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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Curiosidades 117

 

Ultimamente, nunca na minha vida vi tanto colchão deitado ao lixo, na rua, muitas vezes impedindo o acesso aos contentores ou vidrões, como foi o caso de hoje. Estão normalmente encardidos ou nojentos, mas não sei se não será das imensas promoções que fazem nos canais televisivos, que os mudam nas casas...
Mas este "designer", de Milão, encontrou-lhes um préstimo insólito a 4 (ou 5), usando-os numa instalação de uma mostra italiana. Mas também não me parecem limpos, antes pelo contrário.

terça-feira, 26 de setembro de 2023

O monstro



Veneza já condicionou estes paquidermes flutuantes, a França proibiu as trotinetes e talvez tenha restringido os foleiros tuque-tuques, mas Lisboa, como é liberal e mãos rotas, além de usar de grande delicadeza democrática, tudo permite. As abarracadas feiras (medievais?) transitam da avenida da Liberdade para o jardim do Príncipe Real, deste para o Cais do Sodré e daqui para S. Pedro de Alcântara, repetindo tudo, em seguida, continuamente. Moedas, entretanto, entretém-se pueril, com a revolução de trânsito na avenida da Liberdade e adjacências. Trotinetes, tuque-tuques, lixo vão-se desarrumando por Lisboa, e os paquetes paquidermes continuam chegando e poluindo a capital, impunemente. Deste caos enorme, Moedas, o tolo de aldeia, colhe uns cobres de pobrete pateta...
Haja saúde!

terça-feira, 22 de agosto de 2023

Sinal dos tempos



Em vez do cristalino e singular cantar de galo, temos agora o rouco e antipático crocitar de múltiplas gaivotas, em volta dos contentores do lixo, para nos acordar de manhã.
Longe vai o tempo de Alexandre O'Neill (1924-1986) em que, poeticamente, uma dessas aves, hoje horrorosas, lhe "trazia o céu de Lisboa..."

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Insólitos em miscelânea (11)



Custa a crer, mas foi como se fora um milagre: o jornal Público de hoje não dedica nem sequer uma coluna aos régios funerais ingleses - nada mesmo! Entretanto, laico que se arroga, consagra a imagem da capa e quatro abundantes páginas à morte do realizador suiço-francês Jean-Luc Godard (1930-2022). É obra!



Diz-me I. de A. M., e por ser ela a dizer eu acredito, que encontrou, a norte, junto ao contentor do papel, dois sacos de lixo com mais de duas dezenas de volumes da Enciclopédia Luso-Brasileira, abandonados à sua sorte, talvez para serem cremados ou guilhotinados. I. só não os recolheu porque tem a obra completa de 23 tomos.

Assim vai a leitura e cultura portuguesas...

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Desabafo (69)


Andam por aí umas rémoras, que nem chico-espertos serão, a aproveitar os blogues dos outros para fazer publicidade aos seus. Os seus comentários são indigentes e repetitivos, mas há quem não repare, talvez por ser distraído ou, não tendo memória, lhes vá respondendo, cerimoniosamente. Os blogues dessas criaturas martelam rimas a fingir de versos... Não tenho pachorra nem caridade para os aturar: apago-os logo que dou por eles. Há que tentar manter um mínimo de dignidade, no meio de tanto lixo produzido na net.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Miscelânea cinéfila de Ano Novo


O nevoeiro de Amarcord (1973), de Federico Fellini, filme que vi ontem, fragmentariamente, antecipou-se em premonição curiosa à neblina de hoje, real. A mesma nebulosidade e mau tempo que aparecem no final de Casablanca (1942), na altura da partida do avião para Lisboa, que também passou na TV. Nos filmes, porém, tudo parecia arrumado nos seus lugares. E limpo.
Não era o caso da javardice que vi, esta manhã, em volta dos contentores do lixo, quando saí  para comprar o jornal. Tive mesmo que contornar os equipamentos, para poder meter embalagens, garrafas e papéis pela abertura dos contentores. Pelo chão, móveis partidos a monte, um grande espelho quebrado, chinelos rotos, e até 2 pneus ao deus dará...
O sentido de limpeza parece ter desaparecido desta gentinha composta de Brutti, sporchi e cattivi (1976) que parece cada vez mais alastrar pelas nossas sociedades ocidentais... Também Ettore Scola se foi antecipando, retratando em filme a javardice e as porcas maneiras, em todo o sentido por este mundo fora.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Descartáveis


