Há muito que não lia um livro tão atabalhoado. Na sua precipitação discursiva, inconsequente, parece ter sido escrito pela Vicky Pollard (da série cómica inglesa "Little Britain"). Mas não foi: escreveu-o Rosa Montero (Madrid, 1951), traduziu-o Helena Pitta, publicou-o Edições Asa; e tem por título "A louca da casa", pecaminosamente retirado de palavras de Santa Teresa de Jesus.
Desde a abordagem de nomes grandes da literatura (Rimbaud, Tolstoi, Verlaine...) num registo, tão leviano e pobre, que faria corar de vergonha as "Selecções do Reader's Digest", até à narração repetida, por 3 vezes, e em tom de farsa do affair com o actor americano M. (pg. 22, pg. 82 e pg. 149), mas de maneiras distintas, substantivas e absurdas, porém sempre no ano de 1974, passado numa alta torre de Madrid...o livro é, todo ele, um chorrilho inconsistente e pleno de vacuidade. Com um aparente ritmo vertiginoso, para disfarçar, imensas citações de nomes conhecidos, assim se foram enchendo 171 páginas de palavras, sem sentido.
Originalmente editado, pela jornalista madrilena Rosa Montero, em 2003, foi traduzido em português, pela Asa, em 2004. E, ao que parece, terá sido um sucesso de vendas, porque já vai na 3ª edição (Abril de 2008), que foi a que li. Como se anda a ler mal, em Portugal!... Só posso concluir: livro a evitar, absolutamente, por um mínimo de sentido crítico e em nome da qualidade e sanidade literárias.