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quinta-feira, 4 de abril de 2024

Curiosidades 104



Não será caso único nas letras francesas, pois também Jean Cocteau produziu desenhos de traço elegante, alguns dos quais ilustraram o Até Amanhã de Eugénio de Andrade, mas os trabalhos pictóricos de Paul Valéry (1871-1945) serão porventura mais escassos e menos conhecidos do grande público.
Valerá a pena, por isso, dar notícia que a Livraria Laurent Coulet (Paris), no seu catálogo 66, incluía uma aguarela do poeta e pensador francês (imagem acima), em jeito de auto-retrato de costas, pelo preço de 750 euros.

(Agradecimentos a H. N.)

domingo, 8 de maio de 2022

Curiosidades 93



Quando temos ocasião de folhear catálogos antigos de leilões de livros, sobretudo realizados até meados do século XX, ficamos surpreendidos com a riqueza dos acervos de algumas bibliotecas do passado. Mas também acontece, por vezes, a partir dos anos 60/70 do século anterior a este nosso, os lotes em praça em outras almoedas nos decepcionarem pela banalidade dos seus conteúdos. Não assisti ao leilão da biblioteca de  José Blanc de Portugal (1914-2000), promovido pela Dinastia e organizado por Luís Burnay, em 30 de Abril e até 4 de Maio de 2001, cerca de um ano depois da morte do poeta. Mas, como consultei e analisei o catálogo, vou dar uma ideia muito geral do acervo bibliográfico e das temáticas mais representadas nessa biblioteca que, contendo muitos atados, era constituída por 2015 lotes.



Naturalmente, a poesia era predominante e, só em atados, contava com 124 lotes. O poeta mais representado era António Botto com 17 livros. Seguia-se Ruy Cinatti, com 15 obras, 7 delas com dedicatória para Blanc de Portugal; Ruy Belo com 9 volumes, todos dedicados. 8 de Sophia, também.
No leilão, havia dois livros do século XVI, sendo o mais antigo de Terêncio, impresso em Paris, no ano de 1552 (lote 1826). O século XVII contava 5 lotes. A estimativa mais alta de preços pertencia à 1ª edição (1934) de Mensagem, de Fernando Pessoa, lote 1474, que apontava para valores entre Esc. 200.000$ / 300.000$00.
Quanto a temáticas: Música e Ballet estavam representados por mais de 200 lotes; Seguia-se a Etnografia. Livros sobre Ciências Ocultas eram 149. Sobre a China havia 57 lotes, 5 dos quais de poesia.
Estranhei que, neste leilão da biblioteca de José Blanc de Portugal, só houvesse 3 obras de Camilo e que Sá de Miranda não estivesse representado, embora houvesse muitos lotes com obras de Camões.

terça-feira, 1 de março de 2022

Desequilíbrios


Iniciei-me em leilões de livros usados em 1974/5. Já antes, frequentava com alguma assiduidade as lojas de alfarrabistas. Nessa altura, havia um certo equilíbrio e moderação nos preços, excepto quando algum lote suscitava paixões animosas em diversos licitadores. Aí, os valores, normalmente, descambavam. Até ao início da pandemia, e em anos recentes, houve altos e baixos nos preços, como acontece na bolsa, mas mantendo-se um certo sentido de proporção lógica e objectiva, em função da raridade e números de tiragem, importância da obra e estado de conservação do livro em apreço. A prática de leilões, continuada, durante cerca de 40 anos, permitiu-me criar um certo critério de avaliação e de razoabilidade nos preços, que não dispensava as diferenças geográficas, naquilo que é habitual em Lisboa, Coimbra ou no Porto. Sendo que, no Norte, os preços são mais altos, até nos alfarrabistas, se eventualmente se tratar de obras de Camilo Castelo Branco, por exemplo.
Mais recentemente tem-me parecido, porém, grassar um certo desnorte nos preços de livros, difícil de explicar ou mesmo atribuir, apesar da redução drástica de livrarias de alfarrabistas sobretudo em Lisboa. Por vezes, no exagero de valor atribuído a algumas obras, outras vezes, pelo preço de saldo que pedem por livros que, antes, tinham preços solidamente estabilizados. Vou dar dois exemplos recentes.



