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segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Mercearias Finas 203

 

Ultimamente, os cornichons* têm vindo à nossa mesa, com alguma continuidade alimentar. Provei-os, pela primeira vez, em Bona, numa esplanada de agosto dos anos 60, junto à câmara da então capital alemã, acompanhando um bife à moda germânica (Frikadelle) com batatas fritas bem estaladiças. Bebi cerveja Kölsch, na altura. E gostei de tudo.
Agora acompanham muito bem uns filetes de pescada, muito bem escalpelados pela Dona Leonor da banca do Monte. A salada russa vem à maneira, fresca, de outro lado. Hoje, como os linguados estavam a 26, 95 euros, o quilo, quedamo-nos pelos chocos a 16 e pelo polvo mediano, em tamanho, a 14, que tinha muito bom aspecto.
Como sempre, dispensámos a perca do Nilo e o salmão da moda...

* pequenos (estes) pepinos agridoces.

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Uma volta pelo mercado

 

Os morangos de Palmela estão a melar rapidamente e o Telmo aconselhou-nos a trazer dos de Torres Vedras que estavam mais durázios. Ficamos também a saber que a Câmara de Almada está a usar de muita burocracia e até parece que não quer alugar as bancas do mercado, que vagaram, apesar de levar de jóia inicial 400 euros, mais 50 todos os meses, de aluguer, aos feirantes.
A D. Leonor tinha muito peixe, e do bom, embora o linguado estivesse caro: a 26 euros. E a garoupa a 16,95. Acabei por não resistir a mais uma vernissage - o peixe era bonito. De nome: rainha ou corvinata real e vinha ainda com mílharas róseas. O homem da traineira da Costa trouxera 4, mas a D. Leonor já só tinha uma. Era em conta, estava a 9,95 euros o quilo. Comprei-a.
A ver vamos, depois, se valeu a pena.

sábado, 14 de maio de 2022

Mercearias Finas 178



Registe-se, para que conste: na banca da Leonor, as de Sesimbra estavam a 6,50, de Peniche custavam 8,50 euros, o quilo. E a Tânia foi explícita: as mais baratas tinham sido pescadas de véspera e à noite, as sardinhas mais caras tinham aparecido na lota, já de manhãzinha. Mas a mim também me pareceram maiores. A banca estava muito bem fornecida. Pescadas 12,50, lulas, cantaril, carapau, peixe espada preto, linguado a 23 euros e até um peixe róseo-vivo que eu deconhecia e nunca tinha visto: salongo, a 18,50.
Mas não foi no Monte nem com a Leonor que fizemos a vernissage sardinheira, na companhia de um Fernão Pires, fresco. Mas na Trafaria, no restaurante do Rui, que nos iniciámos hoje. Se estavam boas, as sardinhas? Muito, e crescidas, embora ainda sem as gorduras habituais de Junho...

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Adenda às últimas Mercearias Finas (158)


Vamos lá a ser justos, rigorosos. A vernissage foi promissora, ontem: estavam já saborosas, as sardinhas. Mas ainda não pingavam no pão - como soe dizer-se - embora, das sete grandinhas que vieram à mesa, duas já tinham mílharas deliciosas e de apetite. Em boa verdade, temos que ser pacientes e deixá-las ganhar mais um pouco de  gordura, nas águas atlânticas.
A D. Leonor fez-nos 3 euros pelas 7 que trouxemos. Estavam a 6,50 o quilo, mas, no mercado do Monte,  havia bancas onde elas estavam um pouco mais caras...

domingo, 9 de junho de 2019

No tempo das cerejas


Amália Rodrigues dizia, com graça evasiva, quando lhe perguntavam a idade, que tinha nascido no tempo das cerejas. O que, nessa altura, seria pelos idos de Julho. Ora, hoje em dia, elas chegam mais cedo. E, este ano, já provámos as da Gardunha e fomos buscar, esta manhã, uma caixa delas e de Resende, ao Telmo, que é um moço singular. A rondar os 30, é licenciado em História, e esteve, no ano passado, num dos Emirados, a praticar arqueologia. Ganha a sua vida, e creio que bem porque é competente naquilo que faz, no Mercado do Monte, à frente do  seu lugar de frutas e verduras de boa qualidade e frescura. Atencioso, sério e com um sorriso sempre pronto, natural.
À saída, ainda vi ao longe, a filha da Leonor, que ajuda a mãe, aos fins-de-semana, a amanhar e vender peixe. Pequena, jovem e franzina de corpo, é dinâmica e simpática. Como o Telmo, também é formada em História e está a acabar o Mestrado.
O Mercado do Monte tem destas singularidades humanas e, por encomenda ao Telmo, umas magníficas cerejas de Resende. Que, lá para a noitinha, hão-de encher alguns frascos de compota, sob a sábia administração e manufactura de HMJ.
Assim seja!

