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sexta-feira, 2 de março de 2012

A insustentável leveza dos seres


É sazonal e cíclico, mas certo e constante. Mal começam as aulas, e com particular incidência na altura e época dos testes escolares ou das ilustremente chamadas "áreas-projecto-escola", começam a intensificar-se as visitas ao poste sobre Gomes Freire d'Andrade, onde se fala, de raspão, da peça de teatro "Felizmente há luar", de Luís Sttau Monteiro. É época, também, de numerosas visitas aos postes de Vergílio Ferreira, neste Blogue. Em vez de lerem as obras, os infantes vasculham na net. E, quando observo isto, dão-me uns ataques de nostalgia.
Mas há pior, ou imagino que o seja. Há dias, da mais prestigiada Universidade portuguesa, nos rankings internacionais, veio um(a) visitante consultar por largos minutos, no Blogue, um poste de cromos sobre a História de Portugal, colecção distribuída, nos anos 50, pela Agência Portuguesa de Revistas, e que teve grande êxito no final da infância e início da adolescência da minha geração. Não é para me gabar, mas quando entrei na Universidade, já levava lida a História de Portugal, de Alexandre Herculano, e bons excertos da, dita, Edição de Barcelos. Espero que essa visita, para sossego da minha alma, não tenha vindo do Departamento de História da tal Universidade, mas fosse de um modesto Segurança de serviço para se entreter, e que tinha um computador à mão. Mas também creio que já faltou mais para que alguns blogues, que andam no espaço, comecem a entrar, nas bibliografias universitárias, substituíndo livros e obras de referência. Como dizia Milan Kundera é "A Insustentável Leveza do Ser"...
Por outro lado, gostei imenso dumas "search words" que por aqui apareceram. Diziam assim, sem ponto de interrogação: "vespa morde ou ferra". Se eu tivesse podido entrar em diálogo com a visita, ter-lhe ia dito que a vespa deve ferrar, porque tem ferrão.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Incursões Culinárias 9

As voltas que os livros dão ...


Do post de MR sobre as frigideiras de Braga e, nomeadamente, a gentileza de colocar, em comentário, a receita de Maria Odete Valente, saltei para uma colecção de livros de receitas. De Maria Odete Valente tenho os tomos 1,2 e 4 da Cozinha Regional Portuguesa, com introdução de Luís de Sttau Monteiro, na edição do Círculo de Leitores, 1987.
No entanto, sobre os três volumes referidos, queria contar uma história sobre as voltas que os livros dão.
Recebi-os, como presente de Natal, há uns anos, em Colónia. A minha amiga RJ, coleccionadora de livros de cozinha e assídua frequentadora de variadíssimas feiras da ladra, encontrou, numa das suas incursões, os livros de Maria Odete Valente. Como também é seu costume, vai guardando, ao longo do ano e num minúsculo mas organizadíssimo escritório na cave, os objectos comprados, nessas feiras, e que ela julga irem ao encontro dos desejos de seus amigos.
Assim, no dito escritório, vão-se acumulando presentes de Natal, de Janeiro a Dezembro. Escusado será de dizer que é expressamente proibida a entrada "a estranhos" nessa gruta de Ali-Babá.
E foi assim que os três volumes de Maria Odete Valente deram uma volta completa pela Europa. Tendo, certamente, partido de Portugal, pousaram e serviram, durante algum tempo, algures na Renânia (?) até regressarem, de novo, à pátria. 
Belo passeio e feliz re-encontro.

Post de HMJ
Para MR