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quarta-feira, 1 de maio de 2019

Para a iconografia do 1º de Maio


Será difícil, se quisermos abordar a temática do Dia do Trabalhador, prescindirmos dos pragmáticos e eficazes cartazes de propaganda soviéticos, alusivos a este dia e executados para o efeito, nos primeiros tempos do regime comunista. Apologéticos, engajados, não deixavam de ter uma certa beleza militante.

Tivemos uma imitação serôdia, por cá, depois do 25 de Abril, com os majestosos murais do MRPP, hoje, praticamente todos desaparecidos e, infelizmente, substituídos por pinchagens indigentes que alguns ignorantes logo apelidam de arte urbana...
Como curiosidade anoto que não me lembro de nenhuma pintura ou ilustração norte-americana que celebre esta data. Muito embora em Chicago, no ano de 1886, o 1º de Maio tenha sido sangrento.
Teremos de ir mais abaixo, na América, até ao México e convocarmos Diego Rivera (1886-1957) e os seus esplêndidos murais em homenagem ao trabalho operário e ao Dia do Trabalhador.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Singularidades deste nosso mundo


Albert Camus dizia, com alguma ironia evidentemente, que bastava matar a porteira do nosso prédio para, no dia seguinte, o nosso nome aparecer na primeira página dos jornais. Quem se lembraria do nome de Buíça, se ele, a 1 de Fevereiro de 1908, não tivesse disparado, matando o rei D. Carlos, no Terreiro do Paço? Ou, saído da obscuridade e de um anonimato previsível, Lee Oswald não tivesse assassinado John F. Kennedy?
Jaime Ramón Mercador del Rio, nascido em Barcelona a 7 de Fevereiro de 1913, filho de uma beata do comunismo, seria um nome sepultado nos arquivos do KGB, não fora ter assassinado, a 21 de Agosto de 1940, talvez com requintes de malvadez e com um machadinho de picar gelo, no México, o célebre dissidente do estalinismo, Leon Trotsky (1879-1940). Que aí estava exilado, depois de ter sido expulso da União Soviética. Foi assim que o obscuro Ramón Mercader, agente secreto do NKVD, passou à História. E, após 20 anos de prisão, morreu em Cuba, tranquilamente, a 18 de Outubro de 1978.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Circunstância e solidariedade


Num tempo de macro-assimetrias gritantes, de um pan-egocentrismo internacional e de um individualismo feroz há, por vezes, pequenos oásis de solidariedade natural, mas militante, onde apetece pousar.
Esta humanidade pode encontrar-se, por exemplo, em pequenos clubes onde se vai tomar o café, à noite, depois do jantar; pode albergar-se sob a sigla de agremiações amigas que, por um motivo próprio, criam momentâneas cadeias de concordância e calor humano, inesperados. Ou até pode, esta solidariedade de afectos, nascer e fortalecer-se num grupo dissonante, discretamente unido, que amesende em conjunto mas nem sempre, num pequeno restaurante modesto e familiar, situado numa rua incaracterística e vaga duma vila de província ou cidade de subúrbio - os milagres acontecem, quase sempre, em sítios improváveis...
No minúsculo restaurante, alguém disse: "- Como o Rui costumava contar..." Em tempo passado. Percebi, o Rui tinha morrido. Realmente, eu já não o via há mais de dois meses. Só tinha 57 anos e eu, que gosto de alcunhas, chamava-lhe o "Trotsky" - barba, óculos, movimentos, ideologia que lhe fui notando.
Ficamos nós, dos mais assíduos: o Engenheiro, a Dª Alice (com 92 anos, que não parece), o "Fala-barato", e uma outra senhora que poderia ser da família, pelas parecenças, do Tomaz de Figueiredo (alcunhava-a de "Tomázia") que hoje teve um comentário misterioso. Disse: "- Falou a foca!" E, ao mesmo tempo, sorriu com elegância. Eu não percebi o uso da frase mas, qualquer dia, ganho coragem e pergunto-lhe, com delicadeza, o que é que ela quis dizer com aquilo. Neste pequeno grupo de singela, e não expressa, solidariedade, é possível, de vez em quando, sermos curiosos, mesmo que, habitualmente, não dialoguemos uns com os outros.