavelmente, terá sido neste período da sua vida, que fez o soneto que se segue:

Um governo sem mando, um bispo tal,
de freiras virtuosas, um covil,
três conventos de frades, cinco mil,
Nh's e chins cristãos, que obram mal;

Uma Sé que hoje existe tal e qual,
catorze prebendados sem ceitil,
muita pobreza, muita mulher vil,
cem portugueses, tudo em um curral;

seis fortes, cem soldados, um tambor,
três freguesias cujo ornato é pau,
um vigário-geral sem promotor,

dois colégios, um deles muito mau.
Um Senado que a tudo é superior,
é quanto Portugal tem em Macau.