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quinta-feira, 9 de maio de 2024

Recomendado : cento e um

 

Por uma vez acontece, talvez, que depois de vários números comprados que foram autênticas decepções, este exemplar duplo de Le Nouvel Obs, com a temática da Libertação e o verão de 1944, promete uma proveitosa leitura ao ser folheado. 
Assim espero que se venha a confirmar, em nome dos bons velhos tempos.

sábado, 28 de agosto de 2021

Tomar o pulso



O antigo Le Nouvel Observateur, hoje renomeado L'Obs, na altura dirigido por Jean Daniel (1920-2020), terá sido certamente a revista estrangeira que eu mais frequentei. Os meus primeiros contactos com o magazine datam de 1968 e até há pouco tempo, embora com interrupções breves anteriores, continuaram. A fraca qualidade presente da revista fez-me interromper a compra sistemática e semanal. Muito embora não resista, por hábito antigo, a tomar-lhe o pulso, de vez em quando, para aquilatar da sua qualidade actual. Foi o que fiz recentemente.
Não me parece ter havido uma melhoria significativa, neste último número. Mas gostei de saber, pelo L'Obs, que Joséphine Baker (1906-1975) ganhou as honras do Panthéon, onde virá a ser inumada a 30 de Novembro de 2021. Será a sexta mulher a ser sepultada no local. E creio que a primeira negra.



terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Mercearias Finas 138



A saudade também tem vocação natalícia, mesmo que a não queiramos convocar ou ter por perto.
Iniciei-me na Mosca, em finais de 1968, ali para as bandas de Santa Apolónia. No bar da instituição militar quotidiana, era a única aguardente velha que havia e, democraticamente, era apreciada pelos cabos, sargentos, milicianos mesmo que requintados, e até mesmo pelo major Gaspar, que comandava o departamento, com o seu fino bigode à Errol Flynn e algum, morigerado, liberalismo marcial.
Depois dos cafés, os cálices eram bem pequenos, para não prejudicar a actividade produzida pelos serviços de informação e segurança, que se albergavam nas quatro paredes da instituição. E os milicianos, já muito pouco afectos à fé e muito menos ao regime, e, alguns deles, até confessos marxistas, que trabalhavam as FTI's e outros documentos, muitos deles provindos das (ex-)Colónias,  e que precisavam de lucidez bastante para elaborarem os semanais PERINTRANSREP,s (há dois Pedros, um pintor e outro ex-ministro que, se lerem este poste, sabem destas siglas aberrantes...). Naquela amálgama de gente, era flagrante e notório que o regime estava já minado por dentro.


No meio deste albergue espanhol, eu era um dos mais inocentes. Foi por essa altura que comecei a ler Le Nouvel Observateur, que o Martins, marxista confesso, assinava, consubstanciando, assim, teórica e ideologicamente, a minha ainda frágil cor política. Mas apanhei-lhe, também, o gosto, à Mosca. Ainda a fui comprando, depois de integrar a vida civil e enquanto a  José Maria da Fonseca a foi produzindo, estagiada que era passando pelos cascos envelhecidos e sabendo ao Moscatel de Azeitão, no travo macio posterior, prolongado.



Depois, acabou-se, deixei de a ver nas gôndolas das grandes superfícies, por meados dos anos 80, embora ela já viesse do longínquo ano de 1937. Provavelmente a aguardente moscatel teria deixado de ser moda, no consumo, e a empresa a tivesse deixado cair no esquecimento e sair do seu rol de produtos.
Anteontem, porém, voltei a vê-la, ressuscitada, e não resisti. Embora mais cara (cerca de 17 euros), era tão boa como outrora, que já a provei, nos seus 37º harmoniosos, e posso dar testemunho do aroma e do seu fino sabor a Moscatel...

