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quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Uma integral, com história



É uma sonata com história, e longa em tempo de execução (cerca de 45 minutos), talvez, para a sua variedade musical. Conhecida de muitos, inspirou também Tolstoi, pelo duelo ou diálogo agressivo que se trava entre o violino e o piano, que se vão congraçando, intermitentemente.
A Sonata Kreutzer foi dedicada por Beethoven, inicialmente, ao violinista Rodolphe Kreutzer (1766-1831), mas este, que não era muito apreciador da obra do compositor, ao que parece, nunca chegou a tocá-la. Terá sido George Bridgetower (1778-1860), músico afro-europeu (com ascendentes em escravos de Barbados), que a estreou em 24 de Maio de 1803, com Beethoven ao piano, acompanhando. O compositor simpatizava e admirava o virtuoso violinista. E a partitura, de oferta, tinha uma exótica e bem humorada dedicatória: Sonata per um mulattico lunatico.


A sonata inspirou a Tolstoi uma novela (1889), homónima. E mais tarde (1923), o compositor L. Janacek veio a criar o seu Quarteto nº 1 para violino, com o mesmo título.

sábado, 11 de abril de 2020

Do que fui lendo por aí... 36


Foi na música que o século dezanove cumpriu o seu sonho de criar formas trágicas comparáveis em nobreza e coerência às do drama clássico e renascentista: nos rituais e dores dos quartetos de Beethoven, no Quinteto em Dó Maior de Schubert, no Otello de Verdi e, perfeitamente, no Tristan und Isolde. (pg. 137)

George Steiner (1929-2020), in Tolstoi ou Dostoievski (Relógio D'Água, 2015).

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Glosa 9, ou a obesidade e a rasura


Olhando, despreocupadamente, para as estantes da minha biblioteca observo que, no linear da ficção portuguesa, o maior volume de lombada pertence a Os Maias, de Eça de Queiroz. Na ficção estrangeira, a maior largura cabe a Guerra e Paz, de Tolstoi, indiscutivelmente, bem mais extenso do que o romance de Eça.
O jornal Le Monde (15/9/2017) dedica ao tema dos livros-tijolos, um artigo de Éric  Loret, a propósito da reentrada de Outubro, em que as editoras anunciam, para a nova temporada, romances de 700, 900, e mesmo um recordista, Alan Moore, com as 1.264 páginas, com o seu romance Jérusalem
O suplemento literário do jornal francês admite que, na prática, os romances e obras de ficção têm vindo a crescer, na Europa. E que essa extensão se poderá dever à escrita em computador, que permite rasurar, com facilidade, e emendar sem trabalho os originais dos autores, sem o penoso sacrifício antigo da reescrita.
Por outro lado, ao ver nos transportes públicos estes calhamaços imensos a serem lidos por tantos leitores, pergunto-me se estas leituras não serão feitas com leviana sub-atenção. À tona. Mecanicamente, como quem reza e, simultaneamente, vai pensando noutras coisas... Numa ligeireza a que muitas dessas obras se prestam.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

2 reflexões de Tolstoi, a propósito de "Guerra e Paz"


"...O historiador, considerando exclusiva e singularmente o indivíduo em relação ao fim que visa, admite os heróis. Para o artista, que considera as relações do mesmo indivíduo com os múltiplos aspectos da vida, não pode e não deve haver heróis, mas apenas homens. ..."
...
"...A actividade desses homens só me interessava como esclarecimento dessa lei psicológica segundo a qual o homem que realiza o menos livre dos actos forja uma série de raciocínios retrospectivos, a fim de se provar a si próprio que é livre."

Considerações de Tolstoi, publicadas na revista "As antiguidades russas" (1888).

domingo, 7 de junho de 2015

Missão cumprida


Para lá dos dois casamentos felizes (Natacha e Pedro, Sónia e Nicolau) - que Tolstoi sempre é mais comedido do que Camilo - que se pressentem, anteriormente, da leitura de "Guerra e Paz", as 42 páginas finais da obra são consagradas a reflexões do escritor russo, sobre a História, a liberdade humana e a necessidade. Embora extensas, têm o seu interesse.

Laus Deo!

sábado, 6 de junho de 2015

Adagiário CCXXII : provérbio russo


Senhor, ajuda-me a dormir como uma pedra e a levantar-me como o pão.

