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quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Uma louvável iniciativa 64

 


O jornal Público tem vindo a editar, quinzenalmente, uns originais livrinhos com temas literários portuenses, abordando assuntos diversos. O mais recente (3) foi dedicado aos cafés literários da cidade Invicta. Só anotei uma falta: a do Café Aviz (referido apenas de passagem), que costumava abrigar jovens universitários. Mas não faltava o Café Ceuta, onde almocei algumas vezes uns bons bifes à Ceuta, nem o celebrado Café Majestic, na rua de Santa Catarina, onde entrei pela primeira vez, em meados dos anos 60, na companhia de Eugénio de Andrade, que para lá me encaminhou.
O preço módico dos voluminhos e a sua impressão singular convida-nos a fazer a sua colecção.
Com curadoria e organização de Luís Gomes, alfarrabista residente em Óbidos, o próximo volume (4), a sair na Terça-feira (24/10), tem como título e tema O Porto dos Poetas.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Migrações


Há fenómenos que me ultrapassam e tenho enorme dificuldade em percebê-los. Mas comecemos pelo princípio, enquadrando os factos, tal como os conheço.
Sempre conheci Coimbra desprovida de alfarrabistas. Mais precisamente, havia apenas uma pequeníssima loja de livros usados, na Alta, numa ruela que ia dar ao C. A. D. C. Sempre me perguntei, nesse início dos anos 60, se o potencial universitário de leitores não justificaria a existência de mais livreiros-alfarrabistas. Pelos vistos, não, fazendo jus ao provérbio: Em casa de ferreiro, espeto de pau.
Bastantes anos mais tarde, em Coimbra, se inaugurou a Livraria Miguel de Carvalho que, alguns anos depois (Março de 2018), talvez pela malfadada lei Cristas das rendas, se transferiu para a Figueira da Foz. Fiquei perplexo: então a balnear Figueira tem mais potenciais clientes do que a Coimbra universitária? Pareceu-me um contra-senso.
A entrada em vigor da lei Cristas, em Lisboa, provocou um autêntico pogrom nos alfarrabistas. Quase uma dezena de casas de livros usados desapareceu, duas ou três mudaram de sítio, várias outras estão ameaçadas, ainda hoje. Uma das que mudou de lugar foi a Livraria Artes e Letras, de Luís Gomes, que saiu da zona do Chiado para as Avenidas Novas.
E agora, para mim inexplicavelmente, ruma de Lisboa para Óbidos. Óbidos?!
Só posso desejar a Luís Gomes, e apesar de tudo, os melhores sucessos comerciais, nesta sua nova migração.

sábado, 13 de abril de 2019

Bibliofilia 173


Em abono da verdade, devo começar por dizer que, tirando Verlaine e até ao século XX, eu nunca fui grande entusiasta da poesia francesa. Mas o século passado já me trouxe, pelo menos, dois grandes poetas franceses: Saint-John Perse e René Char, de minha frequência estimada, ainda hoje.
Quanto à história, a narração é simples, embora tenha contornos misteriosos que eu nunca descobri.
Aí pelos anos 90, sempre que eu ia à Livraria Artes e Letras (Largo Trindade Coelho, agora, nas Avenidas Novas, Lisboa), namorava e folheava, com particular atenção um volumoso lote de números da revista Po&sie, publicação prestigiada que começara a editar-se em 1977, pela mão do poeta e tradutor Michel Deguy (1930), e que era dedicada a estudos e continha poemas de escritores franceses e estrangeiros, alguns deles traduzidos (Paul Celan, Umberto Saba, Sylvia Plath...). Mas Luís Gomes precificara os exemplares muito caros para o meu gosto: 10 euros os números simples, 15, cada um dos duplos.
Ora, inesperadamente, a Livraria mudou de dono, durante cerca de um ano, passando para a direcção de Carlos Bobone, também ele livreiro-alfarrabista. Que procedeu a rearrumações e à marcação de novos preços dos livros usados, alguns muito abaixo dos antes praticados. E foi assim que eu acabei por limpar a prateleira das revistas Po&sie e, em duas abadas felizes, trouxe de lá 18 números (entre o nº 50 e o 98), ao preço de 3 euros, cada um. E que fazem parte, agora, da minha biblioteca.
Resta acrescentar que, meses depois, a Livraria Artes e Letras voltou a pertencer ao seu anterior proprietário - e aqui é que reside o mistério. No interim, no entanto, eu tinha aproveitado os saldos...


sábado, 19 de janeiro de 2019

"Atirar-se à piscina sem saber nadar" ou, sobre a poesia de H. H.