Pela manhã - e ainda por pouco, fresca -, imprevistamente, junto aos contentores de lixo devassados pelo casal dos sem-abrigo, que cedo os costumam triar, estava um pequeno ursinho vermelho, de peluche (não, não é o da imagem, mas era semelhante), desamparado, ao abandono. E porque me lembrou o meu Tinzinho dos pés rombos, acastanhado, tive ainda a tentação de lhe pegar e levantar do chão, para o colocar em posição mais digna, mas desisti da ideia e lá segui  o meu caminho, para ir comprar o jornal.
Na esplanada do café, na mesa do canto, lá estava a ex-professora de cabelo crespo, desgrenhada, que, como sempre perorava para outras duas, mais jovens e no activo, que tomavam o seu café matinal antes de pegarem ao serviço, na Escola próxima. A veterana e aposentada professora sempre me pareceu passada... E, ao contactar as mais novas, julgo que procura a ilusão de dar conselhos, de forma atabalhoada, para se sentir ainda activa e útil. Penso que os anos, que passou em Timor, lhe fizeram mal e foram fatais...
Serão duas formas de solidão matinal. O ursinho imprestável, orfão e descartado pela criança que cresceu de forma ingrata; e a professora que procura integrar um diálogo profissional desajustado, com as mais novas, que quase sempre sorriem para ela, de forma compassiva.
Quando regressei a casa, o ursinho vermelho de peluche ainda lá estava, abandonado. E quase tive pena dele, no seu desemprego de afectos... 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Apontamento 91: Cidades e Ambiente



Quando pensamos em diversos assuntos que nos apoquentam, tanto do ponto de vista dos princípios como nas suas implicações, frequentemente negativas, na vivência quotidiana, vale a pena não recusar a opção anterior de um determinado modelo de cidade. Em cima, uma praça no centro de Colónia, dedicada a Friederich Ebert, que se transformou, como se vê abaixo, num amontoado de pedra.



Recentemente, a praça do Toural, em Guimarães, sofreu uma remodelação semelhante. Tiraram o velho jardim, tão característico, embora datado, das cidades portuguesas, para implantar um “descampado” de pedra.

Servem os dois exemplos para não nos desviarmos do essencial. O mal de “ensaiar” a “Cidade do Futuro”, com arranjos duvidosos, não é nacional. Como não é o desvio de tempo e dinheiro nas obras públicas, como demonstra a “obra de Stª Engrácia” do novo aeroporto de Berlim.

No meio, sobra-nos sempre o dia-a-dia, em que o “arranjo” ao acaso, sem atender a questões elementares de um bom ambiente cívico – e civilizado – nos estraga a luz e a vista da cidade.

Comecei o dia bem, passeando por um bairro junto do Palácio dos Coruchéus e o jardim do Campo Grande.


 Acabei, e mal, na Baixa, com aquele enxame de turistas de chinelo, a olhar parvamente para umas foleirices – visuais e sonoras – sem que haja entidade que fiscalize e oriente a ocupação do espaço público por semelhante menoridade.

O mesmo sucede com a instalação de uma cadeia de “fast food”, conspurcando não só com publicidade as escadas do Metro como também as ruas com o lixo espalhado pelo chão.



E tal como os meninos, mal ensinados nas pretensas aulas de Ambiente, continuam a deitar todo o lixo no chão, o Mc Donald’s do Chiado não tem caixote do lixo dentro da loja e alega que a Câmara Municipal de Lisboa não permite colocar recipientes à saída.


Bastava recuar um bocado para recuperar a noção de educação cívica e civilizada para tornar o dia-a-dia mais agradável.

Post de HMJ, para maria franco, numa partilha de preocupação cívica e ambiental

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sinal dos tempos


Ontem, quando fui despejar o lixo nos contentores, havia um homem de meia-idade com uma espécie de bengala-arpão a varejar os resíduos, repescando alguns. Dantes, eram os emigrantes do Leste a fazê-lo, à noite, nos contentores das grandes superfícies. Hoje, já são os nacionais, e fazem-no às claras, em quase todos os sítios.