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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Mercearias Finas 152

                                                                                                         Deambulações enológicas

Por mero e feliz acaso fiquei a saber que no Luxemburgo também se produz vinho. Branco, pelo menos, bom e nas margens do Mosela, no sudeste do Grão-Ducado. Acompanhámos, num restaurante do aeroporto, um fricassé de frango e cogumelos, com arroz branco, de um muito agradável Pinot Gris (em Itália, seria Pinot Grigio) monocasta, levemente frutado e mineral, com 13º. Equilibradíssimo.


Nos dias precedentes, restritos em sólidos e líquidos por razões alheias, tivemos no entanto o acesso a uns Riesling de Trier, que se cruzaram, razoavelmente, com umas massas frescas com carne picada e salpicada de mozzarella a dar-lhe sabor - cumpriram, alemães e episcopais, a sua função de acólitos, com os seus 11,5º suaves e macios de textura.


Aguardando a vinda de amigos, para prova condigna e certificada, na adega outrabandista repousa um Châteauneuf du Pape, desde Novembro a abeberar. Desta vez, tinto, nos seus poderosos 14,5º, com Grenache, Syrah, Mourvèdre e Cinsault, há-de bater-se, com galhardia - estou certo! - com queijos curados portugueses, de feição e qualidade serrana.


Será para meados de Janeiro, a funçanata, a que certamente não faltará, antes, um bacalhau no forno, post-natalício.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Recuperado de um moleskine (32)


Nos últimos dias, impetuosamente, o Reno subiu mais 6,80 metros e o Mosela, ultrapassando-o, 9. As águas já lambem as bermas das estradas, por causa das chuvas diluvianas oriundas da Floresta Negra. Nascem pequenas ilhas irreais, aqui e ali. E a viagem, pela marginal, até parece fazer-se de barco.
Três pombas, um corvo, duas rolas nervosas e uma pêga terão sobrado da arca e procuram um lugar seco onde pousar... Um homem, no caiaque, tenta contrariar a corrente do Reno, com gestos aflitivos ou, pelo menos, desordenados. Só um grupo de patos selvagens assume, em tudo isto, uma postura  calma e quase normal.
Como eu, depois, dentro do metropolitano aquecido me encaminho, já tranquilo, para Colónia.

sábado, 17 de novembro de 2012

Partir


Há um lado íntimo que já me vem de fora e, talvez por isso, alguma coisa me conforta no partir.
Desta vez, não serei eu a fechar a gaveta e a porta, ficando com uma chave, inútil, entre as mãos. Sem saber a quem a dar, porque é apenas minha. E de mais ninguém.
É possível, no entanto, que seja eu a fechar a mala que levarei comigo. Levarei Simenon e Camilo, para ler - está decidido. Para um vacilar momentâneo, que venha ter comigo, que a velhice é, apenas, um antecipar de despedidas. E ninguém deveria sonhar eternidades fictícias ou fúteis paraísos.
Mas, não o posso evitar, porque as viagens me instalam, agora que passou o gosto da aventura, um desconforto, não só físico, também mental.
Adoço-me à ideia dos amigos que me esperam, e não vou sozinho. Lembro-me dos brancos do Mosela, acidulados, frescos, cordiais. E, também - porque lá irei -, das ruelas estranhas de Antuérpia que nunca percorri em Novembro. E, se não partir feliz, irei decerto conformado, atento e completo. De bem comigo e com os outros. Mesmo que não possa, nunca, perdoar à Morte.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Insólito


Embora me lembre de Invernos com muita neve, como no ano de 2010, ou temperaturas mínimas perto dos 20º negativos, é espectáculo raro ver rios, como o Mosela na imagem, com grossas placas de gelo.
E como é insólito, recebi, hoje de manhã, a foto acima reproduzida de um recorte de jornal de Coblença. Os barcos foram forçados a parar, porque as comportas não aguentam o embate das placas na entrada das embarcações. Em Colónia, os lagos da cidade transformaram-se em pistas de patinagem.
No entanto, o espectáculo insólito não faz esquecer que, no Centro da Europa, os rigores do Inverno matam. E, como julgo, a experiência de Invernos rigorosos é um traço distintivo da mentalidade dos seus habitantes.

Post de HMJ
Para RG e JG, com agradecimentos