Nota: citado por Tolstoi (Guerra e Paz, vol. III, pg. 68).

terça-feira, 2 de junho de 2015

Da leitura


A inacção de Kutuzov e a (forçada?) retirada de Napoleão de solo russo, que vão a par com a lenta aproximação do Inverno, despertam-me sensações e atitudes contraditórias, à medida que avanço para o final de "Guerra e Paz". Se a inacção bélica e o recuo parecem contagiar-me ao ócio, verifico, entretanto, que a velocidade de leitura, deste terceiro volume da obra-prima de Tolstoi, tem sido maior. Das 10/15 páginas iniciais, passei para as 20/25 páginas diárias, que faço à luz natural da varanda a leste, pelo fim da tarde.
Natacha, lentamente, desperta do desespero; já morreram André e Pétia, e Pedro, o mação bom-selvagem e marido atraiçoado, encontra-se num estado lastimoso, do ponto de vista físico, quando os compatriotas o libertam de prisioneiro dos franceses. A situação de desgaste dos dois exércitos acentua-se, ferozmente, sobretudo o das tropas napoleónicas. Mas os soldados russos, transidos de frio, com os 18º negativos, têm que abater bétulas, todos os dias, para fazerem fogueiras e se aquecerem, minimamente.
Eu vou-me deixando trespassar de lassitude e mornidão, pela amenidade dos 26º, positivos, que inebriam a varanda a leste.

domingo, 17 de maio de 2015

Pequena história (34)


A leitura de um romance, bem construído, cria quase sempre inesperadas associações, abre ramais noutras direcções, alargando os horizontes.
O general Mikhail Kutuzov (1745-1813), derrotado por Napoleão na grande batalha de Borodino (1812), segundo Tolstoi, no seu "Guerra e Paz" (Tomo II, pg. 371), por essa altura, andava a ler Madame de Genlis ("Os Cavaleiros do Cisne") e Madame de Souza, em língua francesa.
Intrigou-me esta última senhora, com apelido português. Depois de aturados esforços, vim a saber-lhe o nome todo: Adélaïde-Emilie Filleul, marquesa de Souza-Botelho. Filha de uma amante de Luís XV, nasceu a 14 de Maio de 1761, tendo falecido no ano de 1836. Escreveu vários romances. E, em 1802, o embaixador português em Paris, José Maria de Souza Botelho Mourão e Vasconcelos (1758-1825), 2º Morgado de Mateus, casou com ela, em segundas núpcias - era viúvo. A benefício de inventário, deve-se a este Morgado de Mateus a construção do magnifico solar homónimo e uma não menos preciosa edição de "Os Lusíadas", publicada a expensas suas, em Paris, no ano de 1817, com ilustrações de F. Gérard e Fragonard, entre outros ilustres pintores e gravadores.
E eis como, indirectamente, um português veio dar ao "Guerra e Paz", de Leão Tolstoi...

segunda-feira, 11 de maio de 2015

O todo e o mínimo


Será que o espaço geográfico determina a capacidade de um autor, no tratamento de grupos sociais, pela expressão artística? Foi a pergunta que me ocorreu, pouco depois de reiniciar a leitura de "Guerra e Paz" de Tolstoi, com as suas inúmeras personagens, de algum modo, cobrindo, transversalmente, a sociedade russa. De outra maneira, se o espaço nacional, em que nos movemos, diminui ou alarga o horizonte da expressão artística dos naturais - ver pequeno, ou ver grande... Será que os autores dos pequenos países estão confinados e amaldiçoados ao tratamento artístico de pequenos microcosmos regionais? E o todo se lhes escapa, sempre?
É evidente que "Guerra e Paz" é transversal na abordagem das várias camadas sociais, privilegiando embora as classes mais altas, em detrimento de camponeses e artesãos. Mas poderemos ver o inverso, mantendo-se a larga latitude, nas obras de Eisenstein, de D. W. Griffith ou de Kurosawa. Por aqui, Portugal, teríamos de recuar vários séculos atrás, para chegar até a "Os Lusíadas", de Luís de Camões. Quando ainda havia Império e longas extensões territoriais, abertas ao olhar...