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Despedida


A primeira vez que folheei, de empréstimo, Le Nouvel Observateur, terá sido em finais de 1968 ou 1969, num estabelecimento militar, ali para os lados de Sta. Apolónia. O exemplar da revista era do Martins, jovem louro de formação marxista, e que, com o Neves, o Roseta, o Medeiros (de Valpaços, também louro, mas muito de direita, politicamente) e o Trindade, alferes milicianos, além de mim, completávamos a equipa de serviço. Estávamos a cerca de cinco anos do fim do Império...
Na altura, Jean Daniel (1920), pied-noir esclarecido e que fora grande amigo de Albert Camus, pontificava na conceituada revista francesa, que eu comecei a comprar, semanalmente, a partir de 1971. De alguma forma, o magazine contribuiu para fortalecer a minha formação ideológica e política, que se iniciara em Coimbra, em 1963, com as movimentações académicas. E foi com algum orgulho patriótico que vi Portugal, nos anos de 74 e 75, fazer algumas capas de Le Nouvel Observateur.
Com alguns hiatos e, recentemente, de forma mais esporádica (folheava-o previamente, para ver se me interessava), fui-o adquirindo às Quintas ou Sextas-feiras. Mas fui-me também apercebendo, com mágoa, da diminuição gradual de qualidade da revista francesa, das cedências ao lado róseo das coisas, do aumento de imagens nas páginas, da trivialidade de muitos temas abordados, do abaixamento profissional de uma boa parte dos jornalistas e colaboradores.
No local onde o compro, dos 6 exemplares que recebiam, há 4 ou 5 anos, passaram apenas a 2, que, muitas vezes, nem se esgotavam, apesar de menos. Ou seja, nem as cedências à banalidade de parte dos assuntos tratados fizeram com que a revista se vendesse mais - o crime nem sempre compensa, felizmente... E, às vezes, eu pensava que o velho Le Nouvel Observateur se tinha transformado, para além do nome (que agora se chama L'Obs.), numa espécie de Hola de luxo, com temas políticos.
Mas hoje, ao comprá-lo, no quiosque lisboeta habitual, tive mais uma desagradável surpresa. Dos 3,90 euros, que custava, passou a custar 4,70 euros: mais de 20% de aumento, numa publicação que, sendo de prestígio antigo, só tem vindo a piorar de qualidade, nos tempos mais recentes.
Para mim, chega!...

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Citações CCXXXIII


A propósito da "varredela" do latim e do grego, como opção, dos programas de ensino francês ( Projecto Collège 2016, da ministra da Educação, Najat Vallaud-Belkacem), Régis Debray (1940) declara em "L'Obs":

"Esta falsa reforma aplica no domínio escolar a visão do mundo da nossa classe dirigente. Ela é desprovida de consciência histórica, educada na superstição da economia e das finanças, dedicada ao culto exclusivo do número e do quantitativo."

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Recomendado : cinquenta e três


Dia de Reis, hoje, não será despropositado falar de religião...
Uma boa parte dos crentes, do Islão ao Cristianismo, estrutura em elementos emocionais ou atávicos a sua fé. Daí, por vezes, uma deriva até ao fanatismo. Em situações normais, no entanto, e quando perdida essa crença, algo fica de residual, no ser humano: uma moral, para não dizer - uma ética.
Por isso, as palavras de Maurice Sachot, que vou citar, fazem sentido, para mim. Vêm numa entrevista que abre o dossiê que o L'Obs/Hors Série (em imagem) dedicou a Jesus Cristo. Ei-las: 
"...o facto de se considerar que, desde a sua aparição (o cristianismo) é pensado, em si mesmo, como uma religião, no sentido que nós damos a este termo, é certamente fonte de numerosas abordagens. Porque isso não é verdadeiro senão com a refundação do cristianismo no mundo latino, a partir do século II. Antes, o cristianismo, tirando a região judaica, desenvolveu-se numa área cultural muito diferente: o mundo helenístico. E, aí, ele construiu-se como uma filosofia. ..."
Aqui fica a chamada de atenção para este número especial de L'Obs, saído recentemente, a quem possa vir a interessar

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Um debate


A propósito do crescimento exponencial da extrema-direita na Europa, e particularmente em França, o último L'Obs (nº. 2609) transcreve o diálogo de um debate, que promoveu, entre dois historiadores, estudiosos do fascismo: o israelita Zeev Sternhell (1935) e o francês Serge Berstein (1934). Divergentes quanto ao berço (França? Itália?) dessa doutrina e prática política, os historiadores não tiram uma conclusão definitiva. Mas houve uma pergunta retórica de Berstein que eu sublinhei e retive: A partir de 1926-1927, une question se pose avec force: que peut-on proposer à un pays qui ne retrouvera jamais la prosperité et la joie de vivre de la Belle Epoque?

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Novo grafismo, diminutivo antigo


Saúde-se a ligeira mudança, que não me parece que altere, substancialmente, o que tem sido o conteúdo, nos dois ou três últimos anos, e a marca mais visível de Le Nouvel Observateur. A grande entrevista e foto de capa até fazem esquecer o editorial de boas intenções do veterano Jean Daniel...

