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domingo, 29 de março de 2020

Mécia de Sena (1920-2020)


Irmã de Óscar Lopes e esposa de Jorge de Sena, Mécia de Sena faleceu ontem, poucos dias depois de completar cem anos de vivíssima existência. Mulher simples, mas de convicções, prolongou incansavelmente a memória do Marido, defendendo a sua obra sempre que foi necessário. Quase não valeria a pena referir o sabido: atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher.
Tive o prazer de me cartear com ela, a propósito de assuntos que não vêm ao caso, mas que constam do registo do Arpose, e ainda mais afortunadamente me ter dado a conhecer, ao vê-la, por mero acaso, uma tarde na rua do Alecrim, nos anos noventa
É desse encontro que ela fala no cartão de Boas-Festas, datado de Dezembro de 1993, que reproduzo abaixo. E que, modestamente, aqui deixo a recordar a grande Mulher que ela foi.


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Politicamente incorrecto


Que fiquemos bem claros: é de saúdar a entrada de mais um poeta no Panteão Nacional. No caso vertente, Sophia Andresen.
Mas não deixo de me perguntar como se pode medir a importância simbólica de uma figura para um país e um povo, ou a cotação comparável da obra entre artistas diferentes. Ou, circunscrevendo, de poetas. Será menor o valor da poesia de Eugénio de Andrade ou a obra conjunta de Jorge de Sena? O Nobel, e algum reconhecimento internacional, garantirão, no futuro, homenagem semelhante a José Saramago? Tenho dúvidas. Há sempre anti-corpos de contemporaneidade que excluem, no presente, a isenta triagem das escolhas. E, por isso, defendo e prefiro que as opções se façam com distância e frieza, para escolher melhor.
Ao comum da terra português, tirando talvez Saramago, os nomes dos três poetas referidos acima, pouco ou nada dirão - creio. Tive, há pouco tempo, ocasião de verificar que Torga é tutelar na memória até de lavradores transmontanos. Mas parece-me uma excepção regionalista, que não chega para regra...
Os herdeiros de Eugénio malbarataram a herança e deram cabo da sua Fundação. Embora a viúva (Mécia de Sena) tenha protegido a obra do marido, os muitos filhos de Sena não se devem preocupar muito com a glorificação do Pai. Penso que não é assim com os descendentes de Sophia. De algum modo, ainda bem.
Ou, como diz o povo: "Mais vale cair em graça, do que ser engraçado."

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

As aflições e as evocações


São os destaques que gostaria de sublinhar, na imprensa portuguesa de hoje:
a situação aflitiva da Cinemateca Portuguesa, cujas receitas provenientes da publicidade televisiva (recebe cerca de 40%) diminuiram drasticamente e que ameaçam o seu estrangulamento financeiro; no JL, a evocação de Urbano Tavares Rodrigues e Jorge de Sena, através de uma humaníssima entrevista a Mécia de Sena, sua viúva. 

sábado, 2 de outubro de 2010

Jorge de Sena e as suas "Dedicácias"


Há uma ideia que se perpetuou, grandemente, a propósito de Jorge de Sena (1919-1978). É a de que era um homem agressivo, de mau feitio e pouco conciliador. Eu tenho, no entanto, uma opinião diferente. Baseio-me nos poucos dados pessoais de que disponho, e no testemunho de Eugénio de Andrade que o conheceu bem. Penso que era alguém que, tanta vez atacado injustamente (por vezes, de forma encoberta e sinuosa), criou uma estratégia inteligente de defesa prévia e um espaço, em volta, que lhe permitia ter tempo e modo de contra-atacar, pensada e engenhosamente. E aí, sim, era, por vezes, agressivo.
Como me preocupo, já, muito pouco com as modas e novidades literárias - que deve ser uma obrigação e dever da Juventude -, só ontem dei pela saída da segunda edição das "Dedicácias" (Março de 2010). Em relação à 1ª edição (1999), vem acrescida do discurso da Guarda, onde Jorge de Sena pronunciou, como convidado oficial, uma exposição de ideias sobre Camões e sobre o dia de Portugal - que eu ouvi, na altura, mas nunca mais tive oportunidade de ler, posteriormente. Comprei, por isso, esta segunda edição da editora Guerra e Paz.
Num folhear ligeiro, apercebo-me de que não consta da obra, pelo menos, o poema de "escárnio e maldizer" dedicado a Alberto de Lacerda. Aliás, Mécia de Sena diz-nos, na Nota Prévia, que faltarão 7 dedicácias...
Transcrevo de "Dedicácias" um dos poemas menos ácidos de Jorge de Sena, em que se refere a Rodrigues Lapa, António Sérgio e Charles S. Boxer.

História Trágico-Marítima

Lapas e Boxers eminentes, Sérgios racionais,
com que prazer glosais erros e culpas
que às naus as afundaram
na carreira das Índias!
Dos carpidores ecoais todas as queixas
de Velhos do Restelo. O que quereis?
Que nada se afundasse
e o império fosse rico?
Ou que ninguém jamais o navegasse
senão entre Coimbra e Celorico?

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Bibliofilia 29 : Jorge de Sena



Não será raro este "O Indesejado (António, Rei)", de Jorge de Sena, peça de teatro com data de 1949, mas publicada em 1951, no Porto. Mas o facto de ter dedicatória manuscrita do Poeta, e endereçada, fá-lo único. Sei que o comprei em Lisboa, antes de 1989, por Esc. 1.200$00 (cca. 6,00 euros).
A tiragem foi de 500 exemplares.
Um pouco mais tarde, já nos anos 90, Mécia de Sena, sabendo que eu o tinha porque lhe dissera, pediu-me uma fotocópia da dedicatória, provavelmente, para anexar ao espólio de Jorge de Sena. Rapidamente cumpri o pedido, com o maior gosto.