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quarta-feira, 14 de maio de 2025

Bibliofilia 222

 

Houve um tempo em que foi moda a fotobiografia sobre escritores, depois acabaram por se terem esgotado os fotografáveis merecedores. Esta obra acima, com imagem de capa, de António Nobre (1867-1900), foi editada em Setembro de 2001, com orientação competente de Mário Cláudio (1941). Textos e citações do poeta apropriados, e com um aparato iconográfico notável, bem merece ser recordada aqui, pela sua qualidade.
Ou não fosse Nobre um dos meus poetas portugueses preferidos.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Do que fui lendo por aí... 66

 


Venade, Casa da Ramada,
Sábado, 15 de Abril de 1995

O grande acontecimento do dia de hoje, sábado, foi o aparecimento de uma poupa, com a crista que o Aquilino,  por sistema, compara ao pente das sevilhanas, a esgravatar na terra do campo da vizinha Glória.

Mário Cláudio (1941), in Diário Incontínuo (pg. 150).

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Osmose 137



Nesta fracção minúscula de vida em que passámos no tempo e universo, e em que mal deixamos sinal, podemos ter a sorte de cruzar pessoas notáveis que nos enriqueceram para sempre, nesse mesmo sempre minimalista que irá desaparecer de todo em nuvens que se evaporam no vácuo. Porque a eternidade é uma utopia dos irrealistas ingénuos e bem intencionados. 
Por cego e ingrato esquecimento omito, sem razão muitas vezes, o nome de Mário Cláudio (1941), por entre os ficcionistas que considero e gosto de ler. Sendo discreto, não salta muito aos olhos, nem se põe em bicos de pés para que demos por ele como escritor. E bem merece ser lembrado, por fundadas razões de boa escrita e capacidade profissional muito acima da mediocridade geral reinante.
Comprei-lhe agora  o Diário Incontínuo (Julho 2024). E sei que me não vou arrepender.

quinta-feira, 16 de maio de 2024

A propósito de poesia



O jornal Público tem vindo a publicar, diariamente, um conjunto que será de 50 poemas para celebrar o 25 de Abril de 1974. Os poemas, talvez por serem de encomenda, na minha perspectiva, não prestam, até agora. Se exceptuarmos o que foi publicado a 13/5, e que era de autoria de Mário Cláudio.
Há quem diga, de dentro do métier, que as edições realistas de livros de poesia têm tiragens curtas, porque quase só os poetas lêem e compram os outros poetas. Não sendo uma ciência oculta, a leitura de poesia obriga a um certo traquejo de experiência e sentido crítico, para uma correcta avaliação de qualidade das obras em presença, evitando os versinhos de jornais de província e os vates das desgarradas. Daí, ainda assim, andar por aí muito gato por lebre que uma editora capaz e profissional recusaria publicar, liminar e salutarmente, em nome da higiene e saúde estética do ambiente literário.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Em jeito monográfico, uma colaboração amiga de A. de Almeida Mattos



Aqui há umas dezenas de anos a pergunta “És de Ramalde ? “ não seria bem um insulto mas uma provocação.
Ramalde é uma freguesia do Porto, com o nome arcaico de Riamhaldi com origem anterior, uns séculos, à Fundação, quando os monges de S Bento chegaram ao território. 
Só a partir dos anos 50 chegaria o desenvolvimento industrial, com a criação de bairros  económicos ( 12) - um deles chamado Campina, escolas, armazéns.
A par aparecem áreas residenciais de luxo, marginais à Boavista.
Saídas rápidas da cidade, abertas desde então, alteraram completamente a zona de forte ruralidade.
Dominada por três casas: casa e quinta da Prelada, iniciada em 1754, de grande tradição, com um conjunto paisagístico delineado por Nasoni, com um jardim labirinto que dizem ser o maior da península, e onde funciona o Arquivo da Misericórdia.
A casa e quinta do Viso, ou do Rio, por estar junto da ribeira Agrela, com capela votada a St. António, casa apalaçada de 1764, veio a pertencer aos senhores da casa e morgado das Virtudes, ascendentes do escritor Mário Cláudio.
A terceira casa, casa de Ramalde ou Casa Queimada pelo incêndio que sofreu nas invasões francesas, também atribuída a Nasoni, em 1968 foi abrigo do Museu Nacional da Literatura, por alguns anos, dirigido por Mário Cláudio, que dessa experiência guarda saborosas histórias.
Este arrazoado para insistir na ruralidade da zona onde pastavam pacíficos  bovinos, não sei se de raça barrosã ou cachena, mas, como se vê na foto, muito bem armados.
Assim, ser de Ramalde significaria, pelo menos, não caber nas portas...

