No velho Animatógrafo, logo após o Arco de Bandeira, aglomerava-se uma dúzia de turistas ansiosos, à porta, para ver o peep show seguinte... Já não chovia, e como estávamos por ali e eram horas de almoço, optámos pela Merendinha do Arco, que tinha Dobrada e Linguadinhos com Arroz de Feijão malandrinho, entre outros pratos do dia. O restaurante, embora tenha boa cozinha e serviço, é exíguo de espaço e as mesas são contíguas e apertadas entre si. Não há discrição possível para as conversas da mesa ao lado...
As tias alfacinhas, que nos calharam como vizinhas, deviam ser monárquicas, porque a despesa da conversa se processou, exclusivamente, por entre Jorge VI e a rainha Sofia. Do monarca inglês, serviu de pretexto o ainda recente filme "O Discurso do Rei", quanto à monarca emérita espanhola foram exploradas, até à exaustão, as tensões com a nora Letizia. Desfilando, por acréscimo, os comportamentos de Juan Carlos e de Filipe VI, referidos na Caras e Nova Gente, que as sexagenárias alfacinhas referiam e acompanhavam, piedosa e solidariamente. Ao sairmos, tinham começado a falar do padre Tolentino.
Foram as duas senhoritas nos Linguadinhos, uma acompanhou com o arroz malandrinho, a outra preferiu açorda. Mas ambas beberam o típico e lisboeta panachê*.
Nós escolhemos um duriense Fraga da Galhofa, tinto, com um rótulo horrível, mas lotado com a nobre Tinto Cão e a estimável Bastardo. Para além da Touriga Nacional, Tinta Roriz e Barroca, num lote que resultava bem.
* para quem não saiba, o panachê é uma mistura de cerveja com gasosa.
P. S.: e fiquei-me a pensar donde provirá este "panachê"... Será do francês "panache"? Não creio...