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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Casas de morrer


Agora, têm nomes floridos, folclóricos e apelativos: Cantinho da Paz, O Jardim dos Avós, A Idade da Razão... Quando eu era menino e moço, eram nomeados de forma muito mais prosaica - Ordem Terceira de... E havia poucos; hoje, são como cogumelos, nos subúrbios, muitos deles, e são negócio rentável, em vivendas adaptadas, nem sempre licenciados. Fora dos centros das cidades, como lazaretos. