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terça-feira, 15 de julho de 2014

Bibliofilia 106


Não creio que este livro de Alberto Pimentel (1849-1925), com assinatura de posse manuscrita de Nuno Rodrigues dos Santos (1910-1984), lhe tenha sido oferecido pela Companhia do Caminho de Ferro de Benguela, cujo cartão achei entre as páginas 202 e 203. Mas vai-me fazer jeito e servir de marcador, quando o começar a ler... E o índice dos capítulos de Histórias de Reis e Príncipes, que não serão bem histórias de fadas, promete. A obra foi impressa no Porto, em 1890, pela Livraria Gutenberg-Editora (Cancella Velha, 66).
E um dos factores, apesar do seu estado, que me fez comprar este livro usado, é que tem na capa o dístico da Livraria Académica (Porto) que me traz maravilhosas recordações, mas do tempo em que era gerida pela Família Guedes. Agora, não. Que os brilhos das encadernações flamejantes de dourados, aqui há uns anos, quase me cegaram a vista. E os preços, o raciocínio. Para paz do meu espírito, terá sido o simpático e sabedor livreiro sr. Guedes que recomendou e vendeu o livro ao sr. Santos, talvez em meados do séc. XX.
Esta manhã, adquiri a obra por 6 euros. E estou seguro de que não me vou arrepender, quando a ler.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Bibliofilia 81 : Herculano


Não são livros raros, mas muito estimados por mim, e andam comigo há mais de 50 anos, porque terão sido comprados em 1961 ou 1962, na Livraria Académica, no Porto. Aos antigos proprietários, bem simpáticos e sabedores. Dei pelos 2 volumes de "O Monje de Cistér", de Alexandre Herculano, um pouco menos de Esc. 70$00 (preço marcado), que os livreiros (sogro e genro) faziam-me sempre uma pequena atenção...
Disse, a princípio, que o livro não era raro, porque se trata apenas da segunda edição (1859) da obra de Herculano, que saíu, originalmente, em 1848. A marca de posse manuscrita aponta, talvez, para o primeiro proprietário: "A. Alves Mendes, Porto, 1864".
Os dois volumes da obra de Alexandre Herculano, que integram O Monasticom encontram-se, ambos, encadernados e em bom estado de conservação.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Bibliofilia 73 : Miguel Torga


Sabe-se como Miguel Torga (1907-1995) era arredio a oferecer obras suas, mesmo aos amigos. E, mais avarento ainda, em escrever dedicatórias, daí que os livros autografados de Torga sejam raros e muito apreciados pelos bibliófilos. Também é verdade que as suas obras foram, creio que na totalidade, sempre de edição de autor, embora impressas na Coimbra Editora. Assim, também os dois livros, em imagem, não constituem excepção. Não são raros, embora da 1ª edição, e só nos anos mais recentes, usados, subiram de preço.
A obra ou novela "O Senhor Ventura", de 1943, não foi grande sucesso e demorou imenso tempo a esgotar-se. Nos últimos anos de vida, Torga reescreveu a novela, porque a achava imperfeita. O meu exemplar, novo, comprei-o, em Guimarães, vinte anos depois de ter saído, por Esc. 12$50. Quanto à primeira edição de "Vindima" (1945), também não teve um sucesso imediato, mas vendeu-se melhor e esgotou-se mais rapidamente. O romance, usado, comprei-o no Porto, nos finais dos anos 60, na Livraria Académica, por Esc. 100$00.

sábado, 13 de novembro de 2010

Leituras Antigas XXI : romance histórico





Era bastante diversificada, no início da minha adolescência, a oferta de livros sobre temas históricos romanceados. Quase sempre os motivos estavam relacionados com a História de Portugal e, muitas vezes, procuravam transmitir modelos heróicos e morais, exemplares. Os livros que se mostram, em imagem, foram alguns dos que li, com gosto e proveito.
O Naufrágio de Vicente Sodré e A Jóia do Vice-Rei, de Manuel Pinheiro Chagas (1842-1895), foram editados pela Empresa Literária Universal, Rua da Hera, 17, de Lisboa. Os livros desta colecção custavam entre Esc. 7$00 e 8$00, e creio que foram postos à venda nos anos 30 ou 40 do século passado. Estes 2 volumes comprei-os novos. O desenho das capas era de Alfredo Moraes.
A Ala dos Namorados, de António de Campos Júnior (1850-1917), foi impresso em 1951 (3ªedição) pelos Editores Romano Torres, de Lisboa. O romance é composto por 4 volumes e, cada um, custava, em novo, Esc. 18$00. Comprei-os usados na Livraria Académica, do Porto. O conjunto, em 2ª mão, foi-me vendido por Esc. 45$00. As ilustrações trazem a assinatura de Gameiro & Moraes.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Em louvor do autêntico Livreiro


Livreiro é, hoje, uma palavra em desuso. Ou uma profissão em vias de extinção. Claro que há computadores que tudo informam, excepto o essencial. Vendedores não diferenciados que poderiam estar a vender parafusos e pregos, mas estão nas livrarias para tentar vender livros, por questões do destino e da sobrevivência. E, depois, há os topos de gôndola das grandes superfícies. E os contentores que, antes, venderam atum "Bom Petisco", estão agora cheios de "Códigos da Vinci". Nos outros países europeus também é assim, não se pense que é o triste fado português. Como nos filmes (ver o magnífico texto de Manuel de Oliveira, "Defesa do Cinema Português", no "Público" de hoje, dirigido à pianista e Ministra da Cultura), também em relação aos livros, há sinuosos "abafadores" de Cultura. Nem o Salazar foi tão longe...
Mas falava de livreiros. Aqueles que conheci, no Norte, já morreram todos: o Ginha ( de olhos verdes, com acne adolescente, já passava dos sessenta), o Sr. Lemos, tão baixinho que parecia um gnomo, mágico e eléctrico; o Sr. Gomes, um pouco hierático, mas solícito e generoso. Todos eles me orientaram as leituras, no bom sentido, até à adolescência. Mas aquele que mais memória me deixou, da Livraria Académica, no Porto dos anos 50, nunca lhe soube o nome. Era tão discreto, sábio e simples que nunca se me nomeou.
Claro que, em Lisboa, conheci, depois, grandes livreiros: o Sr. Almarjão, o Sr. Beckmeyer, o Sr Ernesto da Biblarte, o Sr. Tarcísio Trindade, da Rua do Alecrim, nº44. Ou o ainda jovem Luís Gomes, da "Artes e Letras". Tirante o Sr. Almarjão, todos estão vivos, felizmente. Mas são todos Livreiros-alfarrabistas. Livreiros, livreiros, na melhor acepção de vendedor de Livraria, que eu saiba, há apenas um ou dois na Livraria Portugal, e bonda! Na Férin, são todos aristocratas, e não de sangue...
Volto ao Porto e à Livraria Académica, nos anos 50 ( não confundir com a actualidade e com o Sr. Canavez que está rodeado de encadernações fulgurantes "pour épater le bourgeois"), e àquele Senhor Livreiro afável e discreto, tinha eu 15 anos, que me recomenda o primeiro livro de ensaios que eu li na minha vida: "Por um novo Humanismo", de Rodrigo Soares. Ainda hoje me lembro. Só nunca soube o nome deste magnífico Livreiro, amigo da Cultura, simples e sábio.