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quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Pinacoteca Pessoal 206

 

O pintor britânico Michael Andrews (1928-1995) sendo embora pouco conhecido na Europa, é bastante considerado no Reino Unido. Profissionalizou-se na Slade School of Fine Art, onde teve como professor Lucian Freud (1922-2011), entre outros. Mais tarde, viria a consolidar os seus conhecimentos em Itália.



Para lá da ilustração de alguns livros (capa de The Penguin Book of Contemporary British Poetry, 1962), foi professor na sua antiga escola. A sua obra tem um pendor paisagístico, mas contempla também grupos sociais.
O último quadro, que aqui se mostra, pertence ao acervo do Museu Thyssen.



segunda-feira, 6 de abril de 2020

Pinacoteca Pessoal 163


Sempre tive a tentação de considerar da mesma família artística os pintores Graham Sutherland (1903-1980), Lucian Freud (1922-2011) e Paula Rego (1935), muito embora entre o nascimento do primeiro e o da última medeiem mais de 30 anos. Ter-se-iam mutuamente influenciado? Não sei responder, com rigor.
Pelo menos, as suas obras têm alguma afinidade estilística, sobretudo a nível de retratos e representação de figuras humanas. Com uma forte e impressiva pincelada que sugere alguma agressividade subjacente.


Dos três, é Sutherland quem se dispersa por mais aspectos artísticos: gravura, vidro, tecido e pintura naturalmente, e em que o retrato tem um papel preponderante. São conhecidos os magníficos retratos do escritor Somerset Maugham (aqui representado por um desenho preparatório) e do crítico de arte Kenneth Clark. De grande qualidade era também o seu trabalho sobre W. Churchill, encomenda de um grupo de personalidades, e que o político - de gosto artístico excessivamente conservador - por não ter gostado, terá consentido que viesse a ser destruído pela Esposa (este facto foi registado em poste do Arpose, a 28/1/2018: Curiosidades 68).


domingo, 28 de janeiro de 2018

Curiosidades 68


Nem sempre nos sentimos bem representados. Seja por delegação burocrática, numa assembleia de condóminos a que não podemos assistir, quer no Parlamento,  pelo partido em que votámos nas últimas eleições. O mesmo acontece, por vezes, quando nos identificam em qualidades ou defeitos,  por palavras, ou simplesmente nos desenham o retrato, de forma pictórica.



Não faço a mínima ideia, se Isabel II gostou do retrato que Lucian Freud (1922-2011) dela fez. Duvido. Mas admito que sua majestade britânica, sempre politicamente correcta na sua banalidade aristocrática, se tenha calado, anglicanamente compungida por se tratar de um pintor de nomeada internacional. Winston Churchill (1874-1965), porém, tinha outra fibra. Em 1954, por iniciativa da House of Commons e da House of Lords foi decidido encomendar um retrato do político a um pintor inglês de mérito.



Ao ser-lhe apresentado o retrato pintado por Graham Sutherland (1903-1980), Churchill teve uma saida airosa, mas irónica: The portrait is a remarkable example of modern art!
A assistência, pela entoação de voz do grande estadista, percebeu o remoque, e riu copiosamente.
A pintura - veio a saber-se depois da morte do célebre casal inglês - foi destruída poucos dias depois de ter sido entregue, na sua residência oficial.



É o que nos conta, de forma sucinta, o vídeo acima, com o testemunho do neto do Estadista inglês.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Pinacoteca Pessoal 127


Dizem-no precursor de Lucian Freud, mas o pintor inglês Stanley Spencer (1891-1959) também não rejeitou inteiramente o legado dos pré-rafaelitas, muito embora tivesse seguido um caminho muito próprio. A evolução da sua obra pode ser avaliado pelos dois auto-retratos (em imagens, aqui) que pintou. O primeiro, de 1914, e o segundo no seu último ano de vida (1959).