Por volta de 1985 comprei em Lisboa uma primeira edição (1778) das Obras Poéticas de Pedro António Correia Garção, edição póstuma mandada imprimir pelo irmão do poeta. O exemplar custou-me Esc. 8.500$00, na rua do Alecrim, nº 44. Era, na altura, um livro estimado e procurado. Em 2021, num leilão do Palácio do Correio Velho (lote 137), um exemplar semelhante, também encadernado, vendeu-se por 80 euros. Pois, há dias, a Livraria Bizantina pôs à venda um livro igual, embora com a encadernação cansada, ao preço fixo de 30 euros...



Em sinal contrário, apareceu à venda no boletim bibliográfico da Livraria Castro e Silva, por 50 euros, um vulgar O Espírito da Raça Portuguesa na sua Expansão Além-Mar, de João de Almeida, obra editada, em 1933, pela Parceria António Maria Pereira. Brochado como este, adquiri em finais dos anos 70, na rua da Madalena, em Lisboa, um exemplar em bom estado, por apenas Esc. 5$00.
Dispenso dizer mais...

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Bibliofilia 188



Vi há dias, na RTP 2, um interessante documentário (Laureano Barros, Rigoroso Refúgio) sobre o matemático e importante bibliófilo nortenho que, na sua Quinta de Fonte Cova (Ponte da Barca), foi constituindo uma enorme e valiosa biblioteca que viria a ser leiloada, no Porto, pelo alfarrabista Manuel Ferreira, em 2010. O catálogo da almoeda compreendia 6 volumes, que ainda hoje podem ser adquiridos por 120 euros, na livraria portuense.
Para quem se interesse pela bibliofilia nacional há alguns nomes míticos de personalidades que reuniram bibliotecas importantes de livros antigos e obras raras, como por exemplo: Sir Charles Louis Gubian (cujo acervo foi a leilão em 1867),  Fernando Palha (em 1896), José Maria Nepomuceno (1897), Azevedo e Samodães (1921/22), Ávila Perez (1939/1940)...
Laureano Barros (1921-2008), homem probo, rigoroso e sério, interessava-se sobretudo por primeiras edições portuguesas dos séculos XIX e XX (Nobre, Cesário Verde...), e teve, ao longo da vida, relações privilegiadas de amizade com Luis Pacheco (1925-2008), de que conservava muitos manuscritos autógrafos. Bem como tinha como amigo o poeta Eugénio de Andrade (1923-2005), de quem conservava um raríssimo exemplar (dos 53 publicados, em 1940) de Narciso, obrinha de XVI páginas inumeradas, que viria a ser renegada pelo autor, mais tarde.
O pequeno livro de poesia, com dedicatória de Eugénio de Andrade, era o lote nº 280, da primeira parte do leilão, e foi arrematado por 4.000 euros, dada a sua extrema raridade.


terça-feira, 14 de abril de 2020

Leilões


Pela presente situação de pandemia, até uma das mais dinâmicas casas leiloeiras lisboetas, o Palácio do Correio Velho, suspendeu temporariamente as actividades. Em boa hora, tive notícia recente que retomará os trabalhos com um leilão de livros e revistas Online, já no próximo dia 17 de Abril de 2020, sendo esta a sua almoeda número 1.424. Do acervo interessante, destaco dois lotes que têm uma base de licitação equilibrada: um de BD e o outro sobre Cinema. Qualquer deles invulgar. Ei-los:

