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terça-feira, 30 de junho de 2020

Impromptu (52)


De leituras que fiz recentemente dei-me a pensar que E. M. Forster (1879-1970) teria sido um pessimista objectivo ("Most of life is so dull that than is no thing to be said about it...", A Passage to India) e, por contraste, nota-se facilmente que Luis Spúlveda (1949-2020) gostava muito de viver ("Lembro-me sempre de que um dos meus dias mais felizes foi quando...", Uma ideia de felicidade).
Comecei depois a divagar e tentar distribuir alguns escritores, agrupando-os por maneiras (prováveis) de ser. Assim, cheguei a estas conclusões ociosas:
Kundera, Coetzee e Sebald - discretos, algo sorumbáticos, pouco faladores.
Marías, Magris - afáveis, comedidos, ainda que extrovertidos.
Steiner e Cioran - arrítmicos e tempestuosos, por vezes.
E por aqui me fiquei.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Últimas aquisições (24)


Volto a insistir nos garantidos: W. G. Sebald (1944-2001) e Luis Sepúlveda (1949-20020), embora este último, numa parceria com Carlo Petrini.
Se Vertigo, em versão inglesa, encomendado para Köln, me chegou já há alguns dias, o outro livro adquiri-o, directamente, na Livraria Escriba, da Cova da Piedade, no final da semana passada.
Tenho boas expectativas nas leituras dos dois livros.

domingo, 17 de maio de 2020

Divagações 159


Uma coisa temos em comum, Luis Sepúlveda (1949-2020) e eu: nascemos ambos num hotel, acidentalmente, embora em anos e países diferentes de continentes diversos.
O tempo e a luz já me permitem ler na varanda a leste. Olho para baixo e vejo mais um figurante, dos muitos que se clonam, habituais e idênticos, interminavelmente repetidos, com as características banais de: obeso, cabeça rapada, calções escuros, chanatos de plástico.
Olho para a mesa, cá em cima, e concluo que, injustamente e a meio, classifiquei de livro menor Uma História Suja, de Luis Sepúlveda, que estou quase a acabar. A obra, no entanto e só por si, vale por 2 textos soberbos: Acerca da Luz (pgs. 198 a 200) e, muito principalmente, Infância (pgs. 204 a 210).
Quem puder que os leia. Ou releia.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Revivalismo Ligeiro CCXLVIII



Cheguei aqui vindo da página 129 de Nome de Toureiro, de Luis Sepúlveda, que assim escreveu:

Auf die Repperbahn nachts um halb eins*... Sabes quem canta, velha patagónia?
- Como hei-de eu saber, don Franz?
- Hans Albers. Era como o Carlitos Gardel. As mulheres mijavam-se por ele.
- E de que fala a canção, don Franz?
- De uma rua de Hamburgo com mais putas que as ovelhas de cá. Linda rua. Rua muito linda.
- O senhor está muito esquisito, don Franz. E porcalhão. O melhor é não beber mais vinho.
- São brincadeiras, velha bigoduda. Bebe vinho também. Temos de falar, mas antes repita...

* o título da canção, na tradução portuguesa, vem errado. Correcto é: Auf der Reeperbahn...

domingo, 26 de abril de 2020

Trava-línguas dominical



Ontem, tendo visto o essencial das cerimónias do 25/4, dediquei uma boa parte do meu tempo aos pequenos  e interessantes contos encadeados de Nome de Toureiro, de Luis Sepúlveda (1949-2020). Fiz-me acompanhar da voz de Compay Segundo (1907-2003), em pano de fundo de um CD. Ou seja, uma bela parceria da América Central (Cuba) e do Sul (Chile).
E como gosto particularmente da canção Qué lío Compay Andrés, aqui a deixo arquivada, em jeito de trava-línguas divertido e matinal.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Últimas aquisições (23)


Desta vez, os livros usados não vieram das Portas de Santo Antão, da Calçada do Carmo ou da rua da Misericórdia, nem mesmo das mesas ou estantes da rua do Alecrim, nº44, em Lisboa, que eu costumo frequentar com mais assídua e longinqua fidelidade bibliófila. A clausura sanitária não permitiria a minha escolha local física e sempre agradável. Mediadas por um carteiro afável, as quatro obras de Luis Sepúlveda provieram da rua Formosa (Porto), e da Livraria Lumière, mais concretamente. E chegaram hoje.


quinta-feira, 16 de abril de 2020

Luis Sepúlveda (1949-2020)


Diz-me a minha amiga MR que o Escritor morreu. E eu, que dei por ele já tarde, fico ainda mais pesado na vida. Era um resistente político e resistiu algum tempo, porém já ferido de morte, ao covid-19. E numa altura do mundo em que muitos se vendem e as ideologias se tentam esbater, ele sempre manteve as suas convicções e as exprimia nas suas obras.
Se nunca o leram, tentem começar por este livro, que foi o primeiro que li de Luis Sepúlveda:


domingo, 23 de fevereiro de 2020

Duas reflexões ou estratégias de defesa


1.
Com a gente do Sul aprendi que a ternura tem que ser protegida com dureza e que a dor não nos pode paralisar.

Luis Sepúlveda, in As Rosas de Atacama (pg. 131).