Grande parte dos seus quadros privilegia representações do humano colectivo, mas a inspiração bíblica foi também traduzida numa actualização bem sucedida e original, como pode ver-se no tríptico Ressurreição, acabado em 1927, e que eu considero uma das suas obras mais interessantes e exemplares, apesar da reprodução, em imagem, não ser das melhores...



sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Deambulações simplórias sobre o Figurativo e o Abstracto


Dizem que o olhar de um observador, perante uma página ou uma tela, desliza, natural e inconscientemente, para o lado direito do objecto em questão, em detrimento do lado esquerdo da folha ou do quadro.
Um mero amador de pintura, não muito habituado a frequentar museus ou exposições, creio eu que tenderá, em grande parte dos casos, a privilegiar obras figurativas, em prejuízo de pinturas abstractas. Talvez porque aquelas lhe dizem alguma coisa...
A pintura abstracta suscitará, porventura, interrogações a nível racional; a pintura figurativa actuará mais a nivel sensorial ou da emoção, sobretudo, nas grandes massas humanas, que a possam frequentar, ainda que episodicamente. As artes ao serviço dos regimes da U. R. S. S. ou da Revolução Chinesa tinham, na sua função figurativa, um propósito político objectivo. Como a censura nazi, sobre aquilo que denominaram arte degenerada, tinha um fim estratégico. A formatação das sociedades, que hoje tanto é desejada pelo Poder, e aplicada, faz-se, sobretudo, no sentido da criação de clones abúlicos e acríticos, para que deixem de pensar, e se transformem apenas em animais emocionais. O que vai de encontro àquela velha frase das criaturas sensíveis, tantas vezes ouvida: Nem quero pensar!...
Pelo meio destas divagações maniqueístas, há que afirmar que, mesmo nos pintores actuais e/ou mais recentes, a expressão artística nem sempre é totalmente definida. Muitas vezes, há uma hesitação profunda, quando não constante, entre o figurativo e o abstracto.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Pintura e fotografia


Em Iowa, fiz também desenhos do natural, de pessoas, de modelos. Tirei muito poucas fotografias; eram principalmente em polaroide e punha-as em álbuns. Mas eu não tirava conscientemente fotografias com o objectivo de as utilizar na minha pintura. De certo modo, fazia aquilo que faço agora. Uso a fotografia como referência; é difícil pintar a partir de uma fotografia. Se a fotografia não foi tirada por nós, só com a imaginação se pode fazer alguma coisa com ela. Se a tirámos, pelo menos podemos lembrar-nos de que apenas a usamos para avivar a memória, para anotar uma aparência. Acho que é impossível desenhar a partir de fotografias. As fotografias não nos dão suficiente informação. Se se observar qualquer fotografia de um rosto, ela não nos dá nenhuma informação real.

David Hockney, in David Hockney by David Hockney (Nikos Stangos, Londres, 1976).

domingo, 15 de dezembro de 2013

Pintura no feminino


A pintura de Marie Laurencin (1885-1956) ilustra com particular evidência, nas suas obras, uma mão feminina. Como, em Portugal, os quadros de Sarah Afonso e Maria Keil evidenciam o género.
Se Vieira da Silva consegue alguma neutralidade, muitas vezes, até uma certa assexualidade, sobretudo pelos temas, já Paula Rego, se não pela pincelada forte e intensa - que lembra Lucian Freud -, quase parece pintar masculinamente. Apenas o perverso, sugerido, da narrativa dos seus quadros denuncia, em última análise, um universo feminino. Que se descobre ou desnuda, subtilmente.
Voltando a Marie Laurencin, cujo auto-retrato, de 1906, encima este poste, cumpre-me informar que a pequena, mas belíssima aguarela (Mulher de chapéu, com cão), aqui há 16 anos, tinha, num leilão da Christie's, em Londres, uma estimativa de venda entre 10.000 e 15.000 libras.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A rainha


O jornal "Le Monde", de 3/2/12, dedica um extenso artigo a Isabel II, a propósito do 60º aniversário da sua coroação. O periódico refere, entre outras coisas, que a rainha não abdica, nunca, da escolha pessoal, muito criteriosa, dos seus colaboradores mais próximos, quer sejam secretários, consultores ou damas de honor - que são 12. Não quer, por exemplo, homens com barba ou bigode, no seu séquito. (Embora o jornal não refira que as suas escolhas nem sempre foram acertadas. Anthony Blunt (1907-1983), seu consultor para Arte, veio a descobrir-se, em 1979, que trabalhava para o KGB. Mas realmente não usava barba, nem bigode...)
E "Le Monde" termina, muito british, dizendo que Isabel II não reina, de facto, senão sobre os cisnes, as baleias e os esturjões do seu reino. Um inglês, com humor, não diria melhor.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O bonito, o belo e o feio