Lote 16 - 6 volumes, 4 de Obras Primas de BD e 2 de o Cavaleiro Andante (1954/5).............  15 euros.
Lote 23 - Conjunto completo dos Cahiers du Cinema, respeitante aos anos de 1958 a 1963... 30 euros.

sábado, 9 de novembro de 2019

Filatelia CXXXIV


Se antigamente grande parte das transações de selos de colecção se processavam através das lojas de filatelia ou em leilões postais ou presenciais, hoje em dia, creio que é pela net que as compras e vendas acontecem mais abundantemente. Até porque muitas das casas filatélicas foram fechando, progressivamente, em Portugal. A Afinsa, por exemplo, chegou a promover alguns leilões importantes, até vir a encerrar as portas, numa agonia lenta e decorrente de um escândalo financeiro ocorrido na Península Ibérica.


Mas também o Ateneu do Porto promoveu leilões filatélicos, com regularidade, e a Federação Portuguesa de Filatelia, pelo menos no passado. Actualmente, julgo que só a empresa de Paulo Dias os promove.
A Inglaterra mantém, ainda que com menos intensidade comercial, uma viva dinâmica leiloeira de venda de selos e, em cujos catálogos, é frequente encontrarem-se boas colecções de Portugal, assim como boas peças soltas do continente e das ex-colónias.


A capa do leilão da Alliance Auctions (2/12/2008), à direita na penúltima imagem, almoeda que incluía 43 lotes portugueses, muito diversificados, reproduzia, nas páginas interiores, o Bloco nº 1, da Legião Portuguesa, com carimbo especial da Expo. do Mundo Colonial Português (lote 1136) com uma base de partida de 200 libras; e um erro (lote 1158) da série Barcos, de 1981, com uma estimativa de 50 libras. (Ambos os lotes constam da imagem acima reproduzida.)

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Preciosidades


Recentemente descoberta (2017), numa velha casa de Cagnes-sur-Mer (França), uma pequeníssima aguarela de Auguste Renoir (1841-1919), foi posta em praça, em finais de Março passado, pela casa Druot (Paris), tendo alcançado o preço recorde (perante as diminutas dimensões), final, de 46.300 euros. Pertencendo à juvenília do artista, assinada no verso, a obra executada por volta de 1867, representa muito provavelmente Lise Tréhot, amante de Renoir.
A pequena aguarela foi arrematada por um emir do Golfo que, naturalmente, não foi identificado pela casa Druot.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Filatelia CXXVII


As grandes colecções de selos, as mais importantes e valiosas, foram quase sempre vendidas na Inglaterra ou na Suiça. Londres ou Zurique, mais particularmente. Centros financeiros que concitam, mais facilmente, grandes investidores e filatelistas apaixonados ou fanáticos.


Stanley Gibbons, Robson Lowe e Christie's respondem por Londres. David Feldman pela Suiça. São talvez estas as casas leiloeiras mais importantes do mundo. A celebrada colecção de selos de Maurice Burrus (1882-1959), por exemplo, foi leiloada pela Robson Lowe, em Londres, no ano de 1964.


Não fugiram a esta regra habitual de localização leiloeira as melhores colecções de selos clássicos portugueses. A mítica colecção do comandante Leotte do Rego foi leiloada, em Zurique (Suiça), por David Feldman, em 1985. Aqui ficam, em imagem, alguns dos lotes mais importantes.
Com o Brexit, no entanto, é bem provável que a praça londrina venha a perder importância.
Mas estou certo que os mais raros selos clássicos portugueses continuarão a ser negociados lá fora...

