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sexta-feira, 15 de julho de 2022

História e Leste, por palavras de E. M. Cioran



De uma entrevista de Léo Gillet, traduzo sobre os temas em título, a pergunta do entrevistador e a resposta do autor romeno E. M. Cioran (1911-1995):

L. G.: Tem uma outra bête noir nos seus livros, que é a história. A história e você não são grandes amigos...
C.: Não acontece apenas comigo. O pensamento de Eliade é também contra a história. No fundo, todas as pessoas do leste da Europa são contra a história. E vou dizer-lhe porquê. É que as pessoas do Leste, seja qual for a sua orientação ideológica, têm obrigatoriamente um preconceito contra a história. Porquê? Porque elas são sempre vítimas. Todos esses países sem destino do este da Europa, são países que foram invadidos e subjugados: para eles a história é necessariamente demoníaca.

Entretiens, Gallimard, 1995 (pg. 64).

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Culturas e idades


Passará despercebido a muitos, que a Alemanha costuma dedicar um especial interesse político, económico e cultural, aos países vizinhos geograficamente colocados a Leste. Talvez mesmo superior ao que consagra aos seus vizinhos do Oeste europeu. Disso se faz eco, por exemplo, o livro (Pátria Apátrida) que ando a ler de W. G. Sebald.
Sendo do ano da minha colheita este escritor, isso poderá também indiciar uma escolha geracional, posterior à II Grande Guerra. O que, perante alguns autores da Europa Oriental, me deixa, por vezes, em branco, relativamente ao assunto de alguns capítulos mais específicos da referida obra. Nomeadamente, certos ficcionistas secundários do desaparecido império austro-húngaro, de que tenho um deficiente enquadramento.
A idade, no entanto, irmana as pessoas, frequentemente, pelas afinidades culturais comuns e referencias concretas, semelhantes, bem como históricas. Acontece que, por brincadeira e cá por casa, no convívio familiar temporário, eu e J. G., nos temos vindo a tratar pelos pseudónimos de Dr. Livingstone e Mr. Stanley, humoristicamente.
Porque, apesar de criados em países diferentes (Alemanha e Portugal), ambos temos presente o célebre episódio do encontro, em África, dos 2 exploradores. Que ficou consagrado pela expressiva pergunta inicial de Henry Morton Stanley: Doctor Livingstone, I presume?! Facto histórico comum, afinal, ao nosso (quem diria?) património cultural. Europeu. E, assim, ambos também, sabemos perfeitamente daquilo de que estamos a falar...

domingo, 1 de setembro de 2013

Escultura post-socialismo, a Leste


A queda do Muro de Berlim e o afundamento dos regimes comunistas, na Europa de Leste, desencadearam uma liberdade criativa e anárquica na Arte, até aí, obediente, estandardizada e conservadora que caracterizava as obras dos artistas nos regimes socialistas. O pôr em questão dos dogmas, a provocação (a última manifestação das Pussy Riot é um bom exemplo), mas também a recusa maniqueista entre as opções políticas possíveis (a escultura de Alexander Kosolapov exemplifica, com ironia, a trindade santíssima da escolha: Lenine, Cristo e o rato Mickey) são algumas das temáticas prevalecentes.
Deixo, em imagem, três exemplos significativos de esculturas recentes, pela ordem cronológica de nascimento dos artistas de Leste, representados:
- O russo Alexander Kosolapov (1943).
- David Cerny (1967), checo.
- A polaca Dorota Nieznalska (1973).