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quarta-feira, 26 de março de 2025

Uma louvável iniciativa 66

 

Se a pequena tiragem original de 200 exemplares de O Livro de Cesário Verde, editado pelo seu amigo Silva Pinto, em 1887, justifica a rareza e preço da obra em leilões e nos alfarrarrabistas, alguns autores e obras, no século passado, ganharam o favor bibliófilo insólito de raridades, e ainda hoje são caros, sem razão aparente. Estão neste caso, alguns dos livros de Herberto Helder e de Luiz Pacheco.
O jornal Público deu a notícia agradável, ontem: um coleccionador entusiasta, embora discreto e anónimo, promoveu com o patrocínio da Livraria Buchholz, uma exposição que abrange toda a obra editada de Herberto Helder (1930-2015)., totalizando 60 títulos. A mostra pode ser visitada até 21 de Maio de 2025.

domingo, 12 de maio de 2019

Um CD por mês (1)


Foi através da audição deste CD, da Chandos, que eu comecei a apreciar a obra de Franz Liszt (1811-1886) e vim a considerá-lo como um dos meus compositores preferidos. O intérprete é o pianista franco-canadiano Louis Lortie, nascido no Quebec a 27 de Abril de 1959, cujo repertório abarca, para além do compositor húngaro, obras de Chopin, Mozart e Beethoven, maioritariamente. O CD comprei-o na Livraria Bucholz, em 1992, tendo sido editado no ano anterior, pela Chandos Records Ltd.
As composições deste CD incluem apenas o 2º Ano dos Années de Pèlerinage (Itália), de Liszt. Inspiradas em viagens que ele fez, na companhia da sua amante, a condessa Marie d'Agoult (1805-1876), escritora de origem francesa. Transposições culturais de impressões provocadas por um quadro de Rafael (Sposalizio), de Milão, uma escultura de Miguel Ângelo (Il Penserozo) e leituras de Petrarca, Salvator Rosa e de Dante, que Liszt foi fazendo, durante a sua viagem por terras de Itália.


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

As "Mamsellchen" da Buchholz



Em geminação com o Prosimetron, resolvi juntar umas achegas à observação, muito oportuna, de MR sobre as "velhas" da Livraria Buchholz. 
A palavra escolhida para título do "post" exige uma explicação. "Mamsellchen", palavra pouco conhecida mesmo em alemão, vem do francês mademoiselle e refere-se àqueles meninas aristocráticas que, empobrecidas, passaram a servir, normalmente como cozinheiras. 
Comecei a frequentar a Buchholz, na Duque de Palmela, ao almoço, por uma questão de proximidade do emprego de então e desfastio. Contudo, a procura de alívio em breve se tornava, muitas vezes, em suplício por causa das criaturas da livraria.
O espaço físico até era agradável, a escolha bibliográfica criteriosa, embora perfeitamente escondida no meio da completa desarrumação. As cerejas, podres, em cima do bolo eram, de facto, as "Mamsellchen", como suposta encarnação da "cultura alemã" em terra de ignaros.
No princípio entrava, disfarçada de "lusitana", com o objectivo de "tirar o retrato" àquelas abencerragens. Incomodava-me o seu perfil de "cão de fila" atrás do cliente, quiçá presumível ladrão, bem como a sua fala, ostensivamente mascavada para se distinguir dos indígenas, e o seu ar de superioridade.
Com efeito, um dia resolvi pronunciar-me. Estava à procura de um livro no meio da confusão quando uma delas achou que me devia dar um raspanete. Rosnei-lhe, em alemão, que não podia encontrar o livro, porque nunca tinha visto uma livraria tão caótica, nem livreiros tão antipáticos e saí porta fora.
Mesmo assim, nunca se "restabeleceu o universo" com aquelas criaturas, porque pertenciam a uma camada, de traço germânico, que não se recomenda, nem no país de origem e muito menos fora dele. 
O curioso é que este misto de sobranceria e encarnação da cultura alemã, reprovável, passou para uns docentes universitários lusos, julgando, certamente como as "Mamsellchen", que umas leituras em alemão lhes transmitia, por contacto directo, o estatuto de pessoa culta.
Engano puro. Como qualquer imitação, ainda se tornam mais ridículos.

Post de HMJ, obviamente dedicado a MR