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Piedosos votos, os meus


Submerso pela mediocridade do seu século XVII, do ponto de vista literário, Francisco Manuel de Melo (1608-1666) foi um dos portugueses da época que mais mundo teve, em posições altaneiras. Mas também conheceu baixas prisões (Torre Velha [Trafaria], Torre de Belém - má enxovia na altura -, o Castelo de S. Jorge) e degredo no Brasil, onde terá feito um filho e um belo soneto, pelo menos. O homem era de grande qualidade, que o próprio Quevedo reconheceu e o teve por amigo e correspondente. Para além disso, um grande escritor, com obra ampla, em português de lei.
Creio que Manuel de Melo foi arredado, ultimamente, dos programas escolares, talvez por uma simplificação provinciana e reaccionária em relação àquilo que temos de melhor. E para facilitar a vida aos meninos e meninas, a quem se quer dar sempre festa e pouco pensar. Que havemos de fazer?
Foi com alguma emoção pessoal que me dei conta que a Livraria Olisipo, no seu próximo leilão* de 6 e 7 de Fevereiro, vai leiloar (lote 540) duas cartas autógrafas do Poeta Melodino, com uma estimativa prevista de venda entre 800 e 1.600 euros. Únicas, é óbvio que as cartas serão raríssimas e poderão até ser inéditas: não as encontrei, orientando-me pela data (9 de Março de 1650 e 1 de Julho de 1651, cujo ano está errado no catálogo da Olisipo, que regista 1950 e 1951...), na edição primeira das Cartas Familiares (1664), por exemplar na minha posse, que consultei.
Em tempos infaustos, deixámos ir para Harvard (E.U.A.) a riquíssima biblioteca de Fernando Palha, com exemplares únicos e raríssimos que poderiam ter ficado em Portugal. Perdeu o património nacional.
Se eu fosse director da BNP ou da Torre do Tombo não estaria sossegado, mas nervoso. E faria tudo aquilo que me fosse possível para que essas 2 cartas autógrafas de Francisco Manuel de Melo viessem a ficar à guarda, integrando o acervo, de uma das duas instituições portuguesas. Para memória futura e consulta de quem as mereça estudar.


* ver poste, no Arpose, de 16/1/2019.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Despojos e nostalgia


As casas, hoje em dia, são pequenas e, normalmente, apenas andares onde desaguam as coisas de família. Tornam-se exíguas, para tanto passado e memória. O espaço nimba-se de uma claustrofobia irritante, por onde a circulação acaba por se tornar difícil.
O acto solene da leitura de um testamento e a venda em leilão do acervo de alguém conhecido, despertam em mim, quase sempre, um semelhante tipo de sensações, mistas de expectativas singulares, melancolia e desconforto físico, difícil de explicar.
A firma de leilões do Correio Velho começou a leiloar, a 4 e termina a 7 de Dezembro de 2018, uma parte do acervo pictórico de Victor Palla (1922-2006), em almoeda anunciada.
E a mesma sensação estranha toma conta de mim...


quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Filatelia CXXV


É sabido, pelo menos de alguns, que na Inglaterra se podem encontrar, em grande quantidade, muitos selos do período clássico e cartas circuladas de Portugal. A explicação é simples: o comércio entre os dois países sempre foi intenso, sobretudo no domínio do Vinho do Porto. E muitos desses arquivos de casas comerciais sendo vendidos, incluem uma parte significativa de peças filatélicas do nosso país. Na Grã-Bretanha comprei e/ou de lá me vieram alguns dos selos mais interessantes da minha colecção de Portugal e ex-Colónias.

Nos anos 70, 80 e 90 do século passado, eu costumava receber alguns catálogos de leilões de casas filatélicas inglesas que, normalmente, tinham alguns lotes portugueses. Por aí licitava, uma vez ou outra, e com frequência era bafejado na arrematação, com sucesso. A partir do século XXI, grande parte dos catálogos, com a difusão da Internet, passaram a estar apenas online, e eu desinteressei-me.
Inesperadamente, há dias, recebi um luxuoso catálogo da Mayfair, de um leilão que se vai realizar a 14 de Outubro de 2018, com um acervo rico e de grande qualidade.
Embora não tenha nenhum lote exclusivo de selos portugueses, o catálogo anuncia a venda de um selo muito raro inglês. É o famoso 2 e 1/2 p., do Silver Jubilee (1935) de Jorge V, na variedade de cor prussian blue. Com valor de catálogo (Stanley Gibbons, nº 456a) de 13.750 libras esterlinas, o lote 811 tem uma estimativa (inicial) de venda entre 6.000 e 7.000. Um acontecimento, para quem coleccione selos ingleses...

