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domingo, 17 de maio de 2015

Pequena história (34)


A leitura de um romance, bem construído, cria quase sempre inesperadas associações, abre ramais noutras direcções, alargando os horizontes.
O general Mikhail Kutuzov (1745-1813), derrotado por Napoleão na grande batalha de Borodino (1812), segundo Tolstoi, no seu "Guerra e Paz" (Tomo II, pg. 371), por essa altura, andava a ler Madame de Genlis ("Os Cavaleiros do Cisne") e Madame de Souza, em língua francesa.
Intrigou-me esta última senhora, com apelido português. Depois de aturados esforços, vim a saber-lhe o nome todo: Adélaïde-Emilie Filleul, marquesa de Souza-Botelho. Filha de uma amante de Luís XV, nasceu a 14 de Maio de 1761, tendo falecido no ano de 1836. Escreveu vários romances. E, em 1802, o embaixador português em Paris, José Maria de Souza Botelho Mourão e Vasconcelos (1758-1825), 2º Morgado de Mateus, casou com ela, em segundas núpcias - era viúvo. A benefício de inventário, deve-se a este Morgado de Mateus a construção do magnifico solar homónimo e uma não menos preciosa edição de "Os Lusíadas", publicada a expensas suas, em Paris, no ano de 1817, com ilustrações de F. Gérard e Fragonard, entre outros ilustres pintores e gravadores.
E eis como, indirectamente, um português veio dar ao "Guerra e Paz", de Leão Tolstoi...

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Bibliofilia 98


Este folheto de 30 páginas não numeradas, considerado "muito raro", por Inocêncio (Tomo I, 88), publicado em Hamburgo, provavelmente no ano de 1799, graças ao patrocínio do Morgado de Mateus (D. José Maria de Sousa), inclui, em edição bilingue, a tradução da Ode para o dia de Santa Cecília, de John Dryden (1631-1700), bem como mais três odes do poeta, também inglês, Thomas Gray (1716-1771). As versões para português foram feitas por Antonio de Araujo de Azevedo (1754-1817), natural de Ponte de Lima, conde da Barca, diplomata (Holanda, Rússia, França) e homem de estado, que desempenhou altos cargos na corte portuguesa, durante a sua permanência no Brasil.
O folheto brochado, em bom estado de conservação, é de papel encorpado e de boa qualidade. A abrir tem uma Advertencia do Morgado de Mateus, à guisa de introdução, com considerandos sobre a dificuldade das traduções. O livrinho, já no século XXI, custou-me 18 euros, e nunca tinha visto, nem vi depois, nenhum outro exemplar para venda, posteriormente, a o ter adquirido. A BNP tem no seu acervo 3 exemplares, um dos quais nos Reservados.