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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Relações de proximidade


Dependendo muito dos interesses de cada ser humano, há correntes de afinidade, consideração e até mesmo afecto, que se estabelecem, duradouras e fortes, entre fregueses e fornecedores. Modistas e alfaiates, merceeiros e peixeiras de mercado, simples empregados de quiosques ou de cafés, carteiros e médicos, para citar apenas algumas profissões, podem gozar da estima dos seus clientes e despertar, neles, uma especial simpatia. Creio que a honestidade e a competência no exercício da sua própria actividade são factores imprescindíveis, pelo menos para mim, para que essa relação de cúmplice proximidade se possa vir a estabelecer. Ou a solidão cultural dos espaços que habitam, esses fregueses, a isso obrigue ou justifique...
Ginha, Guedes, Almarjão, Tarcísio, Beckmeier são nomes saudosos, do meu passado, bem como alguns outros apelidos de que nunca soube ou nem sequer decorei o nome. De livreiros e livreiros-alfarrabistas que me trazem saudades. Não sou promíscuo com facilidade, muito menos me exponho, aos primeiros contactos. Conservo, de início, uma prudente distância, porque recuar depois, é sempre mais difícil e, hoje em dia, o profissionalismo é raro, no comércio livreiro. Mas surpreendo-me, muitas vezes, com a proximidade extrovertida e a familiaridade devota e pia, com que alguns fregueses convivem com os seus fornecedores de livros. Falta de prática, conhecimento e experiência, talvez.
Exclusivo demais (quem sabe?, pela bitola actual), no meu universo, destaco apenas dois nomes: Bernardo e Rosa. Que respeito e estimo, como livreiros. O resto, é apenas a vulgaridade do costume, e de negócio...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Da Janela do Aposento 25: Livros, Livreiros e Editores


O assunto em epígrafe tem sido matéria de muitas conversas com amigos, olhando não só para o panorama nacional como em comparações com o Centro da Europa, nomeadamente a Alemanha. Quanto aos últimos, torna-se difícil, ao leitor, acompanhar as "concentrações do capital", que actua na penumbra, dificultando uma visão clara sobre a passagem de algumas editoras, nossas referências no passado, para mãos duvidosas. O livro, como produto genuíno, pouco lhes interessa, o que se vem notando pelo miserável grafismo das capas, os misérrimos títulos e conteúdos publicados, vendidos a peso em "templos de papel". Por cá, nas FNAC's, Bertrand's e quejandos e lá, sobretudo em Colónia, nas Thalia's, Meyersche, etc.
Livreiros são outra espécie em extinção. Cá, resta-nos um livreira "outrabandista", com o devido respeito, porque ela mantém a sua Livraria Escriba como antigamente. Uma verdadeira gruta de Ali-babá, num espaço pequeno. Em Colónia resiste um, Senhor do Livro, que dá pelo nome de Klaus Bittner.


Recentemente, voltei a entrar na sua livraria, apreciando as novidades e o bom gosto dos livros à venda, captando as sapientes apreciações do livreiro no aconselhamento aos clientes que o solicitem. Também foi lá que comprei o último livro de Cees Nooteboom, Cartas a Poseidon [em tradução portuguesa].


O livro de Nooteboom, feito de observações e reflexões a partir e sobre um quotidiano pessoal, resulta um pouco desigual no apelo à leitura dos seus apontamentos breves. O que surpreende é a sua ligação ao universo mitológico da antiga Grécia, como o título sugere, demonstrando a sólida formação clássica do autor.  


E o que continuo a apreciar é o gosto estético dos livros da editora Suhrkamp, receando pelo seu futuro com negócios nebulosos e desavenças dos seus accionistas e herdeiros.

Post de HMJ