Nota: o Arpose acolhe, com grato regozijo, esta colaboração de António de Almeida Mattos.


sexta-feira, 18 de maio de 2018

Do que fui lendo por aí... 19


A dois flashes do fim desta galeria de retratos, curtos mas incisivos, venho dar conta da leitura deste livro, de Mário Cláudio (1941), que hoje iniciei e esta noite irei acabar, com certeza. Que, muito bem escrito, tem o ritmo vivo das memórias ilustres que o povoam e me deram um enorme gosto de leitura.
Do ocaso de Ferreira de Castro à bondade de Urbano, passando pelo terror sacro que inspirava Gaspar Simões ou pelo desperdício de talento de um E. Prado Coelho, este álbum de figuras, das mais significativas do século XX português, reconstrói, pela pena percutiva de Mário Cláudio, a silhueta realista de muitas personalidades desaparecidas.
E se algumas pinceladas denotam, decerto, alguma acrimónia sibilina mas elegante (talvez Eugénio, talvez Homem de Melo, talvez Alberto de Serpa, mesmo que à sombra de Régio...), desta galeria de retratos de A Alma Vagueante, o balanço de leitura não deixa de ser extremante favorável e gratificante.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Leituras e ocorrências dispersas acontecidas na manhã - miscelânea


Ainda não é desta que eu faço as pazes com a ficção. Tenho à minha espera umas Crónicas (Em Minúsculas) de Herberto Helder, que vou buscar amanhã. E encomendei, na Livraria Escriba, a Correspondência, de Ilse Losa (Estreitando Laços, da Afrontamento), bem como Memórias Secretas, de Mário Cláudio, editadas pela D. Quixote, cuja primeira edição esgotou rapidamente.



Depois de, sem eu dar por ela, no supermercado, me terem impingido, subrepticiamente, uma carteirinha com 3 decalques infantis por que paguei 9 cêntimos, fico surpreendido, através do cartoon de Luís Afonso, no Público, com um novo lobby que está a imiscuir-se, como quem não quer a coisa, nas Escolas: o das inefáveis nutricionistas. Como se não bastassem os psicólogos...



E parece que os diplomatas lusos, no seu melindre de finas rendas e sensibilidade ociosa de croquete, amuaram com o nosso PR, pelas loas que ele teceu, por comparação, ao nosso salvador da Eurovisão, que usa carrapito e tem aquela voz delicodoce e retorcida de pardalito implume.

Ora, cuidem-se!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Opinião, memórias e recensões


Vem, hoje, no Diário de Notícias, um registo de memórias de Mário Cláudio, sobre Eugénio de Andrade, que eu recomendo vivamente. É despido de preciosismos saudosistas, mas documenta uma verdadeira amizade, que não se abstinha de reflectir sobre o Outro, mesmo quando negativamente.
O penúltimo TLS (nº 5889) traz dois artigos sobre Portugal. Num deles, faz-se referência ao livro Global City, a propósito de Lisboa no século XVI; no outro, vem uma recensão sobre um livro de Mia Couto, recentemente traduzido para o inglês. Em ambos se fala do passado colonial português.
Mas Landeg White (1940), na recensão sobre a obra de Couto, permite-se algumas considerações que me parecem sem sentido, para não dizer, disparatadas. Passo a traduzir o início e o final da recensão:
"Wole Soynka e o falecido Chinua Achebe foram classificados com escritores Nigerianos, assim como escritores Africanos, sendo ambos escritores post-coloniais (depois de uma breve caracterização classificativa de escritores da Comunidade) (...) Mia Couto, que nasceu na colónia de Moçambique, filho de imigrantes portugueses, tem sido desde o início da sua carreira um premiado «escritor Lusófono». Portugal nunca tendo descolonizado mentalmente (a expulsão das colónias é uma experiência bem diferente), o espaço que o artista ocupa é ambíguo. (...) Quando Couto acrescenta que os escritores Europeus nunca foram desafiados para tais assuntos, há que perguntar em que mundo é que ele vive."
Francamente, não percebo a ideia deste crítico literário do TLS (que parece que também é poeta)...

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Mário Cláudio, testemunho sobre 3 confrades já falecidos


Em entrevista muito interessante publicada recentemente (16/10/2015) na revista ípsilon (jornal Público), o escritor Mário Cláudio (1941) caracteriza, de forma sucinta, o temperamento de Eugénio de Andrade, Jorge de Sena e David Mourão-Ferreira. Tendo convivido com eles e por se tratar de um testemunho pessoal curioso, aqui ficam exaradas as suas palavras, para memória futura:
"Podia ser-se amigo do Eugénio, mas não um amigo incondicional. Quem o tentou, ficou esmagado. Não era possível. Pela personalidade dele, que era muito possessiva e manipuladora. Já o Sena era temível. Convivi menos com ele, uma vez que estava no estrangeiro, mas era vulcânico, uma pessoa um pouco assustadora naquele seu gigantismo, que se manifestava aos mais diversos níveis. De todos eles, com quem tive uma relação mais afectuosa foi com o David, que ao contrário do que se pensa era tudo menos um mundano, embora gostasse de conviver, sobretudo com mulheres. Era um homme à femmes irredutível. E como é frequente em personalidades desse tipo, era infiel nos amores, mas fidelíssimo nas amizades."

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Urbano, em contra-ciclo


Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013), falecido há cerca de 4 meses, celebraria 90 anos, hoje, se fosse vivo. Preocupado com as estridências do momento, o mundo cibernético dos blogues pseudo-literários já o deve ter esquecido e, com certeza, poucos o irão lembrar. Há mais mortos ilustres, e mais recentes...
Mas eu gostaria de o recordar, mesmo que fosse só pelo que lhe deve a minha juventude, através deste texto manuscrito de Mário Cláudio (1941), onde o escritor portuense fala, também, do Alentejo. Exemplarmente.

com agradecimentos cordiais a A. de A. M..