Mostrar mensagens com a etiqueta Mário-Henrique Leiria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mário-Henrique Leiria. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Livros que levaram sumiço


Não terão sido mais de quatro, os livros que desapareceram misteriosamente (ou quase) da minha biblioteca, ao longo da vida. Mas tenho uma hipótese de explicação para cada um dos casos.
Dois deles, de Mário-Henrique Leiria (1923-1980), eram primeiras edições (Contos... e Novos Contos do Gin-Tonic), e creio tê-los deixado esquecidos, numa noite fria, num banco de uma paragem de autocarro outrabandista, ou no pequeno balcão de um quiosque. Distraidíssimo ou aéreo, que eu devia estar, mas já não voltei atrás, porque a noite ia alta. E já os tinha lido, com gosto.
Quanto às Cryptinas, de João de Deus (1830-1896), folheto finíssimo de 16 páginas, na sua impressão original (1881?), com poemas quase fesceninos do poeta português, depois de lido, iria jurar que o meti no grosso volume das Epanáforas, de Francisco Manuel de Melo (1608-1666). Mas deu-lhes o sumiço, às Cryptinas, porque, meses depois e folheadas uma a uma as páginas das Epanáforas, nunca mais encontrei o raro folheto.
Finalmente, o último e mais recente desaparecimento, deu-se nos primeiros meses de 1986. Eu tinha, autografado e com dedicatória, de Eugénio de Andrade (1923-2005), Os Afluentes do Silêncio (1968). Gostava tanto daquela linfa lírica de água clara que, a algumas visitas particulares que me iam a casa, eu costuma ler-lhes passagens escolhidas da obra. E, uma Senhora, de uma vez que me ausentei, deve ter-se tentado e levou-me o livro... Pagou-se assim do encontro e, como nos desencontrámos, pouco depois, nunca mais recuperei o exemplar autografado.
Comprei, anos passados, um outro exemplar, usado, esse já sem dedicatória de Eugénio de Andrade.