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sábado, 22 de abril de 2017

Bibliofilia 152


Não sendo de primeira água, a obra de cariz naturalista e parnasiano de António de Macedo Papança (1852-1913), primeiro conde de Monsaraz, é, no entanto, muito estimável e agradável de ler, na sua simplicidade lírica, virada quase sempre para o mundo rural. Alentejano de gema, nascido em Reguengos de Monsaraz, foi Par do Reino, e pessoa grada da cultura portuguesa finissecular. Carteou-se e foi grande amigo de Cesário Verde e Bulhão Pato, por exemplo.



Em 1954, pouco após o centenário do seu nascimento, creio que por iniciativa do poeta Mário Beirão (1890-1965), foi editado, pela Livraria Ferin (Lisboa), um grande volume (26 x 19,5 cm.), com a obra poética completa do conde de Monsaraz. O livro, ilustrado com desenhos de Alberto de Souza, tem um grande apuro gráfico e estético, bem como textos em prosa de António Sardinha e Hipólito Raposo. Dá gosto folheá-lo e lê-lo.



A obra, cuja edição especial foi subscrita por algumas centenas de admiradores, permite ao leitor uma abordagem ampla da poesia de António de Macedo Papança e tirar algumas conclusões sobre o merecimento do poeta, hoje, infelizmente, bastante esquecido. Talvez por isso é que o livro me custou apenas 12 euros, usado, num alfarrabista de Lisboa, alguns meses atrás.



Porventura excessivamente regionalista e campestre, mas muito cantabile, um dos poemas (O Senhor Morgado) do livro foi inspiradamente musicado por José Niza e lindamente cantado por Adriano Correia de Oliveira (ver Arpose, 20/4/2016), com grande sucesso, nos anos 70. Não se esgotando aí a fina ironia pitoresca dos versos do Conde de Monsaraz. Por exemplo, ela é notória no surpreendente final da Salada Primitiva, que aqui deixamos para leitura...






para H. N., que se lembrou, e me lembrou este último poema de António de Macedo Papança.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Inventário sucinto, à chegada


Dos trinta e três outrabandistas, passei aos 31º capitais - foi só atravessar o rio. Na Ferin, a prosápia continua, embora "humildecida" pela crise, mas a eficácia e presteza não melhorou. Mas há muita genealogia iluminada, que terá os seus fanáticos sonhadores fiéis, e clientes certos. O passado vende sempre, ou quase. Não auguro (pena minha!...) grande futuro às centenas de livros franceses das estantes, ainda para mais com a FNAC, ali à beira. Como dizem, em linguagem informática, era avisado haver um "redireccionamento" pragmático e realista. Mas quem sou eu, para dar conselhos numa Livraria mais que centenária? E cheia de pergaminhos...
No coração de Lisboa, meia hora depois, compro a ração de tabaco e o " Obs." de hoje, ao som dos bonifrates que a PT paga ao Metropolitano, na estação Baixa-Chiado, para animar a malta. Se não há dinheiro para consertar as escadas rolantes, como poderia haver para pôr os saltimbancos no túnel, a "teatralizar" aos gritos e a dar porrada um no outro, enquanto duas crianças pasmadas olhavam para os bonecos ? Sejamos justos, papas e bolos... Quanto ao conserto das escadas, népia! Assim seja.
Na rua, e depois de sair do Multibanco, vejo, ao longe, H. N.. Acenei-lhe, e comecei de novo a sentir-me em casa.