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Retratos (18)


Há pessoas e coisas que, com o tempo, perdem a sua carga evocativa e se desvalorizam. Outras que se robustecem por força das comparações que vamos fazendo, verificando o quanto lhes são inferiores as que, depois, viemos a conhecer. Casos em que até passam a ser o modelo da exemplaridade de uma função determinada, para nós.
Ao longo da minha vida, assisti a vários leilões, sobretudo de livros, e com maior intensidade entre 1976 e o dobrar do século. Hoje, são residuais as minhas presenças nestes acontecimentos mundanos.
Se o espaço onde decorre um leilão é importante, a qualidade do leiloeiro (pregoeiro) é fundamental. A voz, bem timbrada e clara, é um requisito imprescindível, antes de mais. Mas também uma grande capacidade de atenção que permita, ao leiloeiro, atender ao mais leve sinal de lance, que algum cliente, por mais tímido ou discreto, faça. E discernir, na quase simultaneidade eventual de lances, qual terá sido o primeiro a fazê-lo. Finalmente, a autoridade e presença para dirimir conflitos suscitados entre licitadores agressivos.
De tudo isto era possuidor, na mais alta craveira, o sr. David Pedro, que deixei de ver, há muito, nos leilões que se faziam em Lisboa. Embora baixo de altura, tinha autoridade com elegância, voz claríssima e bem articulada, e uma urbanidade a toda a prova, mesmo em situações muito conflituosas. Um exemplo perfeito pelo seu profissionalismo. Único, tanto quanto me lembro. Além disso, tinha uma boa memória: raramente se esquecia do nome de um cliente habitual nos leilões a que presidia.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Bibliofilia 150

Um bom catálogo de leilões, feito com profissionalismo e sabedoria, pode sempre ensinar-nos muita coisa sobre livros. Daí, alguns deles terem muita procura. Dos quatro que irei referir, o primeiro e o terceiro saem um pouco caros, normalmente; o segundo e o quarto constavam do último boletim bibliográfico de José Vicente (livreiro-alfarrabista, recente e infelizmente, desaparecido), ao preço de 30 euros, cada um.


É minha convicção profunda, não destituída de lógica, que os livros muito raros acabarão, com o tempo, por vir a integrar os acervos das bibliotecas nacionais ou públicas, deixando de pertencer a bibliófilos ou a bibliotecas particulares. Ficarão assim ao dispor de qualquer leitor, para que os possa consultar e ler, o que não deixa de ser extremamente positivo. 
Acontece, no entanto e algumas vezes, que esses livros raros não ficam no país de origem. Foi o que se verificou com a riquíssima biblioteca de Fernando Palha, que foi comprada, na íntegra, pela Universidade de Harvard. Restou-nos o catálogo (1896), cuja capa encima este poste. Por ele podemos consultar algumas descrições pormenorizadas e competentes, de alguns exemplares portugueses e únicos.



Em 18 de Julho de 1897, foi também dispersa, em leilão, a magnífica biblioteca do arquitecto José Maria Nepomuceno, sendo que alguns livros raros teriam sido adquiridos, na altura, pela BN de Lisboa. Outros, objecto de litígio, terão sido apreendidos, embora o catálogo, em meu poder, não refira o seu destino final, nem as razões dos diferendos.



