Tirando algumas pequenas (poucas) editoras marginais, estimáveis, o negócio da edição está hoje dominado por dois (Leya, Porto Editora) ou três gigantescos conglomerados monopolistas que ditam todas as regras, até mesmo a autores já consagrados. E definem ou sufocam a liberdade das livrarias e do seu honesto comércio, impondo condições sem arbítrio, nem ética.
É possivel que tenha sido Herberto Helder (1930) que preferiu que o seu livro A Morte sem Mestre, hoje posto à venda, saísse sob a chancela da Porto Editora, em vez da habitual Assírio e Alvim - já integrada no Grupo - que patrocinara as suas últimas obras. Mas não creio que ele abençoasse a campanha de marketing saloio da montra do Chiado, da Livraria Bertrand, que também já pertence à Porto Editora. Desde a semana passada, um cartaz, na Bertrand anunciava, sob a imagem da capa da obra de H. H., a mágica palavra: Pré-Venda. Que consistia em que o putativo, interessado e futuro leitor assinasse uma lista de reserva de compra...
Hoje, há bicha, na Feira do Livro e no pavilhão-barraca da Porto Editora, para compra da obra-espectáculo que, após pagamento, é entregue já embrulhada em papel celofane. Só faltam os foguetes e as palmas!
Entretanto, as livrarias desamparadas não sabem ainda qual o preço do livro, quando o vão receber, nem quantos exemplares lhe irão caber. É a Porto Editora que estabelece as quotas. Sem recurso, nem apelo. Pobre do Herberto Helder, que nem disto deve saber. E é melhor que nunca saiba...