sábado, 9 de maio de 2015

Levar o fio à meada


Regressado que foi o bom tempo e as temperaturas amenas, retomo, na varanda a leste, por entre os 4 limõezinhos recém-nascidos do limoeiro novo e as flores brancas das sardinheiras, a leitura de "Guerra e Paz" de Tolstoi. Abandonada que fora, há meses (Novembro de 2014), a obra, na página 247 do segundo volume, que vai a mais de meio, reabro de novo o calhamaço. Ao lado, e à mão, tenho, porém, Baltiques, de Tomas Tranströmer - gentilmente emprestado por H. N., em mais um rasgo atento de boa amizade - para o caso de o tédio vir a ser grande, na leitura da obra-prima (sem ironia, MR!) do escritor russo.
Re-constato as inúmeras gralhas, imperdoáveis, desta tradução portuguesa, da Inquérito, do já longínquo ano de 1957.
São quase sete horas da tarde, ainda há luz na varanda, e o céu, quase limpíssimo de nuvens, está nitidamente azul. Acabei a página 272...

domingo, 23 de novembro de 2014

Retro (58)


Uma imponente pose de dois grandes escritores russos: Tolstoi e Gorki.

Por arrasto


Veio à colação associativa o título Guerra e Paz - em livro -, porque também titulava o colóquio do Nexus Institute, onde a pianista Tamar Halperin (1976), sob o olhar suspenso mas apreciativo de Andreas Scholl, interpretava Alessandro Marcello (e que linda peça musical, não percam!...), inserto 3 postes abaixo, aqui no Blogue.
Ora trancreva-se, então, o pequeno trecho de "Guerra e Paz" e em palavras de Leão Tolstoi:
"Davout era o Araktcheiev do imperador Napoleão. Com a diferença de não ser poltrão, era meticuloso como o seu émulo russo, como ele cruel e incapaz de provar a sua dedicação ao senhor de outra maneira que não fosse pela crueldade.
Nos rodízios de um Estado são necessários tais homens, como são necessários os lobos na natureza; existem sempre, sempre eles se mantêm, por mais absurda que possa parecer a sua presença junto dos chefes do Estado, ou a sua intimidade com eles. Por esta absurda necessidade pode explicar-se como é que esse cruel Araktcheiev, que arrancava, com as suas próprias mãos, o bigode aos granadeiros, incapaz, aliás, por fraqueza nervosa, de afrontar o menor perigo, como é que esse homem, sem cultura, destituido da menor polidez, pôde conservar tamanha influência na natureza nobre, cavalheiresca e terna de um Alexandre? ..."
( Guerra e Paz, volume II, página 230)

sábado, 1 de novembro de 2014

À tarde, e em sequência de leitura


Com o tempo ameno que fez hoje dediquei uma pequena parte da tarde, na varanda, ao prosseguimento da leitura do segundo volume de "Guerra e Paz", de Leão Tolstoi. Cheguei até à página 230, um pouco depois da narração do início da invasão da Rússia, pelos exércitos de Napoleão, no Verão de 1812.
Como em qualquer romance, a obra tem pontos altos e de maior movimento, e momentos de distensão ou transição, em velocidade e ritmo de cruzeiro, onde cabem também algumas reflexões do autor. Em relação a estes últimos e abordando as razões múltiplas e absurdas da guerra, Tolstoi, metaforicamente, escreveu:

"...A maçã cai da árvore quando está madura. Porquê? Será porque é atraída para a terra, será porque seca o pequenino pedículo que a sustenta, será porque o sol a amadurece, porque se torna mais pesada, porque o vento a sacode, ou porque o garoto que está debaixo da árvore a quer comer?
Nada é uma causa, tudo é apenas concordância daquelas condições em que se realiza cada acontecimento vital, orgânico, elementar; e o botânico, ao explicar-nos que a maçã cai porque o tecido que a constitui se decompõe, tem tanta razão como o rapaz debaixo da árvore ao dizer que a maçã caiu porque ele queria comê-la e tinha rezado para que isso acontecesse. ..." (pgs. 218/9).

