Mostrar mensagens com a etiqueta Monopólios. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Monopólios. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Livros e monopólios


Tirando algumas pequenas (poucas) editoras marginais, estimáveis, o negócio da edição está hoje dominado por dois (Leya, Porto Editora) ou três gigantescos conglomerados monopolistas que ditam todas as regras, até mesmo a autores já consagrados. E definem ou sufocam a liberdade das livrarias e do seu honesto comércio, impondo condições sem arbítrio, nem ética.
É possivel que tenha sido Herberto Helder (1930) que preferiu que o seu livro A Morte sem Mestre, hoje posto à venda, saísse sob a chancela da Porto Editora, em vez da habitual Assírio e Alvim - já integrada no Grupo - que patrocinara as suas últimas obras. Mas não creio que ele abençoasse a campanha de marketing saloio da montra do Chiado, da Livraria Bertrand, que também já pertence à Porto Editora. Desde a semana passada, um cartaz, na Bertrand anunciava, sob a imagem da capa da obra de H. H., a mágica palavra: Pré-Venda. Que consistia em que o putativo, interessado e futuro leitor assinasse uma lista de reserva de compra...
Hoje, há bicha, na Feira do Livro e no pavilhão-barraca da Porto Editora, para compra da obra-espectáculo que, após pagamento, é entregue já embrulhada em papel celofane. Só faltam os foguetes e as palmas!
Entretanto, as livrarias desamparadas não sabem ainda qual o preço do livro, quando o vão receber, nem quantos exemplares lhe irão caber. É a Porto Editora que estabelece as quotas. Sem recurso, nem apelo. Pobre do Herberto Helder, que nem disto deve saber. E é melhor que nunca saiba...

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Transferências e monopólios


Jeremy Treglown (1946), no seu comentário do TLS (nº5781) refere:
...I have a book coming out from Chatto and Windus in March, twenty-two months after it was delivered. Who am I, though - who are we, me and my little publishers - to complain? Chatto long ago became part of the Chatto-Virago-Bodley-Head-Cape group, which became part of Bertelsmann, of which Penguin has now became part...
O mesmo vai acontecendo na Alemanha, na França... Como matrioskas vorazes, as editoras vão-se engolindo umas às outras, num projecto inconfessável de uniformização, domínio e poder globalizante. O que tornava humanas e de personalidade própria cada uma das editoras portuguesas, era o seu lado específico de temas, a sua apurada qualidade, o tratamento, quase familiar e amigo, com que cada uma tratava os seus autores.
Por isso, não me surpreendeu muito a notícia de que escritores como Sousa Tavares, João Tordo, Peixoto, Sophia e Saramago tivessem rescindido (eles ou os herdeiros) os contratos que, há longo tempo, os ligavam a editoras. Tudo se vai assemelhando, pelo lado pior, porque as regras cavalheirescas e humanas, que eram a parte mais nobre que presidia ao negócio dos livros, parece que se vão, cada vez mais, aproximando dos escuros e mercantis negócios que presidem e predominam no futebol.