Tendo começado a sua actividade profissional na desaparecida Livraria Biblarte (creio), Luís Gomes (Livraria Artes & Letras) é um Livreiro-alfarrabista que reúne, como poucos dos seus confrades, um saber de experiência feito com um apurado sentido crítico literário. A sensibilidade poética não lhe é alheia, nem um vasto conhecimento sobre o livro antigo.
Dedicou-se, sobretudo, às vanguardas literárias portuguesas e à literatura moderna. Por isso, o que aqui nos diz sobre Herberto Helder (1930-2015), tem a garantia sólida do conhecimento real.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Bibliofilia 129


Há quem caracterize os seus versos como maviosos, mas também já o dão, na segunda metade do século XIX, como poeta esquecido. Inocêncio (Vol. III, pg. 25) refere: "Como poeta lyrico pertenceu á eschola francesa; os seus versos são em geral sonoros e bem fabricados, e de certo lhe não faltava naturalidade. ..."
Notícias mais actualizadas ( João Daun e Noronha, 1930) registam o nascimento de Francisco de Paula Medina e Vasconcellos, na Ilha da Madeira, a 21 de Novembro de 1768, e o seu óbito na Ilha de Santiago (Cabo Verde), para onde fora degredado, em 16 de Julho de 1824. Por duas vezes foi preso, mas não se sabem as razões. Frequentou a Universidade de Coimbra e exerceu a profissão de notário no Funchal. Aí foi preso, tendo mulher e filhos a seu sustento. Ao longo da sua vida publicou vários livros em verso, sendo Zargueida (1806), poema épico sobre o descobrimento da Ilha da Madeira, a sua obra mais conhecida.
O meu exemplar, encadernado em carneira e a precisar de restauro, encontra-se em estado razoável. Comprei-o a Tarcísio Trindade (1931-2011), na rua do Alecrim, por volta de 1995, por Esc. 8.500$00, porque é obra rara. Cinco anos antes, em Abril de 1990, a Livraria Artes e Letras tinha vendido um exemplar semelhante, mas em pior estado, por Esc. 4.000$00. José Manuel Rodrigues (Livraria Antiquária do Calhariz), no seu leilão nº 68 (lote 528), tinha outro exemplar que foi arrematado por 90,00 euros, em Outubro de 2006. Finalmente, o alfarrabista Luís Gomes, em leilão da Veritas, a realizar no próximo dia 16 de Dezembro de 2015, insere mais outro exemplar (lote 213), também da edição de 1806, com uma estimativa de venda entre 300,00 e 500,00 euros. Como se vê, pela evolução dos preços, a cotação de Zargueida, de Medina e Vasconcellos, mantém-se em preços altos...


Em tempo:
o catálogo da Livraria Castro e Silva tinha, em Setembro de 2021, um exemplar à venda por 900 euros.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Próximo leilão de livros


Mais um leilão de livros, promovido por José Vicente, no Palácio da Independência, a realizar nos dias 24, 25 e 26 de Junho. Destaque especial para um exemplar único, porque impresso em pergaminho, da edição primeira de "Os Simples", de Guerra Junqueiro.
Tempo para lembrar que José Vicente, da Livraria Olisipo, bem como Luís Gomes, proprietário da Livraria Artes e Letras, ambas do Largo Trindade Coelho (Lisboa), encerrarão as portas dos seus estabelecimentos, em meados do próximo mês de Agosto, definitivamente. Devido às disposições da iníqua lei das Rendas promovida e promulgada pela jovial e ligeira Ministra Cristas.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Soma e segue


Depois do annus horribilis de 2012, em que fecharam as portas a Livraria Portugal, a Biblarte, a Camões e a Barateira (as três últimas alfarrabistas), 2013 ameaça agora a Livraria Olisipo e a Artes e Letras, ambas situadas no Largo Trindade Coelho. O pretexto é a nova Lei das Rendas que permitiu ao senhorio, ao abrigo do alibi de "fazer obras", iniciar um processo de despejo sumário que obrigará os dois livreiros-alfarrabistas (José Vicente e Luís Gomes) a abandonarem o local, onde exercem o seu mester, o primeiro, há mais de 30 anos, o segundo, há cerca de 20. Assim se despovoa, de pontos de interesse cultural, o coração de Lisboa, da forma mais ignóbil e perversa. Graças ao favor da inútil ministra Cristas.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Leilão em Novembro


Organizado por Luís Gomes (Livraria Artes e Letras) e José Vicente (Livraria Olisipo), mais um Leilão de Livros, e não só, que terá lugar em Lisboa, Largo de S. Domingos, 11, nos dias 22, 23 e 24 de Novembro, às 21 hrs. A exposição e consulta dos lotes poderá ser feita a 21, 22, 23 e 24 /11, no mesmo local, entre as 15 e as 20 horas.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Leilão de Outono


Creio ser o primeiro leilão de Luís Gomes (Livraria Artes & Letras), alfarrabista simpático do Largo Trindade Coelho, 3 e 4, em Lisboa. O leilão será em 11, 12 e 13/10, às 21hrs.. Os lotes poderão ser vistos nos dias 10, 11, 12 e 13 de Outubro, das 15 às 20 horas. Tudo no Largo de São Domingos, 11 (Lx.).