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terça-feira, 11 de abril de 2017

Mais um poema traduzido de Liliane Wouters (1930-2016)


Morrer não é senão mudar de aspecto,
libertarmo-nos deste casulo de carne e ossos,
como abandonámos o saco das águas.
Apesar de ficarmos mais nus do que à nascença,
porque até o nosso corpo pecará por defeito.


Liliane Wouters, in Le Livre du Soupir (2009).

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Liliane Wouters (Bélgica, 1930-2016)



Para viver, há que plantar uma árvore,
ter um filho, construir uma casa.

Eu unicamente olhei a água
que corre dizendo-nos que tudo flui.

Somente procurei o fogo que arde
e nos vai dizendo que tudo se apaga.

Apenas persegui o vento que foge
e nos vai dizendo que tudo se perde.

E acabei por nada semear na terra
que aguarda e murmura: cá vos espero.