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sábado, 25 de abril de 2026

52 Anos



Um ano mais de Liberdade e de Democracia.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Osmose 147

 
Há o estado de espírito e o estado físico, que nem sempre coincidem, embora se influenciem mutuamente. E, depois, há uma espécie de piloto automático, em lugar desconhecido, que nos controla na sombra e de que nós nem sequer sabemos quais são os seus objectivos concretos e a que se destinam.
É por isso que eu, quando ouço falar em liberdade humana, me dá vontade de sorrir.

sexta-feira, 14 de junho de 2024

Divagações 194



Com o tempo, a sensação do desarrumo começa a parecer mais frequente, quer nas coisas que nos rodeiam, quer na associação das reflexões que nos ocorrem. Para além de mais coisas que fomos juntando, há talvez uma liberdade na velhice que quase parece confundir-se com a anarquia, no seu melhor sentido.
Mas também é verdade que há algumas palavras de outros desaparecidos que, uma vez pronunciadas, nos hão-de acompanhar arrumadas para sempre, na memória dos dias. Mantendo o seu lugar parcialmente imperecível enquanto formos vivos e lúcidos.

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Toponímia e proporção


 
Se, de uma forma geral, nas grandes metrópoles, a toponímia é escolhida com especial atenção e importância, pela província, muitas vezes, há um excesso de regionalismo de vizinhança que desequilibra o valor das evocações e a memória dos que são homenageados pelas autarquias.
As instituições e os ideais estão normalmente salvaguardados, como em Lisboa a República e a Liberdade, cada uma com a sua digna e longa avenida, mas também o lado poético, como na Travessa da Água de Flor, ao Bairro Alto, às vezes, é lembrado, ainda que de forma simples.
Ora, na região outrabandista, sempre que eu passo próximo da rua Jaime Cortesão, sinto um aperto de alma. Essa rua, pequena, terá 2 ou 3 casas, bermas descuidadas, suja, mais parece um beco. Próxima, extensa e povoada, asseada se situa a rua Petrónio Amor de Barros (espanhol?). E, como se não bastasse, logo se segue a arejada praceta homónima da mesma personagem.
O grande historiador nacional é que fica a perder, e muito, com esta "glória" regional (?), na toponímia...

domingo, 26 de março de 2023

Liberdade, segundo Camus



Eu não aprendi a liberdade com Marx... Aprendi-a na miséria.

Albert Camus (1913-1960) 

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Citações CDXXXI



O policiamento da linguagem é uma diminuição da nossa liberdade.

J. Pacheco Pereira (1949), in Grande Entrevista (RTP, 13/4/22).


Nota pessoal: aconselho a audição integral (na RTP) desta entrevista que tem, como pano de fundo, a censura em Portugal, feita a propósito da exposição temática actualmente na ex-sede do DN.

terça-feira, 29 de março de 2022

Citações CDLXXIX



Rara é a felicidade dos tempos em que é permitido pensar o que quisermos e dizer aquilo que pensamos.

Tácito (55-120), in Histórias.

domingo, 4 de abril de 2021

Quatro sublinhados de leitura, para reflexão alheia

Devo-o ao meu pai, porque, como escrevi em Depois de Babel, ele soube adivinhar que uma língua que se aprende é uma nova liberdade, uma língua nova, um cosmos e um mundo por si só, enfim, uma probabilidade de sobrevivência inestimável. (pg. 26)

Se não soubermos quem era Hipnos, se não tivermos a decência de pegar num bom dicionário de mitologia para o descobrirmos, nada nos será acessível de René Char, do seu papel, da sua luta pela vida e pela liberdade. (pg. 119)

A arte abstracta, a de Paul Klee, de Kandinsky, ilustra a queda da matéria no silêncio com o qual tem laços indissolúveis. Em terceiro lugar, diria que a temática do ruído, na cultura e na educação modernas me apaixona. A intrusão do ruído, a impossibilidade de encontrarmos espaços consagrados ao silêncio, tanto na nossa existência privada, como na vida pública ou na educação reservada às crianças, parece-me ser a poluição mais grave com que a cultura moderna se confronta. (pg. 138/9)

O universalismo não é portador de qualquer valor de tolerância ou de acolhimento. Traz consigo o seu próprio dogma. O supermercado não quer produtos locais, enlata uma cultura capitalista de exportação que o mundo inteiro terá de sofrer. (pg. 177)