sábado, 11 de outubro de 2014

No prosseguimento da leitura


A continuada leitura de "Guerra e Paz", de L. Tolstoi, levou-me a fortificar algumas convicções anteriormente pressentidas. Antes de mais, e como boa parte dos romances do século XIX, a obra foca uma sociedade ociosa, ou que vive dos seus rendimentos fundiários. E cujas ocupações são apenas os bailes, as roupas, as viagens, as caçadas, os amores e a guerra. As referências a profissões mecânicas, ou a trabalhos agrícolas, são mínimas.
Do ponto de vista formal, a tradução de José Marinho parece-me boa, ou em bom português, pelo menos, mas a revisão, destes livros da Inquérito, foi extremamente desleixada - há inúmeras gralhas ao longo dos volumes. Por outro lado, a exiguidade de notas, ou quase total ausência delas (fossem elas de pé de página ou finais), parece-me um factor muito negativo. Se, hoje, alguns mistérios podem ser resolvidos, em 1957 - quando a obra saiu - o seu esclarecimento seria problemático. Refiro-me a termos russos, em itálico, que vão desde utensílios domésticos ou alfaias, danças típicas eslavas, até nomes de roupas...
Já aqui falei e clarifiquei (18/8/2014) o que era "Danielo Cooper" que, após alguma pesquisa consegui identificar como uma dança muito em voga, na sociedade russa da época. Desta vez, e mais recentemente, assim li na página 113, do II volume:
"Mitka afinou a balalaika e começou a Barínia num tom alegre e vivo."
Nota do tradutor ou editor, sobre o que fosse barínia, não há...Que imaginasse o leitor o que seria. O recurso à net e ao Youtube veio a permitir-me saber que se tratava de uma dança folclórica russa, que aqui fica exemplificada, numa versão actual:

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Reflexões sobre o ócio, a propósito da leitura de "Guerra e Paz", de Tolstoi


É habitualmente aceite, hoje em dia, que o ócio é imprescindível à criação artística, muito embora o facto possa ser mal visto pela grande maioria das pessoas comuns.
Haverá, porventura e para um leitor, duas formas fundamentais de ver e apreciar uma obra de ficção: pelo enredo ou pela construção do romance. É mais ou menos óbvio que a sociedade descrita por Tolstoi, em "Guerra e Paz" é a de uma classe social que se dedica, quase sempre, a ocupar os seus tempos livres, da forma mais agradável que acha possível.

...O gosto da ociosidade permaneceu no homem depois da queda, mas a maldição divina continua a pesar sobre ele, não só porque é obrigado a ganhar o pão que come com o suor do rosto, mas ainda porque a sua natureza moral o impede de encontrar contentamento na indolência. Uma voz secreta nos insinua que é culposo entregar-nos à preguiça e, entretanto, se o homem pudesse encontrar um estado onde lhe fosse dado sentir que continua a ser útil e a cumprir o seu dever permanecendo inactivo, deparar-se-ia nele uma das condições da felicidade pretérita. Esse estado de ociosidade imposta e não digna de censura é aquela de que goza uma classe inteira da sociedade, a dos militares. É esta ociosidade que constitui e constituirá sempre o principal atractivo do serviço no exército.
Nicolau Rostov experimentava plenamente essa beatitude a partir de 1807, continuando a servir no regimento de Pavlograd, onde comandava já o antigo esquadrão de Denissov. ...

E, se o excerto antecedente, de Tolstoi (pg. 88 do II volume de "Guerra e Paz"), aponta um dos ócios consentidos pela sociedade russa da época - o ócio dos militares -, também é verdade que eu nunca tive o meu tempo mais ocupado do que quando cumpri o meu serviço militar, já lá vão uns bons anos. Porque , ao não haver nada de útil e concreto para fazer, havia que ocupar, milimetricamente, todos os minutos e dias da vida militar: em exercícios, em arengas que exortavam à guerra, em treinos de tiro, em caminhadas e na dita instrução.
Hoje, o ócio mais consentido e dignificante, do ponto de vista social, é, sem dúvida, o dos CEO e o de alguns gestores de nomeada que se dedicam e desmultiplicam em assinaturas muito desenhadas, nas administrações de várias empresas e multinacionais - o ócio post-moderno.
Mas há, também, o ócio compulsivo: do desemprego crescente, actual.

domingo, 21 de setembro de 2014

As tarefas menores e necessárias


Acabada, a meio da tarde, a leitura do primeiro volume de "Guerra e Paz", de Leão Tolstoi, dediquei-me, durante quase vinte minutos, à abertura das 456 páginas do segundo livro. Tarefa levada a cabo com a macia, mas incisiva faca talhada da carapaça de uma tartaruga santomense.
Consegui não rasgar nenhuma das folhas, do papel amarelecido pelo tempo, deste volume editado pela Inquérito, comprado com os outros dois, por Esc. 150$00, na Casa das Novidades, em Guimarães, há já 57 anos. A leitura, deste segundo livro, iniciá-la-ei em breve.
A adesão a um projecto tem que ser acompanhada de disciplina e vontade. E, mesmo que não retire especial prazer da leitura de "Guerra e Paz", creio que, quando completar a leitura dos três volumes, a que me comprometi, retirarei alguma satisfação do dever e objectivo cumpridos.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Diferentes velocidades