Dos Condes de Azevedo e Samodães, os inúmeros e preciosos livros foram também objecto de uma almoeda (1921-22) que concitou grandes expectativas e emoções, porque incluia livros raríssimos, alguns dos quais eram considerados como únicos, incluindo alguns incunábulos de grande valor.
Para quem tenha franqueado, mesmo que ao de leve, os portões venerandos da bibliofilia, creio que não será, totalmente, estranho o nome de Victor M. d'Avila Perez e o conhecimento da sua paixão por livros antigos.



Julgo que terá sido o último grande leilão de livros do século XX (1939-1940), em Portugal, organizado por Arnaldo Henriques de Oliveira, livreiro-alfarrabista que ainda conheci. Como eu vim mais tarde, e embora tenha assistido a algumas almoedas bem ricas e preciosas de livros nacionais, creio que a melhor matéria prima impressa tem vindo a diminuir, no que a leilões diz respeito. Desde que os possamos consultar, tranquilamente, nas bibliotecas públicas portuguesas, tudo bem. É porque ficaram em casa e estão à nossa mão... 

sábado, 9 de janeiro de 2016

A propósito do próximo leilão de livros


Como em qualquer sociedade secreta, a iniciação na atmosfera específica de leilões, sobretudo de livros antigos, raros e usados, cria no neófito alguma incomodidade, uma prévia timidez de não estar à altura destas cerimónias nem das suas regras ortodoxas, bem como uma certa insegurança, pelo menos, da primeira vez. Senti tudo isso, quando em 1976 (passam 40 anos, no mês de Maio próximo), decidi ir ao primeiro leilão de livros promovido por Arnaldo Henriques de Oliveira, ali para as bandas do Príncipe Real. Fui confrade iniciático, independente e sem ligação, é certo, se bem me lembro e mais ou menos por essa altura, com Helena Roseta, Jorge Couto (ex-director da BNP), Marcelo Rebelo de Sousa, Ferreira do Amaral (o volumoso ex-ministro cavaquista) e Pedro Roseta, que tinha sido meu colega de tropa - como diria Pessoa: "...tão jovens, que jovens eram..."
Desenganem-se os não experimentados, que basta ser prudente, observar as regras, dominar a emoção nos lances, para não cometer asneiras. Devo confessar que cometi algumas leviandades ingénuas, por amor aos livros... mas são erros passados de que pouco me arrependo. Que as obras ficaram comigo, até hoje.
Anuncia-se, para breve (1, 2 e 3 de Fevereiro de 2016), no Palácio da Independência (às Portas de Santo Antão), em Lisboa, mais um leilão de livros, manuscritos e gravuras, promovido pelo competente livreiro-alfarrabista José Vicente, com um rico acervo de várias proveniências. Enchem-me os olhos duas edições mirandinas que, felizmente, possuo: a 2ª edição (1614) de As Obras (lote 928) de Sá de Miranda (com uma estimativa de venda entre 1.000 e 1.800 euros) e a impressão Rolandiana de 1784, em dois volumes pequenos, com previsão de venda entre 50 e 100 euros, ambas encadernadas. Mas há mais que, por gosto pessoal, queria destacar, por lotes e preços previstos:
- 108. Azevedo, padre Torquato Peixoto d' - Memórias Resuscitadas da Antiga Guimarães, na sua edição primeva de 1845, feita no Porto, com uma indicação entre 40 e 80 euros.
- 668. Helder, Herberto - Poemacto, da Contraponto, edição original e rara (1961): 120/ 200 euros.
- 1169. Régio, José - Os Poemas de Deus e do Diabo (1925), na sua impressão inicial, com uma previsão de venda entre 800 e 1.600 euros.
Mas também há obras muito em conta, para neófitos. Não tenham medo!, pelo menos, de ir e assistir...

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O preço dos espinafres


A bem conhecida figura de Popeye foi criada para a banda desenhada, em 1929, por Elzie Crisler Segar (1894-1938), cartonista norte-americano.
O artista pop-conceptual Jeff Koons (1955) perpetuou-o em escultura (reproduzida, aqui, em imagem). O mais surpreendente é que, num recente leilão da Sotheby's, a obra foi arrematada por 28 milhões de dólares, ou seja, cerca de 25 milhões de euros. É obra!...