Perplexidades menores


Que me fará iniciar, hoje, o terceiro poste sobre Patrick Modiano (1945), Nobel de Literatura 2014, francês, mas de que nunca li nenhum livro, até agora?
A sua prestação em vídeo-entrevistas (Youtube) é canhestra, titubeia interminavelmente nas respostas, parece ter um pensamento errático e desarrumado, faz grandes gestos desacompanhados, abusa frequentemente de jargões: evidemment, é um deles...
E o mais estranho é que, nem os dois últimos Le Monde des Livres, nem os 2 mais recentes "Obs." disseram o que quer que fosse sobre ele, ou sobre a sua obra. Terá Modiano má imprensa? É bem possível...
Mas estas misteriosas omissões insólitas e curiosas seriam comparáveis, por exemplo, a que, aquando da atribuição do Nobel a José Saramago, nem o JL, nem a revista Ler, nem o Atual (Expresso), nem sequer a ípsilon (do jornal Público) falassem dele.
Talvez Modiano seja apenas aquilo que os franceses disseram de Hollande: "É um homem normal." No caso concreto: é um escritor normal (banal?). Ou terão vergonha de falar sobre ele?

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Qualidade, quantidade e coscuvilhice


Era sabido que os romances de Patrick Modiano (1945), em França, não se vendiam muito (em Portugal, parece que também não...), embora o considerassem um digno sucessor de Simenon, na sábia construção de atmosferas. É provável que, agora e por algum tempo, passe a vender mais, que o Nobel acaba sempre por trazer às livrarias alguns cordeirinhos tresmalhados.
Entretanto, a última obra da senhora Trierweiler - diz o "Obs." - já vendeu 442.000 exemplares, fazendo, com certeza, o pleno dos leitores das melhores revistas róseas gaulesas. E até nem incluo nestes consumidores, por uma questão de justiça, o sr. Hollande, que tinha todo o direito ( e interesse) de conhecer o enredo dessa obra histórica e actual. Mesmo que já não tivesse uma atmosfera nupcial...

domingo, 24 de agosto de 2014

Ficções


Se no TLS se anuncia que uma das temáticas mais frequentadas por romancistas, na actualidade, é a auto-ficção, o "Obs.", por sua vez, informa sobre uma "rentrée historique", com uma abada de biografias romanceadas. Que vão  de umas memórias imaginadas, aos 93 anos, de Carla Bruni ("La veillesse de Carla B."), escritas por Patrick Besson, até ao Trotski mexicano dos anos 30 ("Trotski, Lowry & Cie."), de Patrick Deville, passando pela revisitação desportiva de Zidane - "Chant furieux", de Philippe Bordas, a ser  publicado pela Gallimard.
E tudo isto me fez lembrar que, aqui há uns anos, e por motivos que não vem ao caso, pude constatar, por comparação cronológica, a prática possibilidade temporal de Eça se ter podido cruzar com Cavafy, nas ruas de Alexandria. Quando por lá passou (1869), para assistir à inauguração do Canal do Suez. Viagem que talvez lhe tivesse proporcionado matéria e inspiração para a escrita de "A Relíquia" (1887).
Por isso, se poderá concluir que, para a ficção, haverá sempre motivos. Desde que a imaginação discorra, fluindo, e o romance não se torne obsoleto, por falta de leitores...

sábado, 9 de agosto de 2014

As dívidas


A informação é do último "Obs.", que revela a dívida de diversos países, em relação ao seu PIB. Neste caso, ficar em 6º lugar, não é famosa proeza. E nem sequer estamos em grande companhia...

