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segunda-feira, 1 de junho de 2020

Últimas aquisições (24)


Volto a insistir nos garantidos: W. G. Sebald (1944-2001) e Luis Sepúlveda (1949-20020), embora este último, numa parceria com Carlo Petrini.
Se Vertigo, em versão inglesa, encomendado para Köln, me chegou já há alguns dias, o outro livro adquiri-o, directamente, na Livraria Escriba, da Cova da Piedade, no final da semana passada.
Tenho boas expectativas nas leituras dos dois livros.

domingo, 3 de março de 2019

Recomendado : setenta e oito


É um livro em que se está bem - ao ler.
MR já tinha falado desta obra, há que tempos!... E, gentil e virtualmente, ma endereçou com envoi cordial, por razões objectivas. Foi a 30 de Setembro 2018, no seu Prosimetron. Imagine-se que passaram 5 meses, até que eu conseguisse comprar este livro, muito bem escrito, por Luísa Costa Gomes (1954), sobre a Costa de Caparica. A Fundação Manuel dos Santos não tem pressa em aviar as encomendas que, por lá, o tempo deve passar muito devagar... A distribuição de livros não tem, seguramente, o mesmo ritmo da empresa-mãe, em suprir as faltas e rupturas, que usa para com as suas grandes e médias superfícies. É uma perninha amadora e ineficaz, que eles fazem, por favor e sobranceiros, para satisfazer os pedidos das obras que vão editando, como se delas não se quisessem separar. Bem se afanou e insistiu R. A., da Livraria Escriba, para que lhe enviassem alguns exemplares do Da Costa (2018). Ao fim de cerca de 150 dias, lá se dignaram corresponder e satisfazer o pedido...
A obrinha (112 páginas) lê-se que é uma maravilha!
Não esperem é encontrá-la, com facilidade, em livrarias. Talvez seja melhor comprá-la no sítio do costume... Aí, a distribuição dos empregados do sr. Santos sempre é mais eficiente, com certeza.

para MR, retribuindo.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

As pequenas livrarias


Só quando me não resta outra alternativa é que me dirijo à FNAC ou à Bertrand, para comprar livros.
Ontem, tive o grato gosto de entrar na Livraria Escriba, na Cova da Piedade, onde num espaço exíguo, em que, por uma sábia gestão e selecção de qualidade, eu consigo encontrar, quase sempre, tudo aquilo que pretendo. É um autêntico milagre como a Livreira-dona o consegue, numa área tão pequena, arrumar o melhor do que se vai publicando em Portugal.
A única excepção, mas por culpa da distribuição, que não da Senhora, é fazer a aquisição de um livro de Luísa Costa Gomes, sobre a Caparica, que eu encomendara. E foi assim que começámos a conversa...
As editoras tratam as pequenas livrarias com sobranceria, atendem-nas em último lugar. Mas a Livreira tem isso em conta, sabe-o por experiência e não se exaspera. Sabe esperar. A seu favor, tem apenas o gosto das suas escolhas e o clube de fãs - como lhe chamou. E que são os seus clientes fiéis.
E foi assim que lá encontrei os 3 números da revista Electra, já publicados e que eu há muito procurava. A revista tem uma excelente qualidade gráfica, ao nível da Colóquio, da Gulbenkian, embora num outro patamar e conteúdos, e bons colaboradores. Como editor, António Guerreiro, que é sempre uma garantia...


quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Recomendado : setenta e cinco


Eu já não lia, há anos, nada de Stefan Zweig (1881-1942), de cuja obra fui largo consumidor na juventude. Com proveito e gosto, aliás. O escritor, muito em moda nos anos 50 e 60, entrou num ocaso editorial, que se rompeu, felizmente, nos últimos anos.
O livro estava na banca da Escriba, a tentar-me. E eu fiz-lhe a vontade, afortunadamente. É uma breve biografia, limpa e justa, do senhor de Eyquem, Montaigne (1533-1592), que não lhe poupa os defeitos, mas também não lhe diminui as qualidades humanas.
A obrinha, devorei-a eu, enquanto esperava a vez no barbeiro. Ficaram-me 20 páginas das 92 que o livro tem. Acabei-o à tardinha, com enorme prazer, e pena por se me acabar este diálogo renovado com Zweig. Dos últimos trabalhos do escritor, parece-me dos mais perfeitos.
Por isso o recomendo, sem reservas.


para H. N., a quem se destina...

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O ralo estreito das escolhas pessoais


