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segunda-feira, 22 de junho de 2020

Literatura Infantil


Não sei, em Portugal, qual a data em que a literatura infantil ganhou importância e carta de alforria, mas, na Inglaterra, o primeiro livro destinado a crianças é referido como sendo o Lytille Childrenes Lytil Boke, que terá vindo à luz por volta de 1480.
Entretanto, as coisas evoluíram. E num catálogo recente do antiquário-alfarrabista Peter Harrington (Londres), as primeiras edições de The Adventures of Tom Sawyer, de Mark Twain, e de Max und Moritz, de Wilhelm Busch, de 1865, vinham precificadas a 45.000 libras.
Enquanto que Black Beauty (O Cavalo Preto,* cá editado pela Portugália, nos anos 50 do século passado), de Anna Sewell, na sua edição original de 1877, vinha proposto a 17.000 libras.
É claro que não são preços para crianças...

* pode ver também o poste de 22/6/2010: Leituras Antigas V : Biblioteca dos Rapazes.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Contos, descrença e leituras


Será que poderei anunciar o fim da minha ingenuidade ou início da minha descrença, em relação à ficção? E, aos contos, em particular. O meu primeiro abandono, em leituras, deu-se com a ficção científica, há muitos anos atrás, ao quinto ou sexto livro lido, desta temática - não gosto. Desertei da infanto-juvenil, quando o meu filho mais novo atingiu a adolescência. E, quase em simultâneo, da BD, onde apenas vim a ter uma recaida proveitosa com Hugo Pratt e o seu Corto Maltese. Não mais. O cinismo e o dogmatismo põem sempre alguns perigos, guardo-me deles, porque nunca se sabe se podemos vir atrás. Mas já Afonso Duarte (1884-1958) avisava: "...Voltar atrás é uma falta de saúde..."
Acontece que, por desfastio, nos últimos 3 dias, me dediquei à leitura de curtas narrativas de ficção. Contos, quero eu dizer. Comecei por Maupassant (Guy de): reli O adereço, depois li Uma "vendetta" que, quanto a trama imaginativa, são soberbos. Mas os assuntos são datados, os sentimentos das personagens, obsoletos, hoje em dia. Já não colam ao leitor.
Depois, patrioticamente, fui aos nacionais. Afonso Ribeiro (1911-1993), com Uma luz nas trevas, deixou-me descalço de piedade e simpatia, pela sua caridadezinha neo-realista. Alves Redol (1911-1969) acordou-me um pouco com O combóio das seis, pelo seu realismo e diálogos movimentados de subúrbios fabris, bem sugestivos. Mas o final do conto (deus meu!) estraga tudo. Finalizei com Aquilino Ribeiro (1885-1963), de que reli: António das Arábias e seu cão Pilatas, que, no seu pendor cinegético e rural, me reconciliou um pouco com a boa literatura nacional; mas que não chegou para me entusiasmar (fiz batota em duas ou três páginas, de intensidade mais onírica, quase no final), por aí além.
Terei de chegar à conclusão que já me vai faltando aquela supension of desbelief - de que falava S. T.  Coleridge - e que caracteriza os leitores com fé? Com boa fé - melhor dizendo. Talvez.
Mas dou-me por feliz, ao pensar que há muitos livros de História, Poesia, Biografias e Ensaio, que nunca li...

terça-feira, 18 de março de 2014

Da literatura, dita infantil


Não sendo eu especialista na matéria, julgo poder dizer que, afora as fábulas, a literatura infantil, na Europa, é relativamente tardia. Se é consensual que o francês Charles Perrault (1628-1703) foi um dos pioneiros na temática, seguido, em qualidade, pelos irmãos Jacob (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859), e pelo dinamarquês Hans C. Andersen (1805-1875), na Inglaterra, por exemplo, só nos finais do século XVIII, o tema começa a ganhar forma, de modo ainda incipiente, através das nursery rhymes. Mas cresce, sobretudo, de forma expressiva, durante todo o século XIX, e ainda hoje.
Sabemos do boom que foi a literatura infantil, em Portugal, no século passado, mas creio poder afirmar que a temática foi, por cá, ainda mais tardia. E julgo que se pode dizer que ela só se começou a afirmar, significativamente, a partir de finais do século XIX. E, pergunto-me, porque terá sido assim?