George Steiner (1929-2020), in Quatro Entrevistas... (VS Editor, 2020).


quinta-feira, 25 de abril de 2019

45 de 25


Há, na nossa vida, pessoas que nos ficaram ligadas, para sempre, a determinadas datas.
A 25/4 eu costumava ligar a um amigo, que já não anda por cá, infelizmente. Outro amigo, pontual, telefonava-me nessa data. Ultimamente, já nem sempre o faz.
Que se poderá dizer de novo, ainda? Embora se não tenha esgotado a alegria que essa data suscita.
Restam talvez os historiadores para darem vida ao passado, de forma realista, autêntica, para o futuro. E a nós, que o vivemos, o boca a boca juvenil desfasado, talvez da melhor coisa que nos aconteceu na vida... 

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Apontamento 100: Recordar é preciso !


Já há algum tempo penso que a centúria dos meus apontamentos devia tratar de assuntos sérios, daqueles que continuam a “pairar” no meu espírito, experiências várias, humilhações recentes, que perturbaram o meu espírito sem justificação ou licença, vindas de gentinha “sem qualidade”.

Utilizo a expressão - sem qualidade - com aspas, porque acho a tradução portuguesa de parte do título do romance de Musil errada, limitando o universo narrativo da personagem central. Tratava-se, a meu ver e antes de mais, de Um Homem Incaracterístico, como muitos daqueles que nos têm passado pela frente política, do universo dos “pafunços”, sobrevivendo, apenas, da mesa do orçamento.

Essas figuras, chamadas públicas, fizeram-me lembrar processos antigos de olhar para o “povinho” com ar de desdém, arrogando-se no direito de “dar lições” no sentido mais amplo.

Ontem, ao (re)ler o conto de Miguel Torga “A Identificação” – do Livro Pedras Lavradas – reparei na seguinte expressão: “Está bem, vou. Mas quero saber primeiro o motivo desta violência. O motivo a seu tempo o saberá.” E conclui a personagem, a ser tirada de um comboio, “é sempre desagradável caminhar entre dois guardas.”


Ou seja, no passado, tal como também já relatei, - Arpose, 18.3.2014 - não se sabia o motivo da humilhação à partida, ficava no esconso do arbítrio do “chefe”. Recentemente, os “pafunços coelhos” humilharam aqueles que menos força tinham, os velhinhos que já estavam a “comer” do orçamento há demasiado tempo.


O “pessimismo antropológico” antigo, objecto do universo narrativo de M. Torga, quando comparado com as humilhações recentes, representa, obviamente, uma diferença de grau na Humanidade. Aqueles poderiam permanecer por um período longuíssimo a dominar, enquanto estes poderão ser substituídos, através do voto de pessoa com memória, história e sentido cívico.

Não pretendia responder à pergunta sacramental: “onde estava no 25 de Abril ? “, mas sucede que o conto de M. Torga fez avivar muita memória de um tempo de ditadura – porventura amena para alguns – mas profundamente desigual, provinciano e caseiro, para além de limitadora da realização pessoal de que, actualmente, muita gentinha abusa, porque nunca conheceu a "apagada e vil tristeza".

As imagens acima ajudaram a avivar a lembrança de uma História que muitos "pafunços" comentam, mas desconhecem profundamente.

Post de HMJ.

sábado, 24 de janeiro de 2015

De René Char (1907-1988)


131.
Em todas as refeições tomadas em comum, nós convidámos a liberdade para se sentar. O lugar permanece vazio, mas os talheres continuam postos.

René Char, in Fureur et Mystère (Feuillets d'Hypnos).

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Divagações 79


O poder interrompe-se, ou acaba, quando o símbolo humano desse poder é atingido por uma mera bofetada, um tiro ou até mesmo por uma (outra) aproximação física que desafia a formalidade protocolar. O espaço e a distância são imprescindíveis ao exercício do poder.
O silêncio imposto - quando não escolhido e aceite - pode bem ser uma forma de pressão, mas também de opressão que pode fazer tirocínio até atingir a tirania ou a ditadura. Porque a palavra sempre foi e há-de ser uma forma de liberdade. Exercê-la é um direito, mesmo que possa parecer um desafio.
Dar uma ordem pressupõe a sua exequibilidade e o seu cumprimento, e, por isso, obriga a que seja ponderada antes, maduramente. A haver dúvidas, no seu acatamento, não deve ser dada, porque a desobediência é, no fundo, o melhor espelho da fragilidade do poder - basta a tal bofetada...

