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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Últimas aquisições (65)

 

Recentemente, chegaram-me do Porto (Livraria Lumière) as duas obras, em imagem. Dum rápido folhear, ficou-me a impressão duma futura agradável leitura do voluminho (56 páginas) de Afonso do Paço (1895-1968), pelo menos. Pena é que, da Guerra Colonial portuguesa, na 2ª metade do século XX, não haja também um trabalho sério sobre a mesma temática.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

De um livro rejeitado de E. de. A.

 

Em geminação com a Livraria Lumière, que se lembrou do aniversário de Eugénio de Andrade (1923-2005), hoje, aqui deixo um pequeno e singelo poema do terceiro livro (Pureza, 1945) do Poeta, menos conhecido, pois não mais foi reeditado.

Madrigal

Coisinha frágil...:
Teu corpo perdeu-se
no meu coração.

Queres encontrá-lo?
- Tenho-o fechado
na minha mão.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Últimas aquisições (62)



Acabados de chegat do Porto (Livraria Lumière), estes dois livros de temas políticos, que prometem, terão de esperar a sua vez, pelos que se encontram a meio da leitura. E que não são poucos...

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Osmose 144



Foi um homem das arábias, este Frei António das Chagas (1631-1682), cujo nome original era António da Fonseca Soares, nascido na Vidigueira e fundador do convento de Varatojo. Soldado implacável, por alguns anos, no Brasil, por aí foi conhecido como Capitão Bonina. Quem dele, falou com propriedade de investigação literária, foi Mª. de Lourdes Belchior. Nunca foi meu poeta predilecto pelo abuso de barroquismo dos seus versos, mas acabo de sinalizar a compra das suas Cartas Espirituais ( 2ª. edição, de 1701) na Livraria Lumière (Porto).
Não tendo sido barata a aquisição, interessava-me estudar-lhe melhor a obra, para lá do volume da Sá da Costa que tenho na minha bibiblioteca. A ver vamos...



sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Últimas aquisições (53)

 

Recém chegados do Porto, estes dois livros que se fizeram acompanhar, graciosamente, de um marcador alusivo à sua origem. Tenho as melhores expectativas quanto à sua leitura próxima futura.



quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Regionalismos poveiros I



Há oito ou nove lugares no Mundo que me atravessaram a vida e que eu conservo afectuosamente na memória. Dos portugueses, a Póvoa de Varzim, onde passei muitos agostos da existência, em férias, é um deles, que me traz recordações felizes. E, por isso, alguma bibliografia tenho nas estantes da minha biblioteca sobre essa cidade que era apenas vila quando por lá andei, na infância e adolescência.
Recentemente, e através da Livraria Lumière, adquiri uma obra, de feição regionalista, com crónicas de José de Azevedo (1935), intitulada Poveirinhos pela graça de Deus (2007), nomeada assim por um diálogo que se travou entre poveiros e o rei D. Luís, no alto mar, e da resposta que os pescadores deram ao monarca português, quando este lhes perguntou a origem.
O livro lê-se muito bem e contém um glossário poveiro usado pelos naturais com muitos regionalismos locais a que vou dar guarida seleccionada no Arpose, neste e nalguns postes seguintes, a exemplo do que já fiz com outras regiões portuguesas, referindo os significados. Comecemos então pela letra A do alfabeto:

1. Acadimar - sossegar, tranquilizar.
2. À caria - à sorte, sem método algum.
3. Albaiozes - calças de ganga com alças, tipo fato-macaco, que os pescadores usavam nas traineiras.
4. À mata fisga - à falsa fé, pela calada; sem que ninguém conte.
5. Andar c'o peixe à proa - andar grávida.
6. Andaroina - viver à custa dos outros.
7. Ardida - mulher extravagante; sedutora, provocante.
8. À rola - barco solto ao sabor das ondas, sem governo.
9. Assefecada - assustada.
10. Assejar - esperar, ao largo, o melhor momento para entrar no porto.

quinta-feira, 31 de março de 2022

Dizeres



A imagem acima não dará conta, nem sugere o tema deste poste. Mas foi neste terceiro volume da História da Vida Privada em Portugal (A Época Contemporânea), obra sólida e competente que adquiri através da Livraria Lumière (Porto), há tempos, que descobri dois ditos populares a que achei imensa graça e que vou citar. O primeiro tem por objectivo assegurar que o pão venha a ter bom sucesso final, depois da massa feita e depois de ir para o forno. Após desenhar três cruzes sobre o produto, a padeira dizia:

"São Mamede te levede, São Vicente te acrescente, São Romão te faça bom pão e os anjos te comerão."

