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quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Flagrante

 


Entre a deferência amável de Mário Soares e o voluntarismo interventivo de Marques Mendes, apesar da proximidade física, vai uma grande diferença, mas o instantâneo fotográfico é estimulante e provocador. Por lá se perfilam Balsemão e vários ex-ministros, além de Emídio Rangel, grande dinamizador da SIC, que terá sido inaugurada nesta altura - suponho.

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Uma fotografia, de vez em quando... (158)



A atenção humana é, sem dúvida, uma das virtudes maiores de uma boa amizade. 
O meu amigo H. N. teve a grata lembrança de me remeter esta fotografia, acima, que reúne, algures (França?, Portugal?, Itália?, Espanha?...), cinco políticos socialistas que se davam bem. Não deixa de ser uma foto histórica, que muito estimei e que aqui fica.
Só lhe posso agradecer este seu gesto atento e amigo.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Espaço e dinheiro



A ocupação progressiva do espaço doméstico pelos livros é uma das preocupações maiores dos bibliófilos. E até, muitas vezes, dos simples amantes de livros. Ainda assim me tenho surpreendido pela rapidez frequente com que se desfazem muitas bibliotecas, através de leilões ou nos alfarrabistas, logo após a morte dos seus donos. Falta de espaço ou partilhas explicam, normalmente, a celeridade da venda dos livros, muitas vezes sem que se atenda a dedicatórias íntimas ou afectuosas, que morrem também no papel e por si.



Este livro em imagens, editado (Sextante Editora) em 2009, por Mário Soares (1924-2017), e oferecido, com dedicatória manuscrita, ao também político Manuel José Homem de Melo (1930-2019), que foi director do jornal A Capital, de algum modo corrobora o que eu disse atrás. Mal se passaram 2 anos para que ele mudasse de mãos, através de um conhecido alfarrabista de Lisboa. À guisa de conclusão, posso dizer que HMJ gostou muito de ler a obra. O que me faz pensar que eu também o vou ler com prazer. 


cordiais agradecimentos a H. N.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Por arrasto


A nossa época tem uma certa avidez por heróis, talvez por que lhe faltem bons exemplos, no presente.
Surpreendeu-me a extrema celeridade (apenas um ano após a morte) com que Simone Veil (1927-2017) acedeu ao Panthéon, através dos bons ofícios do sr. Macron que, nessa impaciência institucional, me fez lembrar o sr. Sarkozy. E não deixei de achar curiosíssimo que Simone Veil fosse acompanhada, para essa academia de memória eterna, pelo seu marido Antoine Veil (1926-2013) que, entre outras coisas, foi um alto funcionário da indústria francesa de armamento. Numa república que se proclama laica, achei comovente esse toque de atenção e ternura familiares...
Por cá, movem-se os interesses no sentido de levar, para o Panteão Nacional, os restos mortais de Mário Soares (1924-2017). A concretizar-se o facto, será que vai ser acompanhado, seguindo o exemplo francês, por Maria Barroso (1925-2015)?
Em paralelo (invejoso?), algumas personalidades do PSD começaram a movimentar-se no sentido de homenagear, da mesma forma, Francisco Sá Carneiro (1934-1980). E estarão a pensar fazê-lo acompanhar da sra. Ebba Merete Seidenfaden (1940-1980), ou não?
É que, assim, o nosso Panteão Nacional, qualquer dia, não chega para albergar tantos ramos familiares. Será necessário ampliá-lo, por uma questão de delicadeza, respeito e ternura votiva. 

segunda-feira, 24 de abril de 2017

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Ressaca


Os franceses sabem, quase sempre, frequentar os sentimentos com elegância.

Por isso me atrevo a traduzir para português o início do editorial que Jean Daniel (1920), no último L'Obs (nº 2723), dedicou a Mário Soares:
"Evocar ligações como aquelas que nos uniam a Mário Soares traz-nos um frio à alma e calor ao coração. (...)" 

sábado, 7 de janeiro de 2017

sexta-feira, 4 de março de 2016

A evolução na descontinuidade...



A Galeria Presidencial ficará acrescida, proximamente, com o retrato do ainda presente PR, executado por C. Barahona Possollo (1967). Ironicamente, não resisto a comentar que o menos lido, dos 3 últimos Presidentes eleitos democraticamente, é aquele que aparece com mais livros no retrato... Como diria o povo: "Não há fome que não dê em fartura."


domingo, 7 de dezembro de 2014

90 anos


Fará diferença aos tíbios ou timoratos, aos politicamente correctos, aos tartufos e aos esquecidos, que este homem possa ainda erguer a sua voz - como sempre fez, corajosamente - pela indignação e pela liberdade.
Não se o acuse de puerilidade, em nome de um comodismo a que muitos gostariam de o ver conformado. Antes se louve a frontalidade de ele poder ser ouvido e poder falar em nome dos ofendidos e calados.
Mário Soares faz, hoje, 90 anos.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Pinacoteca Pessoal 79