É provável que a velocidade de leitura de um livro seja proporcional ao prazer que nos dá.
Se "O Aprendiz de Feiticeiro", de Carlos de Oliveira, me ocupou, ininterruptamente, uma noite de Verão, quase em claro, já o primeiro livro que li (A história da Carochinha...) levou-me 3 dias a ler, porque a prática de leitura era nenhuma.
Os ritmos de leitura, por uma mesma pessoa, podem ser bem diferentes - é uma verdade de La Palice, que só recentemente compreendi na sua verdadeira extensão. E dependem, fundamentalmente, do interesse e gosto pelo livro e/ou pela acção da própria narrativa, e pela curiosidade (também) que desperta. Serão mais lentas, como é evidente, as leituras de romances de ideias ou ensaios.
Entre a parcimoniosa e lenta leitura que venho fazendo de "Guerra e Paz", de Tolstoi, na versão portuguesa de José Marinho, e a velocidade a que avanço na tradução/leitura do original (em francês) de La mort d'Auguste (1966), de Simenon, vai uma diferença de tomo...
Será, porventura, um sacrilégio, mas não tenho vergonha de o constatar, naturalmente.

domingo, 31 de agosto de 2014

Contos


Um número restrito de personagens e páginas (senão, transforma-se em novela), uma certa concisão narrativa, um leitmotiv forte, a tensão musculada das frases, de preferência breves (Hemingway, por exemplo), fazem do conto um caso à parte na prosa literária.
Há contos que são uma aguadilha, outros, um concentrado forte que não medrou para romance, talvez por impaciência do escritor. O remate, como no soneto, terá que ser apropriado e impressivo. Se possível, surpreendente, como num bom policial.
Esse clarão final, que fica na memória, é que nos permite, depois, reconstituir os antecedentes narrativos e recontar o conto a algum amigo nosso, que o não conheça. Muitos desses contos exemplares vieram da pena de Maupassant ou da caneta de Maugham.
E eu já andava com saudades de ler contos. Por isso, ontem, comprei duas antologias, na rua Anchieta, para me regalar e fartar. Ou talvez tivesse sido para funcionar como antídoto à leitura de "Guerra e Paz", de Tolstoi, que é um romance enorme, em 3 volumes. Estes contos são pequenos microcosmos narrativos...para intervalar.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Lembrete 21


Memorando para disciplinar as leituras:

Manhã - "Guerra e Paz" (Inquérito, 1957), de Leão Tolstoi.
Tarde - "Dufy" (Skira, 1954), de Jacques Lassaigne.
Fim da tarde e noite - "Categorias e outras paisagens" (Afrontamento, 2013), de Fernando Echevarría.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Achar o fio à meada...


"Logo que se ouviram os sons alegres de «Danielo Cooper», tão parecidos com a dança russa do trepak..."
" - Sim, isto é que é «Danielo Cooper" - replicou Maria Dmitrievna..."
Estas palavras podemos encontrá-las, respectivamente, nas páginas 87 e 88 do romance "Guerra e Paz" (Inquérito, 1957), de Leão Tolstoi (1828-1910), na versão portuguesa de José Marinho. A busca a que procedi sobre esta dança, não me trouxe dados muito sólidos, e até o próprio nome aparece sob múltiplas siglas: Danilo Kupor, Daniel Cooper, Danila Cooper, para além da que foi escolhida pelo tradutor português.
Ao que parece, teria sido uma dança muito popular entre a aristocracia russa, no período das guerras napoleónicas (1803-1815), daí ser referida por Tolstoi. A música teria tido a sua origem numa antiga contradança inglesa, caracterizada por movimentos fáceis, mas rápidos, provindo o nome do compositor que a criou.
O vídeo é uma encenação moderna, russa, desta música e dança, mas dará para fazermos uma ideia de como seria executada, no tempo de "Guerra e Paz".

com envoi para MR.