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terça-feira, 15 de março de 2011

Para LB, com parabéns, Cioran e Matisse


Para além de Matisse e os melhores votos pelo seu Aniversário, quis trazer-lhe um Autor do nosso gosto comum. Mas o Luís sabe como é difícil encontrar, em Cioran, algo de optimista. Há umas palavras dele, quase neutras (?), sobre Valéry ( nos "Exercices d'Admiration"), que vou tentar traduzir, o melhor que posso. Aí vão, com os meus parabéns, na passagem do seu dia.

"...O homem, tal como ele (Valéry) o concebe, não vale senão pela sua capacidade de não-consentimento, pelo grau de lucidez que tenha atingido. Esta exigência de lucidez faz supor um grau d'éveil que inclui toda a experiência espiritual, e que será determinada pela resposta que se dará à interrogação crucial: «Até onde foste na percepção da irrealidade?»".

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Trocando de Rosas : Marceline Desbordes-Valmore


As Rosas de Saadi


Por esta manhã bem quis trazer-te rosas;
Mas recolhi tantas no avental fechado
Que os laços apertados não puderam contê-las.

Os nós desataram-se. As rosas levadas
Pelo vento, até ao mar todas voaram.
Seguiram pelas águas p'ra não mais voltar;

A onda ficou rubra e toda ela abrasada.
Ainda agora, o vestido rescende perfumado...
Aspira em mim o seu odor lembrado.

Marceline Desbordes-Valmore (1768-1859), Poésies inédites, in "1oo Poèmes incontournables".


Nota: conheci esta autora, por intermédio de Luís Barata ( a quem, de algum modo, esta tradução é dedicada) e do livro oferecido, que foi antologiado por Patrick Poivre d'Arvor. O poema encontra-se na pg. 60 e a autora, francesa, é reconhecida pelo tom nostálgico dos seus temas líricos.

domingo, 12 de dezembro de 2010

E como não há 2 sem 3: para LB, com estima

E em letra mais visível, e agradecimentos pela sugestão, Luís Barata. Um bom domingo!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Para LB, no seu Prosimetron, e por se recusar à dança


Dos "Elementos da Civilidade,..."(1788), que tenho vindo a citar (vide Civilidade), respigo este pequeno excerto, com estima, para Luís Barata, a propósito dum comentário "cunhalista" que fez à Miss Tolstoi.
"...Quando vos convidarem para dançar, deveis ir ao lugar, onde se principia a dança, fazer as cortezias, e não sabendo dançar, desculpar-vos-heis, com o pouco uso, que tendes feito da dança, ou dizendo que ha pouco tempo, que principiaste a aprender, ou que não tendes tido occasião de tomar mestre: deste modo acabadas as cortezias, ireis guiar a Senhora ao seu assento, e logo fareis cortezia a outra Senhora, para a convidar a vir fazer as cortezias comvosco, por não desfazer a ordem do baile. ..."

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A vitória "moral" : PT 1 - Telefónica 0



Não foi Aljubarrota. Foi uma espécie de batalha de Toro em que D. Afonso V fugiu, mas D. João II, ainda príncipe, se manteve, ocupando o campo de batalha no final da refrega - em teoria, era o que fazia o vencedor, nos tempos de antanho. De forma simplificada: o Estado Português usou a "golden share" para inviabilizar a compra da "Vivo" pela "Telefonica", na Assembleia Geral da PT, hoje realizada. Para já, portanto, a "Vivo" brasileira continua a pertencer, em 50%, à PT. Mas, por outro lado, é preciso dizer que 76% dos accionistas eram a favor da venda da "Vivo" à "Telefonica". Os nacionalistas vendem-se barato, hoje em dia. Babam-se por euros...
O tempo é, muitas vezes, a verdade. É ponto assente, hoje, que a batalha de Toro foi ganha pelos castelhanos. Se não fosse a nossa derrota, ontem, no Mundial de Futebol, será que o Estado Português teria usado, hoje, a "golden share"?
Veremos, como diz o cego...

P. S. : para Luís Barata, no seu Prosimetron, que, como eu, gosta de História; e, ao contrário(?) de mim, parece gostar de futebol. Mas também porque usou, há uns dias, a palavra "antanho" de que eu gosto muito.
Nota importante: muita atenção ao comunicado que o BES fará, ainda hoje.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Trocar de Rosa : W. B. Yeats



Quantos terão amado os teus gestos gráceis,
Tua beleza com amor falso e sincero,
Mas apenas um soube amar a alma errante,
E as tristezas que transformam o teu rosto.

William Butler Yeats (1865-1939).



P.S.: este poste tem dois credores: Eugénio de Andrade pelo título, e Luís Barata que, no Prosimetron, lembrou esta quadra de Yeats. Só a tradução é minha.