2.
A ironia é uma atitude defensiva que deve permitir-se a quem se aventura a navegar no elemento movediço das formas humanas, com a consciência nítida da própria impossibilidade de distinguir os corpos das sombras.

Antonino Pagliaro, in A Vida do Sinal (pg. 4).

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Ultimas aquisições (21)


Não são livros recentes, mas são 2 obras de qualidade. E digo-o, porque já os comecei a ler. O livro de Sebald não deixa de ser desconcertante: uma ficção em forma de poema percorrendo três temas, um dos quais sobre o pintor Matthaeus Grünewald (1470?-1530?). Quanto à obra de Luis Sepúlveda, fez-me acreditar que, hoje, ainda é possível escrever de forma comprometida, sem que, por isso, a ficção perca a beleza e a qualidade.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Feiras


A palavra feira tem, à partida, um reflexo interior de oportunidade. Seja ela de gado, velharias, galináceos, livros ou vinhos, retinem-me, normalmente, no cérebro, campaínhas inefáveis, para não dizer celestiais. De fundição mourisca, judaica ou aciganada, elas fazem sentir o seu timbre.
Quanto a feiras, a minha maior desilusão foi a de S. Mateus, em Viseu. Andei anos desejoso de a conhecer, até que, há cerca de 10, por lá passei e me desiludi para sempre - um barrete aciganado de roupas e sapatos...
Feiras medievais, que hoje se fazem por todo o lado, também dispenso, embora tenha amigos embevecidos por elas que, sempre que podem as frequentam com religiosa devoção histórica. Mas eu já ando farto de ficção pindérica, disfarçada de literatura, como a que aparece pelas livrarias dos aeroportos, para contentar o vulgo pouco exigente.
Em tempos juvenis, às Terças-feiras e aos Sábados, já fui um assíduo cliente da Feira da Ladra, a Santa Clara, não prescindindo de subir a rua do Forno do Tijolo, por 2 alfarrabistas que lá havia pelo meio, mais uma loja repleta de discos de vinil que eu gostava de ver. E, por vezes, comprar.
Por agora, limito-me, quando me dá jeito, a frequentar aos Sábados, na rua Anchieta, a feira de livros dos pequenos alfarrabistas, alguns deles amadores. Se uns têm preços altos e irrealistas, outros são mais comedidos. E foi lá que adquiri, a preço razoável, estes três Luis Sepúlveda, recentemente. Que é também dos poucos autores de alguma qualidade que também aterram e aparecem nos escaparates dos aeroportos, no meio da tropa fandanga do costume.


domingo, 17 de novembro de 2019

Do que fui lendo por aí... 33


... No período de ouro do «milagre económico alemão», nos finais dos anos sessenta, na estação de Colónia, os alemães recebiam eufóricos o imigrante «um milhão», que aconteceu ser um português do Algarve, baixinho de estatura, tímido, e que, sem compreender uma palavra daqueles que o saudavam, agradecidos por ele ter chegado para a construção da Deutscher Wunder, recebia como prémio uma motocicleta e um ramo de flores. Um documentário daquela época mostra esse dia na estação de Colónia, era Outono, estava frio, e o presidente do patronato alemão cumprimenta aquele Gastarbeiter, cuja tradução mais precisa é «trabalhador convidado». ...

Luis Sepúlveda (1949), in Crónicas do Sul (pgs. 45/6).

domingo, 30 de setembro de 2012

Falar por falar

A velhice é, e em muitos casos, uma cristalização. De gosto, de hábitos atávicos, como se o desligar gradual de funções se fosse fechando à novidade e a novas experiências. Mas também se manifesta, com frequência, por um amolecimento do sentido crítico e das nossas circunstâncias mais agressivas.
Recentemente, fiz duas leituras serôdias (em relação à data de saída dos livros: 1993), que me agradaram, de uma forma geral: "O Caderno Vermelho", de Paul Aster, e "O Velho que lia romances de amor", de Luis Sepúlveda. Ambas as obras se lêem muito bem. O primeiro é uma forma superior de literatura light, para mim, sem dúvida.
Quanto ao livro de Sepúlveda, não pude deixar de pensar em "A Selva", de Ferreira de Castro, e em Gabriel García Márquez , até porque lhe explora o filão onírico da mitologia sul-americana. Para ser justo há que dizer, também, que "O Velho que lia..." é muito mais colorido e luxuriante que "A Selva", do escritor português. Bem escrito, no entanto, não consegue criar a atmosfera que a obra de Ferreira de Castro transmite e exsuda para o leitor, em geral.
Tinha-me esquecido de dizer, e para regressar ao princípio, que velhice é, também, algumas vezes, intransigência. Ou caturrice.