quarta-feira, 23 de julho de 2014

As diferentes perspectivas


Por mero acaso, e num espaço de pouco mais de 24 horas, tive conhecimento noticioso de 4 métodos ou perspectivas de encarar os reclusos: em Portugal, no Brasil, em França e na Inglaterra. Países que, todos eles, se debatem com o problema da sobrelotação das cadeias. E que o procuram mitigar. Assim:
1. o jornal Público, na sua edição de ontem, como se pode ver pela imagem, titulava a questão logo na primeira página. O título é que me parece mal enjorcado e presta-se a confusões de interpretação...
2. no "Obs." (nº 2593) colhi a informação de que, pelo menos numa prisão brasileira (Catanduvas), os reclusos são desafiados a ler um livro por mês e fazer o seu resumo respectivo. Por cada livro lido e resumido, terão uma redução de pena de 4 dias;
3. na mesma revista, dá-se notícia que a ministra da Justiça francesa, Christiane Taubira, apresentou, no Parlamento, um projecto de reforma penal em que se propõe, em relação aos presos que aceitem participar em actividades culturais, nomeadamente, leitura, que, em contrapartida, venham a ter, também, uma diminuição de pena;
4. ainda do "Obs.", em Março último, Chris Grayling, ministro da Justiça britânica, proibiu expressamente que os reclusos recebessem de ofertas ou encomendas exteriores os seguintes produtos: livros, selos, lápis e papel. Podendo, no entanto, adquiri-los no interior das prisões. "Para acelerar a sua reabilitação" - justificou-se ele.
Não quero fazer qualquer juízo de valor sobre a bondade destas diferentes medidas. As diversas perspectivas, que estão por trás destas decisões, parecem-me óbvias e decorrentes de formas de pensamento político e humano muito singulares.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Uma ironia de Jean Daniel, sobre F. Hollande


"...Ele é feito dessa fibra e temos que nos resignar. (...) E, no entanto, eu encontrei, neste 14 de Julho, um François Hollande melhor do que o habitual. Com o risco de parecer indulgente, ou até mesmo complacente, descobri que, nele, mesmo os seus defeitos não deixavam de ter uma certa robustez. ..."

Jean Daniel, no Editorial de Le Nouvel Observateur (nº 2593).

sábado, 5 de julho de 2014

Palavras da semana


A realidade é mais simples, e mais terrível: para uma boa parte dos americanos, a guerra tornou-se numa abstracção. Uma espécie de jogo de vídeo.

Le Nouvel Observateur (nº 2591).

terça-feira, 1 de julho de 2014

Os diversos turismos


O último "Obs." (nº 2590) dá conta do bem sucedido progresso, em França, do temáticamente chamado "turismo da memória" que, só em 2 regiões específicas (Verdun e praias da Normandia), contribuiu, em 2013, com 7 milhões de visitantes, (300.000, em Verdun). Os números do "negócio", só nas peregrinações às praias, são vultuosos: 45 milhões de euros, por ano. O grosso dos turistas vem da Inglaterra e Estados Unidos, mas também há muitos canadianos, australianos e sul-africanos. As praias e as necrópoles de soldados são os dois principais pontos altos deste turismo singular. Por razões compreensíveis, os turistas alemães, neste nicho saudosista e evocativo, são em número residual. E, neste ano de 2014, em que se celebra o centenário da I Grande Guerra e os 70 anos do desembarque na Normandia, espera-se, nestas regiões, um aumento considerável e significativo de "turistas da memória".

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Sobre o tema do dia, com citações do "Obs."


"...As chaves do sucesso do futebol devem-se à simplicidade das suas regras, 14 de início, depois 17, que variaram muito pouco desde 1890, e também a um equilibrado compromisso entre habilidade técnica e apuramento físico. E porque é menos violento do que o rugby, a Igreja católica ajudou muito à sua promoção. ..."

Paul Dietschy, in Le Nouvel Observateur (nº 2588). 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Propaganda e gastronomia post-moderna


De "Le Nouvel Observateur" (imagem e citação) nº 2587, de 5 de Junho de 2014:

"Os gourmets post-modernos trabalham mais sobre os signos do que sobre os sabores, manipulando mais eficazmente os códigos e as imagens do que o gosto."

Olivier Assouly

sábado, 19 de abril de 2014

De um editorial do "Obs."


Será que teremos de nos resignar à morte lenta da Europa? Os erros repetidos dos responsáveis de Bruxelas, o dogmatismo trágico das autoridades monetárias, o crescimento generalizado das obsessões identitárias: tudo concorre para isso. O continente estagna, as instituições fraquejam, as economias divergem, o desemprego persiste, a obra comum estiola-se, os povos distanciam-se de uma construção de que eles não compreendem nem a utilidade nem a finalidade e que vêem apenas como o braço armado duma abertura a todos os ventos que ameaçam os seus bens adquiridos e o seu futuro. Dentro de seis semanas, os Europeus votam: eles correm o risco de votar contra a Europa. Ou, em todo o caso, de enviar para o Parlamento, encarregado de representar o espírito comum, um contingente de partidos anti-europeus suficientemente forte para conseguir destruí-lo. (...)

Laurent Joffrin, in SOS Europe (17/4/2014).