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Leilão, antes das férias


Promovido pela Livraria Luis Burnay, mais um leilão a realizar no início de Julho, constituido por obras muito variadas, provenientes de uma biblioteca particular e de um arquivo editorial (Eduardo Salgueiro).
De autógrafos de Camilo, Nobre, Régio, Nemésio e Jorge de Sena (4 cartas), até à primeira tradução da Bíblia (Lote 73) para língua portuguesa, feita por António Pereira Figueiredo, com uma estimativa de venda entre 400 e 1.000 euros.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Próximo leilão de livros


Mais um leilão de livros, promovido por José Vicente, no Palácio da Independência, a realizar nos dias 24, 25 e 26 de Junho. Destaque especial para um exemplar único, porque impresso em pergaminho, da edição primeira de "Os Simples", de Guerra Junqueiro.
Tempo para lembrar que José Vicente, da Livraria Olisipo, bem como Luís Gomes, proprietário da Livraria Artes e Letras, ambas do Largo Trindade Coelho (Lisboa), encerrarão as portas dos seus estabelecimentos, em meados do próximo mês de Agosto, definitivamente. Devido às disposições da iníqua lei das Rendas promovida e promulgada pela jovial e ligeira Ministra Cristas.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Leilões antigos / Velhos catálogos


Não é com absoluta indiferença que folheio velhos catálogos de leilões de livros, onde alguém, com mão emotiva e talvez nervosa, anotou a lápis, os preços finais de cada lote. Já me aconteceu, também, a mim...
Nos últimos dias, o meu Alfarrabista de referência, colocou à venda, sobre uma mesa comprida, largas dezenas (talvez uma centena) de catálogos de leilões de livros, com as capas amarelecidas ou acastanhadas pelo tempo. Uma boa parte tem os preços finais de cada lote. Os leilões das bibliotecas de Delfim Guimarães ou de Virgínia Rau, constam. Feitos por Arnaldo Henriques de Oliveira, que eu ainda conheci a leiloar, numa sala esconsa e inóspita da sede dos Amigos dos Hospitais, ao Principe Real.
Procurei, como é meu hábito, alguns autores do meu afecto. Consegui encontrar, num leilão dos anos finais da monarquia ( 1907 ou 1908), a venda da segunda edição (1614) das Obras de Sá de Miranda. O lote foi arrematado por 2.700 réis. Nesses catálogos, largamente manuseados, havia também Francisco Manuel de Melo, Camões, Garrett, Herculano... Um mundo, que passou de mãos, talvez com alegria, efémera.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Soutine, em destaque


Há muito que Chaim Soutine (1893-1943) é um dos meus pintores preferidos. Pois, ontem, o seu quadro "O pequeno pasteleiro" (cca. 1927), na Christie's de Nova Iorque, atingiu o mais alto preço das suas obras, em leilão, até hoje. O feliz e anónimo comprador deu pela tela 18 milhões de dólares. É obra!...

sábado, 8 de dezembro de 2012

Leilão


Novo leilão de José Vicente, no Palácio da Independência (às Portas de Santo Antão, em Lisboa), na próxima terça e quarta-feira, com uma extensa e boa camiliana de primeiras edições, mas também alguns outros lotes interessantes, como por exemplo:
- Afonso de Albuquerque, "Os Commentarios...", numa edição de 1774, com uma estimativa de venda, entre 200 e 400 euros.
- "O Livro das  Fortalezas de Duarte Darmas" (1940), com previsão entre 150 e 300 euros.
- "A Mensagem", de Pessoa, na sua 1ª edição (encadernada, mas sem capas de brochura), com venda estimada entre 400 e 800 euros; a segunda edição (lote 658), de 1941, entre 300 e 600 euros.