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segunda-feira, 11 de julho de 2022

Bibliofilia 199



A mata, a batalha, o convento e o palace seriam motivos mais do que suficientes para que o Buçaco merecesse um interesse monográfico. O meu primeiro contacto com a zona terá sido numa visita escolar, por volta dos 14 ou 15 anos, de que me restam testemunhos fotográficos pitorescos.
Há pouco saiu dos prelos da FFMS um Ama o Precipício (Maio de 2022) sobre o tema que, embora forneça muita informação sobre o assunto, me parece mal arrumado...



Prefiro-lhe, de longe, o clássico Guia Histórico do Viajante no Bussaco, de Augusto Mendes Simões de Castro (1845-1932), cuja segunda edição (1883) me custou, há uns bons anos, uns módicos Esc. 120$00. Acresce que o meu exemplar está valorizado com uma dedicatória do autor para o conhecido bibliófilo Fernando Palha. Vi, recentemente, anunciada uma obra semelhante ao preço de 60 euros, na Livraria Alfarrabista.



Se porém quisermos uma monografia mais pragmática e sucinta sobre o tema, para uma visita capaz, eu aconselharia, do mesmo publicista, arquitecto e arqueólogo, o Elucidário do Viajante no Bussaco (Coimbra, 1921), que a Livraria Manuel Ferreira (Porto) tinha à venda, encadernado, por 30 euros.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Bibliofilia 180


Integrando a copiosa literatura temática sobre a legitimidade de D. Miguel (1802-1866), em detrimento de D. Pedro IV (1798-1834), à coroa portuguesa, estas duas edições da Impressão Régia saíram com apenas o intervalo de um ano (1828 e 1829) e, creio, não costumam aparecer juntas. Muito embora um dos anteriores proprietários as tenha mandado encadernar em conjunto, modesta mas capazmente, em jeito de miscelânia, talvez por os assuntos se relacionarem. Se D. Miguel I. Obra... (1828) está íntegra e inclui a gravura original, como acima se pode ver, já ao Exame da Constituição de D. Pedro. ...(1829) falta a imagem de D. Miguel que integrava a edição primitiva. Os dois livros custaram-me, no mês passado, 25 euros, após um desconto considerável...
O estado dos volumes (142 e 168 páginas, respectivamente) é razoável, embora estejam com manchas de água, sobretudo o primeiro livro.


O primeiro dos livros tem prefácio de José Agostinho de Macedo (1761-1831), ferrenho miguelista. A obra terá sido traduzida do francês, por João de São Boaventura, mas a sua autoria é incerta, umas vezes atribuída ao Conde de Bordigné, outras, a António Ribeiro Saraiva (1800-1890), lugar-tenente de D. Miguel, que morreu exilado em Inglaterra. O segundo livro foi escrito, ou traduzido (?), por José Pinto Cardoso de Beja e Figueiredo, natural da vila de Gouveia, e bacharel em Leis.
Separadamente, encontrei os dois livros à venda, em alfarrabistas e pela net, a preços que oscilavam entre os 35 e os 80 euros, cada um deles.
Por uma questão de curiosidade, posso referir que a segunda obra teria tido uma tiragem de 5.200 exemplares, segundo informação da Livraria Manuel Ferreira (Porto).