Mostrar mensagens com a etiqueta Matsuo Bashô. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Matsuo Bashô. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 6 de março de 2025

Versão para português de um poema de Derek Mahon (Belfast, 1939-2020)

 

The Snow Party

for Louis Asekoff


Bashô, vindo
Para a cidade de Nagoya
É convidado para uma festa de neve.

Ouve-se um tilintar de loiça
Da China, com chá;
Há as apresentações.

Então, todos se chegam
E comprimem à janela
Para ver a neve cair.

A neve cai em Nagoya
E mais a sul
Nas tílias de Quioto.

A leste, para lá de Irago,
Está a cair como folhas
Sobre o mar gelado.

Algures estão a queimar
Feiticeiras e heréticos
Em praças fumegantes,

Milhares morreram
Desde a manhã ao serviço
De reis bárbaros;

Mas há silêncio
Nas casas de Nagoya
E pelas colinas de Ise.



Derek Mahon, in Snow Party (1975)



quinta-feira, 21 de março de 2024

2 Haiku, no dia da Poesia

 

Este dia tão longo
bem pequeno embora
para o cantar da cotovia.
...
Aos amantes da lua
as nuvens, às vezes,
oferecem uma pausa.


Matsuo Bashô (1644-1694)

quinta-feira, 10 de março de 2016

1 haikai de Bashô


Oh, mariposa!
Que sonhas tu quando
agitas as asas?


Matsuo Bashô
(1644-1694)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Mais 1 haikai de Inverno


Gelo nocturno:
acordo, que o meu cântaro
de barro estala. E racha.


Matsuo Bashô
(1644-1694)

domingo, 28 de dezembro de 2014

Haiku de Inverno


Petrificado quase
sobre o meu cavalo -
o meu ombro gelado.

Matsuo Bashô
(1644-1694)
...
Pela noite de Dezembro
um leito gelado -
eis tudo o que eu tenho.

Ozaki Hôsai
(1885-1926)
...
De novo o Inverno
mesmo nas frases gélidas,
vaporosas das visitas.

Sumitaku Kenshin
(1961-1987)

domingo, 16 de fevereiro de 2014

De Bashô, na versão de Jorge de Sena


Qual velha sem dentes
a cerejeira sem folhas
juvenil floresce.
...
Na manhã de neve
aqui estou só ruminando
salmão seco e duro.

sábado, 12 de outubro de 2013

Matsuo Bashô (1644-1694)


Arde o Sol, arde
sem piedade - mas
o vento é já de Outono.

...
Ando e ando, se
hei-de cair, que seja
por entre os trevos.

...
Que agradável é assim
não ver o Monte Fuji
 cerrado em neblina.


Nota: nascido em data incerta do ano de 1644, Matsuo Bashô terá morrido a 12 de Outubro de 1694.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Dois haiku japoneses traduzidos, e uma nota breve


Na ponta duma erva
ante o céu infinito
uma só formiga.

Ozaki Hôsai (1885-1926).

Noite de Verão -
o som das minhas socas
sobressalta o silêncio.

Matsuo Bashô (1644-1694).

Nota: Foram já vários os haiku japoneses traduzidos, aqui, para o Blogue. Mas é importante relembrar a sua gramática muito particular. Na sua brevidade (5-7-5 sílabas) de três versos, de origem (que uma tradução raramente consegue manter), confrontam, com frequência, o fugaz com o eterno, no espaço de uma só respiração. Equilibram-se entre o mutável e o imutável, entre a natureza e o espírito.
Os 2 haiku traduzidos, foram-no em terceira mão: do francês, mais concretamente.