O bonito gera mais amplos consensos de agrado, em Arte, do que o feio, quando representado. Para, esteticamente, apreciarmos o "feio" é sempre necessário ultrapassarmos alguns obstáculos pessoais, sociais e até, por vezes, de cânone consagrado no Tempo. É muito mais fácil gostar ou aceitar a pintura dos pré-rafaelitas, do que admirar a obra de um Chaim Soutine ou de Francis Bacon. Pelo meio ficarão decerto Munch, Lucian Freud ou Paula Rego, e tantos outros pintores. Comecei pela Pintura, para chegar a outra arte. O poema (traduzido por João Barrento, para a Relógio d'Água) que vou transcrever, foi escrito por Gottfried Benn (1886-1956), escritor alemão que exerceu medicina, civilmente e no exército alemão. É, na minha opinião, um bom poema, embora possa não ser considerado "bonito". Intitula-se "Kleine Aster" (Pequena Sécia). Aqui fica:

Um carroceiro afogado foi içado para cima da mesa.
Alguém lhe tinha enfiado entre os dentes
Uma sécia, de um lilás claro-escuro.
Quando, a partir do peito,
por debaixo da pele,
lhe arranquei a língua e o palato
com uma grande faca,
devo ter-lhe tocado, porque ela escorregou
para o cérebro que estava ao lado.
Meti-lha na caixa torácica,
no meio das aparas de madeira,
quando o cosiam.
Bebe no teu vaso até à saciedade!
Descansa em paz
Pequena sécia!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A morte de um Pintor


Nascido em Berlim a 8 de Dezembro de 1922, Lucian Freud faleceu na passada quarta-feira, 20/7/2011. Neto de Sigmund Freud, de ascendência judaica, a família fugiu para a Grã-Bretanha para escapar ao nazismo, em 1933. O Pintor naturalizou-se inglês, em 1939. Realista obstinado, num tempo em que a abstracção predominava, a pintura de Lucian Freud é reconhecível pelas pinceladas fortes, espessas e carregadas dos seus retratos ( o de Isabel II, causou polémica) e pelo tratamento rude dos seus nus, onde a carne quase assumia um destaque pictórico violento. Para a lenda futura ficará decerto o facto de ter continuado a pintar, já com 88 anos, e até ao dia da sua morte.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Citações XL : Unamuno (e a raínha de Inglaterra)



"Portugal, povo de suicidas", Miguel de Unamuno (1864-1936).

A frase de Unamuno decorre do seu conhecimento, de viagens que fez a Portugal (1907-1909) e de contactos amigos que estabeleceu com Manuel Laranjeira (1877-1912) que se suicidou; mas reporta-se, também, a Antero, Soares dos Reis, Camilo e Mouzinho de Albuquerque. Como poderia tambem incluir Florbela Espanca e outros. Mas estes foram suicídios físicos de portugueses, nessa época.
Agora, assistimos ao "hara-kiri" do nosso PGR que se considera uma "raínha de Inglaterra", pelos seus fracos poderes. Se não tivesse havido, primeiramente, Cunha Rodrigues, cujo mandato me pareceu positivo, e apenas o "gato constipado" (assim crismado por Eduardo Prado Coelho), com a sua gaguez interventiva, sobretudo no processo "Casa Pia", que me pareceu desastrado, eu até aceitaria, se calhar, esta "auto-entronização" de Pinto Monteiro. A que se seguiu o duelo funambulesco entre o Sindicato de Juízes e o PGR. Sejam discretos, meus senhores! Ou, então, andem à pancada, mas dentro de casa...
Até me apetece - plagiando um velho ditado português - rifonar e dizer : Casa onde não há justiça, todos ralham, ninguém se justifica...