De vez em quando, mas muito raramente, um nome novo passa no meu crivo. Se quanto a pintores, os últimos a ganharem preferência (há 15?, 20 anos?) foram Turner e Hockney, os realizadores de cinema também não têm aumentado, muito, ultimamente. O mais recente, talvez tenha sido Tornatore, depois de Sorrentino e Moretti, na minha parca lista de favoritos de referência. E, quanto a escritores de policiais, já fechei o círculo restrito, em que ocupam lugar de honra S. S. van Dine e Simenon. Porque, com a minha idade, é salutar não perder tempo com frioleiras que nada trazem de novo e, por isso, tento exercer o meu sentido crítico com rigor austero.
Claro que não sou imune a nomes que se repetem freneticamente nas páginas literárias - quanto a escritores - e que são aconselhados por recenseadores sérios (críticos é que já não há...). Mas basta-me folhear, numa livraria, alguma obra muito falada, para tomar posição definitiva sobre um autor. Raramente me deixo impressionar com a moda. Muito menos, por esses enxames de (falsos) blogues, em que algumas domésticas (a soldo de editoras) e mulherzinhas, com vocação de costureiras, tecem loas altíssimas a obras pindéricas, normalmente mal escritas, publicadas por núbeis ou velhos "suspeitos do costume"...
Para mais, estamos a atravessar a época natalícia das miragens, com recomendações equívocas e fraudulentas de vinhos, livros, filmes e quejandos, de qualidade muito duvidosa. Acresce o facto de eu precisar de levar para longe, comigo, alguns livros (3?) que me acompanhem de entretém mental, nesse país distante onde, por esta altura, neva, e em casa alheia. Lembro-me que, de uma vez, me fiz escoltar de Vergílio Ferreira, Steiner e Xavier de Matos, para uma aldeia renana, a que se juntou um livro de René Char, comprado, depois, em Liége. E bem. Que a escolha foi avisada!...
Por agora, vai curta a selecção e próxima a partida, e tinha apenas para levar Pátria apátrida, de W. G. Sebald (1944-2001), autor alemão que recentemente passou na inspecção apertada do meu crivo de referências. Deus me inspire a descobrir mais dois ou três livros, para levar e ler! O que vai ser difícil e um bico de obra, no já pouco tempo que me resta, para seguir viagem.
Mas, hoje de manhã, lá consegui descobrir na (Livraria) Escriba, mais uma obra que promete, muito bem traduzida por Aníbal Fernandes. E de uma editora alternativa (sistema solar) que, como vai sendo hábito, as páginas literárias conceituadas nem sequer falam...


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Da Janela do Aposento 25: Livros, Livreiros e Editores


O assunto em epígrafe tem sido matéria de muitas conversas com amigos, olhando não só para o panorama nacional como em comparações com o Centro da Europa, nomeadamente a Alemanha. Quanto aos últimos, torna-se difícil, ao leitor, acompanhar as "concentrações do capital", que actua na penumbra, dificultando uma visão clara sobre a passagem de algumas editoras, nossas referências no passado, para mãos duvidosas. O livro, como produto genuíno, pouco lhes interessa, o que se vem notando pelo miserável grafismo das capas, os misérrimos títulos e conteúdos publicados, vendidos a peso em "templos de papel". Por cá, nas FNAC's, Bertrand's e quejandos e lá, sobretudo em Colónia, nas Thalia's, Meyersche, etc.
Livreiros são outra espécie em extinção. Cá, resta-nos um livreira "outrabandista", com o devido respeito, porque ela mantém a sua Livraria Escriba como antigamente. Uma verdadeira gruta de Ali-babá, num espaço pequeno. Em Colónia resiste um, Senhor do Livro, que dá pelo nome de Klaus Bittner.


Recentemente, voltei a entrar na sua livraria, apreciando as novidades e o bom gosto dos livros à venda, captando as sapientes apreciações do livreiro no aconselhamento aos clientes que o solicitem. Também foi lá que comprei o último livro de Cees Nooteboom, Cartas a Poseidon [em tradução portuguesa].


O livro de Nooteboom, feito de observações e reflexões a partir e sobre um quotidiano pessoal, resulta um pouco desigual no apelo à leitura dos seus apontamentos breves. O que surpreende é a sua ligação ao universo mitológico da antiga Grécia, como o título sugere, demonstrando a sólida formação clássica do autor.  


E o que continuo a apreciar é o gosto estético dos livros da editora Suhrkamp, receando pelo seu futuro com negócios nebulosos e desavenças dos seus accionistas e herdeiros.

Post de HMJ

sábado, 27 de novembro de 2010

Recomendado : sete - Torre Velha


O livro A Torre de S. Sebastião de Caparica..., de Pedro de Aboim Inglez Cid (Edições Colibri), é o resultado de uma tese da UNL, e foi publicado há, já, três anos (Dezembro de 2007). Devo a sua descoberta a HMJ, que dele me deu notícia, recentemente, por informação colhida no site da Livraria Escriba. Ainda não li muitas páginas, mas deu para me aperceber que está bem escrito e com clareza, que é obra de fôlego e traz novidades, e que valeu a pena tê-lo comprado.
Não sou totalmente isento, porque fala de personagens históricas por quem me interesso: D. João II e Francisco Manuel de Melo. Aborda a hipótese de o arquitecto Diogo de Arruda ter sido o autor do projecto da chamada Torre Velha, com a ajuda e orientação do Príncipe Perfeito. Fala da arquitectura militar portuguesa. Há referências neste livro à correspondência de Francisco Manuel de Melo que lá esteve preso, uma boa parte dos 11 anos em que o privaram da liberdade. Lá escreveu algumas das suas obras, cartas e poesias. Um dos seus sonetos começa por "Casinha desprezível, mal forrada...", referindo-se à sua cela na Torre Velha.
Recomendo o livro a quem goste destes temas, se interesse por D. João II e pelo poeta Melodino. Aconselho a que se dê uma vista de olhos pelas páginas, se vejam as magníficas fotografias, e depois se tome a decisão - de comprar ou não. Ir à Torre Velha, que hoje está muito destruída, será um pouco mais difícil...