Nunca ousaria dizer muito de um pintor que está amplamente estudado. Desde a sua fase que acompanhou o neo-realismo, com o emblemático e conhecido "Almoço do Trolha", até ao sugestivo, brilhante e descomprometido retrato, que fez, de Mário Soares. O que posso afirmar, seguramente, é que Júlio Pomar (1926) continua a ser, dos pintores portugueses vivos, um dos que mais aprecio.

sábado, 7 de junho de 2014

Bibliofilia 102


Eis um livro que, não sendo raro nem caro, me deu imenso gosto comprar, porque já não o via há muito. E está, ainda de fresco, nas minhas mãos. Principiei a lê-lo e a gostar de fazer estas viagens com Urbano Tavares Rodrigues que, como sempre, escreve com ritmo e bem. A obra tem a particularidade de ter sido dedicada a Mário Soares, e foi editada, numa colecção prestigiada, em Fevereiro de 1963, com uma capa agradável de João da Câmara Leme.
Ontem, depois daquela chuva toda, que mais parecia de Inverno, sempre pensei que, no sábado, não haveria feira de livros, na Rua Anchieta. Mas, hoje, logo pelas 9h30, começou a clarear, o Sol abriu, e lá fui.
Muitas bancas, muita gente, preços acessíveis. Foi então que dei, em muito bom estado, com este quarto livro de viagens, de Urbano. Na banca de um jovem casal simpático, que lá deve ter ido com os livros já lidos, para os vender e compor o orçamento. O preço eram 3 euros... Como é que eu poderia não o comprar, assim quase novo e barato, se nunca o tinha lido?

domingo, 8 de dezembro de 2013

Presente!


Quando o peso dos anos convidaria ao descanso (até para a tranquilidade venal de muitos..), a presença pode ser um dever cívico e ético. Para quem sempre foi solidário com os outros e sempre se bateu pela Liberdade - Mário Soares (1924), no dia do seu aniversário, ontem, em Viana do Castelo.

sábado, 7 de dezembro de 2013

89 anos


"...- foram precisos muitos anos para aprendermos que são raros, raríssimos, os homens que resistem à corrupção do poder; que são poucas, pouquíssimas, as coisas pelas quais o homem poderia aspirar à ressurreição. Isto, ele também o sabia. O que não sei se saberia, e a mim me parecia pura evidência, é que os homens se tornam prisioneiros do próprio poder, a sua liberdade é mera aparência. Não sei se lhe disse isto, ou se apenas o pensei, já metido no frio dos lençóis de Mateus, onde o sono demorava a chegar. Demorava a mim, porque o meu amigo já deveria ter adormecido. «Mesmo na cadeia, tirava o casaco, punha-o a servir de travesseiro, e dormia até ao interrogatório seguinte...», dissera-me há bocado. Só quem tem a consciência tranquila pode dormir assim. Continua a chover; a terra vai ficar ensopada: o peso sobre o rosto dos mortos."
S. Lázaro, 16.6.90
Eugénio de Andrade

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A estética e a galeria Presidencial


Há opções que só dignificam quem escolhe e que evidenciam o bom gosto. Quando Mário Soares escolheu Júlio Pomar para lhe pintar o retrato, demonstrou não só uma vontade de ruptura com o passado, mas também que tinha um apurado sentido estético de modernidade. Jorge Sampaio não era tão ousado - uma espécie de Paulo VI, depois do revolucionário João XXIII - e, por isso, optou por Paula  Rego. Confere. Porque, às vezes, os militares têm gostos insólitos: quem é Francisco Lapa que, além de amigo, pintou o retrato de Spínola, exposto em Belém?
Teófilo Braga e Teixeira Gomes escolheram o melhor: Columbano. Justificando exigência, bom gosto estético e cultura. Confere, também, e da melhor forma.
O actual PR deve andar em bolandas metafísicas, porque já é tempo de escolher quem o retrate. O problema é que Eduardo Malta, que pintou o Gen. Craveiro Lopes, já morreu. Henrique Medina, também. Pode ser que haja, por aí, algum pintor-de-domingo que não se importe de o modelo ser paupérrimo... Em último caso, há sempre um manequim de madeira, da Rua dos Fanqueiros, para simular a post-modernidade. E que, exposto com jeito, causará algum espanto, aos visitantes do Palácio de Belém, no futuro.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Por entre a compulsão, o alzheimer e a fantasia : o machadinho das arolas


