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quinta-feira, 12 de abril de 2018

A propósito de uma gravura de Dürer


Acédia, melancolia, spleen, tédio - diferentes palavras para expressar um quase igual sentimento. O rigor da caracterização pode, no entanto, identificar melhor a riqueza do sujeito que a utiliza, pela variante que preferiu. Baudelaire abusou do spleen, Cioran optou por acédia. Albrecht Dürer (1471-1528), talvez mais complexo, criou, em gravura, a imagem que quase todos nós conhecemos, em 1514. E, com simplicidade clássica, deu-lhe o nome de melancolia.



Das gravuras do grande pintor alemão, é talvez a mais difícil de descriptar, pelos inúmeros motivos circundantes que envolvem o anjo melancólico, à direita. Desde os símbolos geométricos, ao relógio, ao sino inesperado, ao vago Sol distante, com arco-íris circundante. O quadrado mágico de 16 números é, porém, o elemento que mais tinta fez correr, porque somados na horizontal ou na vertical, bem como em diagonal, os algarismos somam sempre 34. Na última linha, ao centro, a data de execução da gravura: 1514.



De tal modo famoso este seu trabalho, acabou por inspirar vários artistas vindouros, que, apesar de tudo, não atingiram a perfeição de Dürer. Mas Cranach, o Velho, no quadro homónimo, andou lá  por perto.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Lutero, segundo Cioran


É melhor que eu o reconheça: a própria ideia de combater, pelo que quer que seja, repugna-me e ultrapassa-me. Abandonei definitivamente a idade em que gostava de disputar, de me fazer valer, de me pôr à frente. Além disso, desde há anos, que eu não faço senão abandonar as minhas antigas posições, de me concentrar na renúncia. Quero que me deixem tranquilo.
E entretanto...
Mergulhei em Lutero. E aquilo de que eu gosto nele é a verve, o furor, a invectiva, a acção. Aqui está um homem que eu amo e que, no entanto, está nos antípodas dos meus gostos actuais, que queria provocar, modificar. Ele lembra-me o orgulho demente que eu tinha na juventude e, é por isso, creio, que ele me apaixona. Aliás, nunca deixei de me sentir atraído pelo seu temperamento, a sua saborosa grosseria, o seu profetismo realçado pela escatologia.

E. M. Cioran, in Cahiers / 1957-1972 (pg. 607).

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Pinacoteca Pessoal 50


Separadas, na sua execução artística, por cerca de 30 anos, mas já feitas na primeira metade do séc. XVI, estiveram expostas, lado a lado, no MNAA (24/1 a 28/4/13), duas obras de Lucas Cranach, o Velho (1472-1553), integradas na temática "Obra Convidada", iniciativa recente, e inspirada, do Museu das Janelas Verdes. O quadro mais antigo, "Judite e Holofernes", veio emprestado do Metropolitan Museum of Art, a que se lhe juntou "Salomé e S. João Baptista" do acervo próprio do MNAA.
De comum, o Pintor, e uma cabeça decepada, no primeiro, do general assírio; no segundo quadro, do precursor de Cristo. A expressão de morte é semelhante, o que é diferente são as expressões de Vida. Judite expressa a perversidade (recorrente em Cranach, muitas vezes) adolescente, enquanto Salomé espelha uma fria sedução de maturidade; lábios finos, na primeira, lábios carnudos, na segunda, por exemplo.
Lembrei-me, por associação, de Sandro Botticelli (1445-1510) e do seu quadro dos Uffizi, intitulado "O regresso de Judite", que terá sido pintado, anteriormente, por volta de 1484, no séc. XV, portanto. A expressão é toda outra. Atrevo-me a defini-la como de melancolia. Um adeus à Juventude? O conhecimento da Morte? Há, seja como for, um olhar para trás (como se pode ver na imagem), talvez sereno. Mas quase triste.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Favoritos LXXI : Lucas Cranach, o Velho


Dedicado amigo de Lutero, Lucas Cranach, o Velho (1472-1553), que lhe pintou vários retratos, pôs a sua arte ao serviço das novas ideias religiosas e, por isso, a sua obra reparte-se entre os temas laicos e os da nova fé. É também um retratista notável da alta burguesia alemã, a que também pertencia.
Esta "Vénus Negra" (provavelmente assim intitulada pelo escuro do fundo) terá sido pintada em 1532 e integra o acervo do Museu do Hermitage. Escapou à vaga de vendas, um pouco indiscriminada, que os governos bolcheviques, para restaurar as suas debilitadas finanças, fizeram para o Ocidente. Como por exemplo a "Diana" de Houdon, adquirida por Catarina, a Grande, e vendida, discretamente, a Calouste Gulbenkian, em 1930. Que, hoje, integra o Museu Gulbenkian, de Lisboa.
Pouco conhecida, a obra em imagem, de Cranach, tem, para mim, a qualidade de uma obra-prima.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Pinacoteca Pessoal 45 : Hans Baldung


Caberia o quadro melhor na Quarta-feira de Cinzas, mas também não será obrigatório, aqui no Blogue, falar-se no Carnaval, sobretudo nos tempos que correm.
A Morte com a sua clépsidra, na mão, encerra as três idades do homem, que Hans Baldung (1484-1545), gráfico e pintor alemão, personificou através do recém-nascido (Infância), da jovem semi-nua (Juventude) e da idosa mulher (Velhice), a que a prudente coruja, na paisagem despida, assinala o destino.
O quadro terá sido pintado no ano de 1539. Baldung foi aluno de Dürer, mas o tratamentos dos corpos lembra, também, o traço de Lucas Cranach, o Velho. A obra integra o acervo do Museu do Prado, em Madrid.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Pinacoteca Pessoal 8 : Lucas Cranach, o Velho


É um dos pintores renascentistas alemães preferidos por mim. Nascido por volta de 1470 (1472?), Lucas Sonder ou Lucas Cranach, o Velho, veio a falecer em 1553. Pertencia a uma família de pintores e o seu filho veio, também, a seguir a mesma carreira. Lucas Cranach passou grande parte da sua vida em Wittenberg sobre o Elba, mas o seu apelido (Cranach) terá vindo provavelmente, por deturpação, do local de nascimento: Kronach. Foi pintor oficial da corte do Eleitor da Saxónia, e amigo de Lutero, de quem fez vários retratos.

A sua pintura alguma coisa deve a Dürer e Grünewald. Mas o traço das suas mulheres jovens, esguias e elegantes, é inconfundível. A pele evanescente, os olhos amendoados, os rostos cuja expressão espelha malícia, se não perversidade, ou determinação, são a sua marca de água mais evidente.

Talvez a "Salomé" das Janelas Verdes (MNAA), seja o quadro que prefiro, de Lucas Cranach, mas já consta do arquivo do Arpose (19/7/2010). Por isso optei por esta "Vénus e Cupido" que se guarda num Museu de Berlim.

para H. N., pela atenta Amizade, e com gratidão.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Adagiário XXI : Mulheres


1. Mulher do velho reluz como espelho.
2. A mulher do cego para quem se enfeita?
3. A mulher e o cão de caça, procurai-os pela raça.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Favoritos XXX : Lucas Cranach "O Velho"


Lucas Sonder (1472-1553) ou Lucas Cranach "O Velho" é sobretudo conhecido pelos seus nus femininos onde a pele evanescente e os olhos amendoados de jovens mulheres marcam o seu traço e autoria.
Da pintura estrangeira do Museu Nacional de Arte Antiga, às Janelas Verdes, "Salomé" é o meu quadro preferido.