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quinta-feira, 6 de maio de 2021

Luis Rosales (Granada, 1910-1992)



Lo que no se recuerda


Para voltarmos a ser felizes, era

apenas necessário o puro acerto

de lembrar... Procurávamos

no coração essa nossa memória.

Talvez não tenha história a alegria.

Olhando-nos bem dentro

calávamos os dois. Teus olhos eram

como um rebanho quieto

que acalma o seu temor à sombra

dum álamo... O silêncio pode

mais que o esforço. Entardecia

para sempre no céu.

Não podemos voltar a recordá-lo.

A brisa era no mar cego menino.



Luis Rosales (Granada, 1910-1992) in Rimas.

sábado, 7 de agosto de 2010

Luis Rosales, poeta espanhol



Luis Rosales Camacho nasceu a 31 de Maio de 1910, em Granada, e morreu em 1992. Conservador na sua juventude, evoluiu gradualmente para posições mais liberais e democráticas. É habitual integrá-lo na corrente poética denominada "Geração de 36". O seu livro mais considerado é "La casa encendida", de 1949. Foi Prémio Cervantes 1982. Traduz-se-lhe o poema "Viento en la Carne":

Deus está perto. O trigo
dobra-se como um anjo
anunciador que sente
a benção do ar;
os choupos ardendo
de amor na paisagem,
aves que prosseguem
seu voo penetrante,
a neve fugitiva
do arroio no vale;
pode ser a última vez
que lembro a tua imagem!
Candidamente ilesa
se recompõe a tarde
que o poente dourou,
e no silêncio grave,
um vento sem ruído
mas glorioso e ágil
decora alegremente
os olivais cinzentos
na contraluz de prata
campesina e afável,
e penso que a morte
terá na minha carne
a clara valentia
do vento entre as árvores.