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Nelson Mandela (1918-2013)


Vão sendo cada vez mais escassos os símbolos vivos da luta pela Liberdade e pelos seus semelhantes.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Em diagonal


É sabido que Nelson Mandela (1918) se encontra entre a vida e a morte e até um jornal inglês, para escândalo de muitos, titulou na primeira página: que o deixassem descansar. Parece-me justo - foi uma vida cumprida, pelas melhores razões e pelos mais humanos e nobres princípios.
Mas antes que o ciberespaço se encha de carpideiras e orações fúnebres, quando a sua morte acontecer, queria chamar a atenção para um aspecto lateral que não deixa de ser importante, para mim.
Há muita gente que confunde, em democracia, tolerância com fraqueza, liberdade com abuso, direito à diferença com o exercício de dislates, insultos e baixezas. Nem a ética nem a democracia se compadecem com isso, muito menos com a violência, seja ela verbal ou física. Na síntese de uma mudança tem sempre que existir um diálogo limpo e leal, e um consenso.
A África do Sul teve, em simultâneo, a sorte do encontro de dois homens justos, tolerantes e democráticos, na sua encruzilhada de Futuro. Por isso, ao falar de Mandela, não posso esquecer Frederik de Klerk (1936). Foi deste respeito mútuo que morreu o Apartheid e a nação Sul-Africana ganhou direito à sua razão de ser.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Filatelia LXIV : Raul Rego, BNP e Liberdade


No panorama algo desolador, pelas circunstâncias, de acontecimentos culturais de relevo promovidos por instituições públicas, a agenda da BNP (Biblioteca Nacional de Portugal) é uma honrosa excepção, revelando um dinamismo digno de louvor e admiração. É certo que lhe anda associada imaginação, apoios desinteressados ou mecenáticos, e muito trabalho de quem lá exerce o seu labor quotidiano.
Hoje, foi a vez de uma exposição para celebrar o centenário de Raúl Rêgo (1913-2002), bibliófilo distinto, jornalista e combatente pela Liberdade. Mostra que incluía algumas obras da sua vasta e importante biblioteca. Em boa hora, os CTT de Portugal se associaram, muito justamente, à efeméride, emitindo um selo alusivo e proporcionando um carimbo de 1º dia, aposto na BNP.
O acontecimento contou com a presença sempre simpática de Mário Soares, que lembrou alguns episódios das suas lutas comuns pela causa da Liberdade, em Portugal. E de João Alves Dias que ilustrou, com afecto e sapiência, a figura exemplar de Raul Rêgo nos seus amplos aspectos de humanista.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Democracia, política e liberdade


Dadas as pequenas diferenças, por vezes, entre partidos políticos que são contíguos, penso que, cada vez mais, se vota em função dos elencos que são propostos à eleição e, menos, pelas siglas partidárias. Uma figura ou um nome podem fazer a diferença, consoante o seu grau de credibilidade pública ou a confiança que, nessa pessoa, possamos ter. Daí também a aposta, maior ou menor, que os partidos políticos fazem em personalidades independentes e, por vezes, em nomes prestigiados fora do espectro partidário. Mas a vida desses independentes, nos grupos ou aparelhos políticos, nem sempre é fácil. Como escreve, hoje no "Público", Rui Tavares: "...Primeiro, o independente faz falta. Depois, o independente começa a não dar jeito. E, finalmente, abre-se a caça ao independente."
São óbvios e bons exemplos recentes, o caso de Teixeira dos Santos, independente integrado no governo PS, que foi vergonhosamente marginalizado, nos últimos tempos de governação, pelo Partido; e o próprio Rui Tavares que se viu obrigado, por questões de coerência e honra, a desvincular-se do BE, muito embora se mantenha no Parlamento Europeu, "duplamente" independente - justificadamente, aliás.
Do ponto de vista dos partidos políticos, a independência de um "compagnon de route" parece ser, ainda e só, um rótulo meramente formal para dar colorido ao cinzentismo habitual. No fundo, esperam que o independente alinhe sempre no pensamento único e na disciplina cega, e gregária. Pensar por si é crime, e não se recomenda.

Obsv.: a imagem foi colocada apenas em 23/6/11.