Em tempo e mais tarde:

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Ementa


O Mercado estava às moscas. Se estivesse a Norte, chamar-lhe-ia: Praça. Ao contrário do que pensávamos, tinha aberto no 25 de Abril - mais um sacrilégio à conta deste liberalismo que vamos vivendo, indiferentemente. E a dona Leonor tinha a banca farta e diversificada, sobrante decerto do Dia da Liberdade. A Pescada a 9,80 euros, os Linguados a 15; um Choco gigantesco apresentava-se a 9, o Sargo ainda mais barato. E havia Polvo, mais umas Pescadinhas em círculo fechado, o vibrante Cantaril, as Petingas. Lulas pequenas, mas simpáticas e frescas, mais o Peixe Espada Preto, Pargo em muito boa conta, também, Pregado e Azevias, Carapaus médios e apetitosos - era um fartar, vilanagem!...
Fomos pela Caldeirada, também a bom preço, com Raia, Pata Roxa e duas postas de Perca-do-Nilo (aquacultura, já se vê*), para compor a miscelânea. Vou abrir um Grão Vasco branco, da Sogrape, para companhia. E que seja o que o deus Neptuno quiser...

* Nota posterior: por informação amiga (AVP) tive conhecimento que a Perca-do-Nilo não é produzida em aquacultura, sendo um peixe de água doce; nem sempre criado nas melhores condições...

domingo, 4 de dezembro de 2016

Mercearias Finas 117


Altamente improvável, a Caldeirada, hoje, não tivéramos ido ao Mercado do Monte e a Leonor nos esperasse, bem como a filha já bem grávida, pela segunda vez. Estavam caros os Linguados e os Pregados, enquanto a Caldeirada não chegava aos 10 euros o quilo e estava fresca, bem variada e abastecida.
Disse-lhe só: "Safio é que não, que é muito traiçoeiro de espinha!" Pergunta-me a Leonor: "E Pata-roxa pode ser? Respondi: "À vontade, e pode abusar da Raia, também!"
Popular o conduto do almoço, pede um vinho cumpridor, mas sem exuberâncias. Tenho um Borba branco, de 2015, no frigorífico. Anda muito bom nos seus 13º de Antão Vaz, Arinto e Roupeiro (o Síria das Beiras, que alentejano, no Borba, acaba sempre por ser menos acídulo), que vão combinar, por certo, muito bem com a Caldeirada. E saudosa, que este ano, pelo Verão, pouco prováramos delas.


sábado, 3 de março de 2012

Bulhão Pato e Herculano


Nascido em Bilbau, a 3 de Março de 1829, filho de pais portugueses, Raimundo António de Bulhão Pato veio a falecer no, então, pequeno lugarejo outrabandista, Monte da Caparica, com 83 anos de idade. Caçador apaixonado, poeta, amigo dos seus amigos e gourmet que deixou seu nome a algumas receitas portuguesas, Bulhão Pato era também um homem supersticioso. Conta-se que, no último ano em que Alexandre Herculano festejou os seus anos, Bulhão Pato, que era um dos convidados, apercebeu-se preocupado que eram 13 à mesa. Para desfazer o enguiço, terão ido buscar a filha do caseiro, mas a moçoila, pouco habituada a grandes comezainas, teve um começo de indigestão, abandonou a mesa, e os convivas voltaram a ser 13. Em menos de 6 meses, em Setembro de 1877, Herculano viria a falecer. E, a partir daí, a superstição de Bulhão Pato ainda se tornou maior.

domingo, 14 de março de 2010

Mercearias Finas 4






A primeira vez que comi rodovalho ("scophthalmus rhombus, Linnaeus") foi no Porto. Ou no "Abadia" ou no restaurante "Palmeiras", ambos de boa memória, mas que ainda lá estão, creio que na mesma rua tripeira. Quando íamos ao Porto, a minha Mãe e eu, era num deles que almoçávamos. Sempre gostei dos peixes espalmados, de águas profundas (como Mário Soares "classificava" Jaime Gama), de carne branca, sólida e macia: linguado, badejo, patêlo (Póvoa de Varzim), menos um pouco - a solha. Mas o meu preferido é, sem sombra de dúvida, o rodovalho. E não o comi, mais do que uma dúzia de vezes, na minha vida. Em Lisboa, não aparece muito; mais a Norte. E a melhor época para o apreciar, devidamente, é de Setembro a Abril. No Sul, lembro-me de um enorme e magnífico rodovalho que saboreei, gostosamente, numa pequena quintinha, em Dona Maria, pequena localidade da linha de Sintra, grelhado, e muito bem, pela anfitriã que era uma excelente cozinheira. Foi acompanhado por um modesto mas honesto branco, feito na propriedade.

Mas, ontem, matei saudades. Com bons amigos, em ambiente familiar. O rodovalho é um peixe ósseo, de carne muito branca e tem a particularidade de ter os dois olhos quase colados um ao outro. É uma espécie de peixe estrábico - como bem humoradamente dizem... E chega a atingir quase um metro de comprimento. HMJ encomendou dois, pequenos, no mercado do Monte da Caparica (fresquíssimos que eles estavam!) e, grelhados, com batata cozida, fê-los acompanhar com espargos verdes laminados e salteados com cebola e "bacon". Estavam divinais!...

Escolhi para parceiro líquido um "Herdade Grande", alentejano quase da Vidigueira, branco, da colheita de 2008 (castas: Antão Vaz, Arinto e Roupeiro). Eramos seis à mesa e foi ouro sobre azul... No final, uma sericaia que, em vez de ameixas de Elvas, casou com frutos do bosque, em calda. Nota máxima. Para conclusão, uma tabuazinha de queijos, com destaque para o "Serra" e um "Brugge vieux", acompanhados por um Dão, "Quinta das Maias", tinto, de 2000. Que, apesar da provecta idade de 10 anos, se portou com honra, brio e galhardia! Que convívio...