A memória sobre a pequena história é vulgarmente curta. Mas eu lembro-me de, aqui há uns vinte ou trinta anos, ter havido um episódio caricato, de diz-se e não diz, entre Mário Soares e o inefável Machete. E, quem saía muito mal, na fotografia, era o Rui. Que, sibilina e clandestinamente, até escreveu uma carta ao Mário, a pedir desculpas, já depois do incidente patético. Provavelmente, não teria Alzheimer, mas já era compulsivo nas incoerências da sua verdade...
Machete pode ser muita coisa, até ministro. Segundo Houaiss, a palavra significa um sabre de dois gumes, uma faca grande; mas também um instrumento musical, maior que o cavaquinho (deliciosa companhia!) e menor que uma viola. Mas eu conheço a palavra, de há muito, com o significado regional de: pequeno machado ou machadinho. Por isso intitulei este poste, em subtítulo: machadinho das arolas. Em homenagem ao compulsivo mentiroso mais célebre da cena política portuguesa. Sobre arolas, é só ir ao dicionário, se se não souber...

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Onde é que eu já vi isto?


Nos anos 50, 60, 70, era frequente. Com outras bandeiras (americana, normalmente) e noutros países, com outros protagonistas.
Como a sabedoria popular regista: "Quem semeia ventos, colhe tempestades". E, por isso, a frase de Mário Soares sobre o regicídio, contestada pelos zoilos e ignorantes de História, não é tão despropositada quanto isso...

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Adagiário CXXIX : Maio (4)


1. Em Maio, o rafeiro é galgo.
2. Sáveis em Maio, maleitas todo o ano.
3. Pela Ascenção, coalha a amêndoa e nasce o pinhão.
4. Viva o Maio carambola, que ele vai jogando a bola.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Filatelia LXIV : Raul Rego, BNP e Liberdade


No panorama algo desolador, pelas circunstâncias, de acontecimentos culturais de relevo promovidos por instituições públicas, a agenda da BNP (Biblioteca Nacional de Portugal) é uma honrosa excepção, revelando um dinamismo digno de louvor e admiração. É certo que lhe anda associada imaginação, apoios desinteressados ou mecenáticos, e muito trabalho de quem lá exerce o seu labor quotidiano.
Hoje, foi a vez de uma exposição para celebrar o centenário de Raúl Rêgo (1913-2002), bibliófilo distinto, jornalista e combatente pela Liberdade. Mostra que incluía algumas obras da sua vasta e importante biblioteca. Em boa hora, os CTT de Portugal se associaram, muito justamente, à efeméride, emitindo um selo alusivo e proporcionando um carimbo de 1º dia, aposto na BNP.
O acontecimento contou com a presença sempre simpática de Mário Soares, que lembrou alguns episódios das suas lutas comuns pela causa da Liberdade, em Portugal. E de João Alves Dias que ilustrou, com afecto e sapiência, a figura exemplar de Raul Rêgo nos seus amplos aspectos de humanista.

sábado, 22 de setembro de 2012

A última semana

Nos últimos oito dias, do ponto de vista político, assistimos a inúmeras declarações que primavam por uma linguagem de pau, entre a banalidade burocrática e o disparate dissimulado por belas palavras. Entretanto, o discurso popular agudizava-se nas ruas. Do semi-cerco ao Palácio de Belém, aquando da reunião do Conselho de Estado (Porque terá saído Mário Soares a meio, cerca das 20h00?) retive uma frase de um manifestante, que falava bem e tinha o discurso arrumado. Disse ele: "A polícia está cá fora, mas os ladrões estão lá dentro" - as generalizações são sempre injustas, foi o que pensei. E lembrei-me de 1975.
Creio que terá sido Karl Marx, no seu trabalho sobre o 18 Brumário que postulou que a História, normalmente, se repete, a primeira vez, como tragédia, a segunda vez, como farsa. Em 1975, o general Costa Gomes, Presidente indigitado, veio, cá fora e pessoalmente, arengar e serenar a multidão de manifestantes. Convenhamos que era um militar de craveira, e estava habituado a multidões. O seu sucessor, ontem, mandou um porta-voz de 3ª classe, cujo nome desconheço, ler um curto comunicado de 7 pontos, em linguagem de pau, aos jornalistas, já muito tarde. Não sei a que horas os sitiantes/manifestantes debandaram.
Mas os petardos já começaram a arder nas praças e nas ruas.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Uma simples nota


Foi um político sério, disse dele Mário Soares, hoje, e eu concordo inteiramente. Esse facto tem um valor apreciável, nos tempos que correm. Eurico de Melo, nascido em 1925, faleceu hoje, no Porto. Quando, pelo início do Outono, na estrada, passávamos pela fábrica que fundou, no terreno à entrada, os diospiros já estavam quase vermelhos. Devia gostar deles, como eu. Por outro lado, sendo um homem do Norte, era contra a regionalização. São três razões bastantes para esta nota simples, pela sua morte.