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terça-feira, 1 de julho de 2025

Da Holanda

 

O lado visionário e paradoxal da obra do holandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972) está profusamente documentada neste livro da Taschen que teve a sua versão (2008) portuguesa, fielmente reproduzida da original, e que tem a vantagem de todas as gravuras serem acompanhadas de um texto alusivo e/ou explicativo do seu autor.



A xilogravura 7. Sonho (1935) é legendada pelas seguintes palavras de Escher: " sonha o bispo com um louva-a-deus, ou é toda a representação um sonho do artista?"


Grato reconhecimento a H. N.

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Assimetrias



A mão esquerda, menos trabalhadeira, por norma, que a direita, é mais maneirinha e cabe quase sempre à vontade pelo punho da manga abotoada da camisa. A direita, raramente.

Para estudar as linhas da vida, é a esquerda que faz fé, a mais natural. A mão direita sofreu os tratos de polé dos trabalhos e exercícios do tempo, apresentando vincos, rugas e linhas desses manuseios, na pele.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Simbiose


Entre 1745 e 1750, o pintor italiano Giovanni Battista Piranesi (1720-1778) executou  uma série de 16 gravuras, a que deu o nome de As Prisões (ou Os Cárceres). As obras inspiradas nos subterrâneos de Roma, mostram interiores labirínticos mergulhados na escuridão ou, pelo menos, na penumbra. A obra, no seu conjunto, veio a ter alguma influência nos artistas que vieram, mais tarde, a fundar e desenvolver o Romantismo. E até mesmo no Surrealismo. Pessoalmente, creio que a sua influência terá chegado até M. C. Escher.
No vídeo que se segue, George Steiner (1929) refere-se indirectamente a essas gravuras de Piranesi, para clarificar aquilo que pensa sobre a dificuldade do "Conhece-te a ti mesmo", de Sócrates. Que contrapõe, de algum modo, à maior modéstia das reflexões de Montaigne, sobre o mesmo assunto.



sábado, 7 de julho de 2012

Os paradoxais desenhos de M. C. Escher (1898-1972)


A impossibilidade "realizada" é uma das marcas do holandês M. C. Escher. Aqui personificada por "Côncavo e convexo", de 1955, e pela litografia de 1953, intitulada "Relatividade", respectivamente.

domingo, 27 de março de 2011

M. C. Escher - um mundo improvável



Maurits Cornelis Escher nasceu a 17 de Junho de 1898, em Leeuwarden (Holanda). Não foi grande aluno nas escolas por onde passou, mas teve um professor, Samuel Jerussen de Mesquita (descendente de judeus portugueses), na Escola de Arquitectura e Artes Decorativas de Harlem, que lhe predestinou e o encaminhou na carreira artística que, inicialmente, seria a de arquitecto. Assim, a xilogravura e a litografia acabaram por ser a sua forma de expressão artística predominante. Muito embora a sua obra resista à classificação ou integração em correntes definidas ou escolas dominantes. Escher é uma espécie de Magritte sem emoção visível, apenas mental ou, ainda melhor, intelectual, na sua frieza (aparente). Como se, nos seus trabalhos, tentasse, matemática e geometricamente, provar o impossível pelo traço dos seus desenhos, ou criar mundos que não podiam existir. Mas soube, também, aplicar à prática os seus jogos abstractos, quase sempre com hábil criatividade. Desde caixas de bolachas, painéis decorativos para o edifício da Câmara de Leiden ou para a Estação do Correio Central de Haia, até selos postais de grande originalidade (em imagem, numa emissão de 1949). M. C. Escher morreu em 27 de Março de 1972.

domingo, 8 de agosto de 2010

Salão de Recusados XXI : o soneto, em questão



1. Um soneto me manda hacer Violante


Um soneto, que eu faça quer Violante:
nunca me vi na vida em tal espeto.
Catorze versos dizem que é o soneto:
brinca brincando vão já três adiante.

Pensava não achar mais consoante
e na metade estou de outro quarteto;
mas se me vejo dentro de um terceto
não há nestes quartetos que me espante.

No primeiro terceto vou entrando,
e parece que entrei com o pé direito,
pois fim com este verso lhe vou dando.

E já estou no segundo, e até suspeito
que vou uns treze versos acabando.
Contai se são catorze, e eis que está feito.

Lope de Vega (1562-1635), traduzido por Jorge de Sena.


2. Quatorze versos


O primeiro é assim: fica de parte.
No segundo já posso prometer
que no terceiro vai haver mais arte.
Mas afinal não houve... Que fazer?

Melhor será calar, pois que dizer
nem do sexto conseguirei destarte.
Os acentos errados é favor não ver;
nem os versos errados, que também sei hacer...

Ó nono verso porque vais embora
sem que eu te sublime neste décimo?
Ao décimo-primeiro dediquei uma hora.

Errei-o. Mas que importa se a poesia,
mesmo que o não errasse, já não vinha?
É este o último e, como os outros, péssimo...

Alexandre O'Neill (1924-1986).


Nota: Já Guilherme de Aquitânia (1071-1127), poeta, dizia: "Farei um poema do puro nada..." (vide Arpose, Poesia provençal, 14/1/2010). O soneto, como supremo desafio, merece ser desafiado... Ou, como diz o meu amigo poeta, António de Almeida Mattos (1944): "...um rápido pavor em desmanchar / a regra..."

P. S.: para MR, pelo O'Neill, e não só.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Salão de Recusados IX : a palavra "não"



Terrível palavra é o «non». Não tem direito nem avesso: por qualquer lado que o tomeis, sempre soa e diz o mesmo. Lêde-o do princípio para o fim, ou do fim para o princípio, sempre é «non».

Padre António Vieira (1608-1697)


Ao contrário do que diz Vieira, o «non» não é "terrível ". É uma palavra inteira, acabada, por qualquer lado que se tome. Mais brilhante que a afirmação é sempre a negação. Porque a negação é a afirmação que pára no limite dos riscos.

Vergílio Ferreira (1916-1996)


Ao homem restam sempre dois direitos: o direito de dizer não e o direito de se ir embora.

[citado de memória] Albert Camus (1913-1960).