O segundo exorcismo era o contraponto que respondia ao pedido de benção de uma criança, a que o adulto (pais, padrinhos...), que abençoava, dizia depois:

"Nosso Senhor te abençoe e te faça um santinho e te leve para o Céu quando fores velhinho."

(Estes dizeres vêm no livro da imagem acima, a páginas 300 e 301, respectivamente.)

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Da leitura 43

 


De há uns tempos a esta parte, em relação a leituras de livros policiais, como tenho muitos e para não me perder, no final de os ler, na primeira página em branco escrevo, a lápis, a data em que terminei a sua leitura. Acabei hoje, entretanto, o II tomo de Bloc-notes (dos 5 que adquiri, em boa hora, através da Livraria Lumière, do Porto), de François Mauriac (1885-1970), volume que tinha principiado a ler a 19/3/21, conforme apontamento. Foram 49 dias (fiz também pequenas leituras paralelas) para 546 páginas (índice onomástico incluído), o que me pareceu um bom ritmo. E que se deve também à qualidade da escrita do romancista francês, que aborda sobretudo assuntos políticos (De Gaulle e a guerra da Argélia, principalmente), literários, pessoais e culturais. Irei iniciar, em breve, o tomo III (imagem de capa, acima). Antes de o fazer, vou transcrever uma passagem, muito singular (e desta vez vai no original...), da página 463, em que Mauriac divaga sobre a idade. Assim:

"La vieillesse? La cinquantaine, que vous avez atteinte, marque le moment où on l'aborde, il est vrai, et où peut-être on en souffre le plus. Voici le temps de ne plus être aimé et d'aimer encore. A partir de là, il faudra beaucoup marcher avant de pénétrer dans la région glacée où il n'y a plus rien à attendre de personne, plus rien même à donner. Quel désert! Oui, un désert, si pressé que nous soyons d'amis et de parents. Qui est aimé à cette age, ce qui s'appelle aimé? Et pourtant ce qui ne meurt pas, quand on en a été possedé au sortir de l'enfance, c'est précisément ce qui embrase cette admirable préface de Sartre: une tendresse avide, une tendresse irritée mais toujours jeune et vivante, et qui a échappé au temps, et qui (je le crois de tout mon esprit et de tout mon coeur) lui survivra."

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Últimas aquisições (23)


Desta vez, os livros usados não vieram das Portas de Santo Antão, da Calçada do Carmo ou da rua da Misericórdia, nem mesmo das mesas ou estantes da rua do Alecrim, nº44, em Lisboa, que eu costumo frequentar com mais assídua e longinqua fidelidade bibliófila. A clausura sanitária não permitiria a minha escolha local física e sempre agradável. Mediadas por um carteiro afável, as quatro obras de Luis Sepúlveda provieram da rua Formosa (Porto), e da Livraria Lumière, mais concretamente. E chegaram hoje.


quarta-feira, 8 de março de 2017

Bibliofilia 151


As revistas, ditas literárias, têm normalmente curta duração e periodicidade irregular. A falta, quase sempre constante, de um suporte financeiro estável, contribui para a sua vida errática e desaparição rápida. No século XX, os títulos que ultrapassaram a dezena de números, publicados, podem contar-se pelos dedos. Mas, talvez por isso mesmo, as colecções completas destas publicações acabam por ser raras e difíceis de encontrar à venda, em leilões e alfarrabistas.
A Contravento, que se intitulava de Letras e Artes, publicou-se de 1968 a 1971, em Lisboa, custava Esc. 20$00, o número avulso, e tinha como director Fernando Pinto Ribeiro. Contava com colaboração diversificada, que ia de Vitorino Nemésio a Jorge de Sena, passando por Herberto Helder e David Mourão-Ferreira. Como director gráfico: Artur Bual. Saíram 4 números desta revista, que a Livraria Lumière (Porto), no seu último Boletim Bibliográfico (Lote 49), tem à venda por 120 euros.
Da minha biblioteca reproduzo, em imagem, as capas dos números 1 e 2 da Contravento.