Lo que no se recuerda
Para voltarmos a ser felizes, era
apenas necessário o puro acerto
de lembrar... Procurávamos
no coração essa nossa memória.
Talvez não tenha história a alegria.
Olhando-nos bem dentro
calávamos os dois. Teus olhos eram
como um rebanho quieto
que acalma o seu temor à sombra
dum álamo... O silêncio pode
mais que o esforço. Entardecia
para sempre no céu.
Não podemos voltar a recordá-lo.
A brisa era no mar cego menino.
Luis Rosales (Granada, 1910-1992) in Rimas.