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domingo, 12 de setembro de 2021

Retratos (27)

Há na maestrina um vigor desmesurado, varonil e pernóstico. Um gesticular frenético excessivo, por vezes, que não ajuda nada ao equilíbrio estético da arte, parecendo puro exibicionismo provinciano. É por isso que não gosto de vê-la a dirigir orquestras. Ainda que no cenário eloquente dos Jerónimos. 

sábado, 14 de setembro de 2013

Recomendado : quarenta e um - Museu de Arqueologia, Belém


Creio que foi a terceira vez que lá fui. A primeira, em finais de 60, deixou-me pasmado com as duas (3?) múmias egípcias, que julguei não haver em Portugal. Como a Sagres I, resultado do arresto e confisco, em 1917, de bens germânicos, aquando da declaração de guerra à Alemanha. O largo espaço museológico, no entanto, aproveitando uma parte do claustro dos Jerónimos, pareceu-me desajeitado e pouco arrumado, mais parecia uma insólita Feira da Ladra.
Quando voltei, há dias, ao Museu de Arqueologia, gostei do que vi. O acervo foi distribuido por três núcleos semi-independentes, mais outro, para exposições temporárias. Arte egípcia, antiguidades romanas e Lusitânia. As múmias de falcões e crocodilos pequenos colheram a minha admiração. Lá estavam também as três múmias egípcias, em bom estado de conservação. Os toscos guerreiros lusitanos em pedra, mas também os seus torques (espécie de colares e insígnias dos chefes), em ouro maciço.
Mas gostaria de destacar, especialmente, a galeria de exposição temporária composta, de momento, por um núcleo emprestado pelo Museu de Vila Franca de Xira ao de Arqueologia, reunindo uma série de peças arqueológicas romanas oriundas das escavações, que continuam a decorrer, no Monte dos Castelinhos. Há, por lá, peças de estatuária lindíssimas, de tamanho médio e em boas condições para a idade que já levam.
Fica a recomendação. E, como o Museu de Arqueologia fica em Belém, ainda se pode revisitar os Jerónimos, que são sempre agradáveis de se ver.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O comer dos jerónimos


A minha ideia, de algum modo, era que, salvo em períodos (breves) de dura e pura ortodoxia e rigor, os religiosos não se tratavam mal, em matéria de comida e bebida. Mercê das prebendas e, às vezes, do cultivo das hortas, comia-se bem, para não dizer lautamente, nos conventos e paróquias de Portugal.
Em abono do facto, fui encontrar, improvavelmente, numa monografia (Belém e arredores através dos tempos, de José Dias Sanches, 1940), uns versinhos curiosos de Frei Simão de Santa Catarina, frade jerónimo, descrevendo uma ágape, no Convento dos Jerónimos, em pleno séc. XVIII. Aqui vai um excerto:

"Cobria o cuvilhete
um papel retalhado com acerto
que inda que pequenete
como grande queria estar coberto.
Na marmelada vinha, guaposito,
guarnecido de flores um palito.

Em cada assento havia:
garfo, faca, colher e guardanapo,
dois pães, com bizarria.
Melancia excelente, melão guapo,
figos, uvas, limões, pecegos, peras
sem graça, o cesto enchiam, muideveras.

A ilharga da salceira
um bom tassenho de presunto havia
tão magro e tão lazeira
que a mim me pareceu ser porcaria
também tinha azeitonas e alguém disse
que foram de Elvas.

Foi primeiro prato uma tijela
Cheia em demasia
de caldo de galinha com canela
que da galinha trouxe a propriedade
porque o caldo tinha ovo na verdade.
Foi o segundo prato

Uma bem feita sôpa à portuguesa
que dava de barato
Ofilis e o primor que há na francesa
..."