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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Quase sucintamente

Às vezes, penso que os católicos progressistas (assim chamados, por cá, nos anos 60/70), em Portugal, quase desapareceram, pelo menos, em intervenção cívica e pública. Aliás, como os intelectuais, que maioritariamente se acobertaram no conforto rendoso da neutralidade. Mas também penso que os católicos progressistas romperam noutro mundo. Sul-americano, para ser rigoroso. Embora veja que, por lá, há muita pressa, alguma desatenção - e a seara não está sazonada...
Parece que, na Europa, não se deu muita atenção à última mensagem (de Ano Novo) de Bento XVI. Eu sei que é um papa conservador, mas sabe pensar. As suas palavras vêm na sequência justa e equilibrada do magistério de Leão XIII, e das suas encíclicas sociais. Se como dizem, e muitos querem, convictamente, que a Europa seja um Continente cristão, até do ponto de vista legislativo, não consigo perceber o assobiar para o lado de muitos dos governantes europeus. Partindo do princípio que não sejam iletrados e totalmente incultos (é uma hipótese, apesar de tudo...).

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Enjoo de Papa


Do livro "Reinado Florescente" de Eduardo Noronha (1859-1948), editado pela J. Romano Torres & Cª(1928?), e em que o autor refere várias histórias ocorridas e balizadas pelo reinado de D. Luís (1838-1889), vou transcrever um excerto, que achei curioso e bem humorado, sobre o Papa Leão XIII (1810-1907), conservando a ortografia original:

" O pintor francez Chartran fez o retrato do pontífice Leão XIII. Relatava, a propósito desse trabalho, o seguinte: No decorrer de uma sessão veem prevenir o Padre Santo que uma peregrinação o espera, que traz dinheiro e pede para o ver. Leão XIII desce e Chartran segue-o. Quando volta para continuar o retrato, o artista não se pode conter e diz: - Vossa Santidade foi admirável; o seu gesto para abençoar essa multidão, soberbo. Como eu desejaria pintá-lo assim com os dois braços estendidos e com a cabeça erguida, com os olhos no céo.

O papa não responde, mas coloca-se em frente dum grande espelho que ornava a sala. Estende os braços como se lançasse a benção, ergue a cabeça, fita o olhar no tecto e, em seguida, com voz doce, em francez, commenta:

«- Oui, je suis pas mal ainsi!»

Chartan teve outra ocasião de se entusiasmar. Viu o papa na «Sedia gestatoria», passeado por quatro homens, em volta de S. Pedro.

- Ah - declara no dia seguinte o artista a Leão XIII,- que espectaculo maravilhoso me proporcionou Vossa Santidade! Sentia-me profundamente impressionado com o grande acto que realizava! O rosto de Vossa Santidade estava lívido, tão branco como o seu hábito branco. Essa palidez era dum efeito grandioso. Exprimia tudo quanto se passava no espírito de Vossa Santidade. O papa retorquiu, também em francês:

«- Quand on me prómene comme ça, ça me donne le mal de mer. J'ai envie de vomir. Alors je deviens trés pâle.»

P.S.: o nome correcto do pintor é Théobald Chartrand (1859-1948), retratista francês muito popular na época. Retratou além deste Papa, Victor Hugo, Garibaldi, Verdi e Gounod.