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quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Decadência

 
Houve um tempo, no passado, em que várias instituições ou editoras eram uma garantia de qualidade de tudo aquilo que produziam ou publicavam. A Portugália, Sá da Costa, Assírio & Alvim, por exemplo, eram nomes de prestígio no universo editorial português. Os conselhos de leitura dessas empresas, o rigor da crítica e a exigência dos leitores a isso obrigavam também, evitando os equívocos e desmandos de hoje.
Custa-me por isso a perceber que a última das editoras referidas tenha publicado uma pretensa biografia de Alexandre O´Neill (registada num poste recente do Arpose) tão mal enjorcada e desarrumada.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Livrinhos 29

 


Nos tempos áureos da sua nobre actividade, a Livraria Sá da Costa, particularmente na sua colecção de Clássicos, produzia, para além da edição normal, uma outra numerada e restrita de maior tamanho, especial em melhor papel e, por isso, mais cara. E ainda uma outra, em tudo semelhante à impressão original, mas em miniatura, e de pequeníssima tiragem.


Estes dois volumes que tenho, das Obras Completas de Sá de Miranda, possuem encadernação do editor , em pele, e, se não fossem os sinais assassinos dos bibliófagos sobre as capas, estariam perfeitos; mas o miolo está impecável. A impressão é de 1944.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Nova exposição de Pedro Chorão


Inaugura amanhã, 14 de Novembro de 2019, às 18h30, na Galeria da Livraria Sá da Costa, ao Chiado, uma exposição colectiva do pintor Pedro Chorão (1945).

quinta-feira, 22 de maio de 2014

De uma fala de Bieito da écloga Basto, de Sá de Miranda


Come de toda a vianda,
não andes nestes entejos;
não sejas tam vindo à banda,
tem-te às voltas co's desejos:
anda por onde o carro anda.
Vês como os mundos são feitos:
somos muitos, tu só és;
por isso, em todos seus geitos,
um esquerdo antre direitos
parece que anda ao revés.

Dia de maio choveu:
a quantos a água alcançou
o miolo revolveu;
houve um só que se salvou,
que ao coberto se acolheu.
Dera vista às semeadas,
as que tinha mais vezinhas;
viu armar as trovoadas,
acolhe-se às bem vedadas
das suas baixas casinhas.

Ao outro dia um lhe dava
paparotes no nariz,
vinha outro que o escornava;
aí também era o juiz,
que se de riso finava.
Bradava ele: - Homens, estai!
iam-lhe co dedo ao olho.
Disse então: - E assi che vai?
Não creo logo em meu pai,
se me desta água não molho.

Apaixonado qual vinha,
achou num charco que farte;
o conselho havido o tinha:
molhou-se de toda a parte,
tomou-a como mèzinha.
Quantos viram lá correram:
um que salta, outro que trota,
quantas graças i fizeram!
Logo todos se entenderam:
ei-los vão numa chacota.


Nota: o excerto segue a versão de Rodrigues Lapa (Sá da Costa, 1942).

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Editar os Clássicos


Muito recentemente, tive conhecimento da patriótica e louvável iniciativa da Real Academia Española de começar a editar os clássicos nacionais. Desde La Celestina, Cantar de Mio Cid, ao Milagros de Nuestra Señora, de Berceo, as principais obras-primas castelhanas irão ter reedições. Respeito, divulgação aprofundada e amor à língua, terão sido os motivos principais da Academia. Cada geração de espanhóis - julgo poder afirmá-lo, sem exagero - teve oportunidade de ter, no seu tempo, à mão e ler os seus maiores. Ao contrário de Portugal, infelizmente. Quantos dos nossos clássicos estarão acessíveis (não esgotados e a preços módicos) ao público leitor, hoje?
Tirando a colecção de Clássicos Sá da Costa (parcial e limitada), iniciada nos anos 40, a estratégia (embora um pouco desordenada e muito incompleta) semelhante da Imprensa Nacional, nos anos 80, durante o consulado de Graça Moura, desde o séc. XX que não há um plano de divulgação alargado, com a publicação das nossas obras e autores maiores. Visão estreita de quem tinha a obrigação de a apoiar e incentivar, até por uma questão de saudável patriotismo. O declínio dos estudos dos Clássicos e leituras, no Ensino oficial, são o sintoma mais evidente deste desamor e desleixo nacionais que grassa e se vai prolongando, sempre.

domingo, 8 de maio de 2011

Leituras Antigas XXXII : Clássicos para crianças


Leitores de hoje foram-no, ontem, na maior parte dos casos, também (ainda crianças ou adolescentes), leitores destas adaptações de grandes obras clássicas, publicadas pela Livraria Sá da Costa. As novelizações ou adaptações em prosa foram feitas por António Sérgio, Aquilino Ribeiro, João de Barros e Marques Braga. As capas e ilustrações nas páginas interiores pertenciam a Alberto de Sousa, Emérico Nunes, Martins Barata, J. Pedro Barata, e eram muito sugestivas. Os livros começaram a ser publicados nos anos 40 do século passado, mas ainda hoje são reeditados pela Sá da Costa, onde se podem comprar. Eram um óptimo veículo intermédio para uma criança, quando já adulto, vir a interessar-se e aceder aos textos clássicos originais.