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quarta-feira, 17 de abril de 2024

Mercearias Finas 199

 

A predominância da cor branca na foto, se exceptuarmos o vermelho do pimento e do tomate no arroz, mais o dourado do Alvarinho Soalheiro 2022, no interior da garrafa de vinho, poderia indiciar uma refeição neutra ou sensaborona. Puro engano, que o linguado estava fresquíssimo, o arroz bem apaladado e o vinho de Monção, de 12,5º, estava muito bom, embora pudesse esperar mais uns 3 anos, sem se diminuir em qualidade. E, finalmente, a couve-flor não desmereceu.
Foi assim o nosso almoço do passado Domingo, para aqui o recordar e registar, com gosto.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Má língua, linguadinhos e panachê


No velho Animatógrafo, logo após o Arco de Bandeira, aglomerava-se uma dúzia de turistas ansiosos, à porta, para ver o peep show seguinte... Já não chovia, e como estávamos por ali e eram horas de almoço, optámos pela Merendinha do Arco, que tinha Dobrada e Linguadinhos com Arroz de Feijão malandrinho, entre outros pratos do dia. O restaurante, embora tenha boa cozinha e serviço, é exíguo de espaço e as mesas são contíguas e apertadas entre si. Não há discrição possível para as conversas da mesa ao lado...
As tias alfacinhas, que nos calharam como vizinhas, deviam ser monárquicas, porque a despesa da conversa se processou, exclusivamente, por entre Jorge VI e a rainha Sofia. Do monarca inglês, serviu de pretexto o ainda recente filme "O Discurso do Rei", quanto à monarca emérita espanhola foram exploradas, até à exaustão, as tensões com a nora Letizia. Desfilando, por acréscimo, os comportamentos de Juan Carlos e de Filipe VI, referidos na Caras e Nova Gente, que as sexagenárias alfacinhas referiam e acompanhavam, piedosa e solidariamente. Ao sairmos, tinham começado a falar do padre Tolentino.
Foram as duas senhoritas nos Linguadinhos, uma acompanhou com o arroz malandrinho, a outra preferiu açorda. Mas ambas beberam o típico e lisboeta panachê*.
Nós escolhemos um duriense Fraga da Galhofa, tinto, com um rótulo horrível, mas lotado com a nobre Tinto Cão e a estimável Bastardo. Para além da Touriga Nacional, Tinta Roriz e Barroca, num lote que resultava  bem.


* para quem não saiba, o panachê é uma mistura de cerveja com gasosa.

P. S.: e fiquei-me a pensar donde provirá este "panachê"... Será do francês "panache"? Não creio...

sábado, 11 de agosto de 2012

Mercearias Finas 57 : a perseguição dos linguados


A D. Helena e o Sr. Ribeiro fecham hoje à noite o restaurante, e vão de férias até ao fim do mês. Mas despedimo-nos principescamente, ao almoço, com uns lombinhos de coentrada com ameijoas pretas, que estavam óptimos e muito bem apaladados. Para "desmanchar a regra" fomos num Borba branco, já de 2011 (Antão Vaz, Arinto e Roupeiro), despretencioso, mas de feição.
Cedo ainda, no Mercado do Monte, ficaram-me os olhos nos linguados fresquíssimos e ainda com babugem, da banca da D. Leonor. Mas estavam a 28,50 euros, que diabo!... E, embora o pregado estivesse por metade, eram os linguados que eu queria e cobiçava.
Depois, no modesto restaurante da velha Almada, havia mais 2 belos linguados na montra frigorífica, com os olhos postos em mim. E eu, neles. Mas há que perdoar-me eu recusá-los, por questões pragmáticas. Eu explico: tinha acordado muito cedo e o corpo estava precisado de conduto mais substancial que, como diz o  povo - "peixe não puxa carroça." Assim vieram os lombinhos de coentrada. E não nos arrependemos.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Ainda Julio Camba : em louvor do linguado



Já aqui falamos de Julio Camba, autor galego de "La Casa de Lúculo o el Arte de Comer (Nueva Fisiología del Gusto)", de 1929. Transcrevemos, traduzindo, uma parte do capítulo que ele dedicou a um dos seus peixes predilectos - o linguado.
"O amor apaixonado pela sardinha, cuja miséria reconheço, bem como a sua grandeza, não bastaria, nem com acrescentos, para me fazer menosprezar o linguado. O linguado é, porventura, o melhor de todos os peixes do mar, mas!, desconfiai das imitações. Não sou eu que compartilhe a opinião de um amigo meu, que sustenta que, na Corunha, há umas máquinas, tipo prensa, com as quais se convertem em linguados todos os peixes. Não. A falsificação faz-se mesmo no fundo do mar, longe dos olhares humanos e é a propria natureza quem os transforma. Devido ao enorme êxito obtido pelo saboroso acantoperígio, uma quantidade de peixes insignificantes adoptaram a forma extra-plana, e quando o pescador lança a sua rede para pescar linguados, não é estranho que os peixes-galos, as solhas, os "rapantes(?)", etc., se metam fraudulentemente nela a ver se passam como clandestinos. Quem não tem imitadores neste mundo, irmão linguado?
O linguado presta-se a preparações esquisitas. Em qualquer livro de cozinha encontrará V., amigo leitor, as receitas do linguado Marguery, do linguado Joinville, do linguado Mornay, etc.; mas, por razões que exponho noutro sítio, não aconselho que experimente alguma delas. Nada disso. Cozinhe antes o seu linguado, um bom linguado de um quilo, cem gramas a mais ou a menos, mas não demasiado menos. Os linguados deste tamanho são os que chegam a Madrid com a carne no seu devido ponto de firmeza. Polvilhe-o com um pouco de farinha - suponho naturalmente que o seu linguado esteja limpo - e frite-o em azeite: bom azeite e muito azeite..."

P. S.: para MR (e JAD), que provavelmente, em breve, provarão um "primo"...