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sábado, 2 de julho de 2016

Uma louvável iniciativa (53)


Se o tema desta série de pacotinhos de açúcar (Descubra o que é nosso) me parece interessante, à partida, a sua concretização prática julgo que ficou aquém - como diria Mário de Sá-Carneiro...
Redutora, em absoluto, e composta por apenas  três motivos de que aqui se apresentam 2: o Fado e, provavelmente, o Eléctrico (28?). Ou será o café, na mesa do casal, ou o açúcar?
Ao pôr de pé a ideia, a Tofa falhou, totalmente, na sua concretização. Ou, como se costumava dizer na tropa: borregou  por completo.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Bibliofilia 91

Com ligeiros restauros marginais e uma mancha de humidade, na capa, esta primeira edição (1914) de "A Confissão de Lúcio", de Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), custou-me, no início dos anos 80, Esc. 2.400$00, num alfarrabista da Rua do Alecrim, em Lisboa.
Não é livro que apareça, com frequência, à venda, ou em leilões. Referenciei-o, em Novembro de 1991, num leilão (lote 1054) de José Manuel Rodrigues, tendo sido arrematado por Esc. 21.000$00. Mais tarde, na Feira das Antiguidades, da F. I. L., em Abril de 1998, um exemplar com pequenos defeitos, marcava Esc. 12.000$00. Finalmente, num leilão Silva's, em Março de 1999, tinha uma estimativa de venda entre 8.000$00 e 12.000$00, mas não registei a importância final por que foi vendido.
Lembro que foi a edição fac-similada desta obra de Mário de Sá-Carneiro, que, ontem, se podia adquirir com o jornal Público. Edição feita pelo exemplar da Biblioteca da Universidade de Coimbra.
A quem queira aproveitar...

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Leituras e memória


Há leituras que nos ficam associadas para sempre a determinados lugares. Sei que o primeiro contacto que tive com haiku, foi na pequena mas bem escolhida biblioteca da embaixada do Japão, em Lisboa. As obras menos acessíveis de Shakespeare, li-as na Biblioteca de Galveias, ao Campo Pequeno. E os futuristas ou modernistas portugueses (prosa de Almada Negreiros e Mário de Sá-Carneiro, principalmente) foi na Biblioteca da Universidade de Coimbra, que primeiro tive contacto com eles, nos anos 60. Porque as obras estavam esgotadas, não havia ainda reedições e eram de difícil acesso, por outras vias.
E, por isso, acho curioso que vá ler, pela segunda vez, o Nome de Guerra, de Almada Negreiros,  por uma cópia fac-similada do original (provavelmente) que li, em Coimbra, há tantos anos atrás. Porque adquiri um exemplar, que vem hoje com o jornal Público, pelo preço habitual e módico de 5,95 euros.
Aqui fica a lembrança para quem o queira também comprar.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Mário de Sá-Carneiro




Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), poeta e prosador notável, nasceu precisamente há 120 anos. É, com Almada e Pessoa, a trindade magnífica do modernismo português. O facto de ter morrido jovem não lhe permitiu libertar-se totalmente de algumas influências (Nobre e Pessanha, principalmente) para aceder a uma voz mais pessoal. Muito embora a exuberância quase barroca ( que prenuncia o surrealismo) e alguma estridência de tom identifiquem muitos dos seus poemas. Será uma evidência repetí-lo, mas sendo tão impressivo o poema, obviamente aqui o lembramos nos versos de "Fim":

Quando eu morrer batam em latas
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro!

quarta-feira, 31 de março de 2010

Guilherme de Faria, ainda



Já tinha falado (Bibliofilia 11) no poeta vimaranense Guilherme de Faria (1907-1929), mas vou voltar a ele. Foi sempre, na sua curta vida, católico convicto e monárquico fervoroso (daí o seu entusiasmo pelo sidonismo), tendo até feito um poema à morte de D. Miguel II e outro a saúdar o novo "Príncipe", poesias que vieram a integrar o livro "Manhã de Nevoeiro", a última obra que publicou (1927) em vida. "Desencanto" e a colectânea "Saudade Minha" são já póstumos (1929), embora tenham respeitado as indicações que o Poeta deixara. Aliás, os seus pequenos livros são de grande apuro gráfico e qualidade estética; bem como os que editou de Teixeira de Pascoaes: "Londres", "Sonetos", "Cânticos"...Afora a colectânea "Saudade Minha" que inclui uma escolha de toda a poesia publicada de Guilherme de Faria, os dois últimos livros revelam já uma voz própria. Os primeiros ("Poemas", "Mais Poemas" e "Sombra") são ainda muito devedores de influências. Entre um Nobre, sem ironia, um Mário de Sá-Carneiro, menos ousado, e um Pessanha, um pouco menos subtil. Também há um ligeiro eco de Pessoa ("Eu próprio me desconheço, / E, nesta hora em que vou, / Desconhecendo, aborreço / O nada inútil que sou...").

Nota-se, na sua poesia, uma sensibilidade excessiva, quase mórbida, e um grande desencontro com a vida real, pequenos tiques de aristocratismo. Mas também aquela intuição quase feminina que denuncia o poeta e que, na verdadeira acepção de "vate" (profeta, aquele que faz vaticínios), adivinha o futuro pelo passado ("A minha alma - noite morta - / Crucificada nas ondas, / Morreu nas ondas do Mar..."). A morte não o deixou, no entanto, evoluir até uma maturidade poética já anunciada e pressentida:

Enquanto a vida perpassa
Pela tua indiferença,
Em risos de sol que passa
E se morre em névoa densa,
Tu nem reparas, de ausente
E em vagos sonhos perdida,
Nos encantos que ela tem...
E, a sonhar eternamente,
Não tens esperança na vida
Nem saudades de ninguém.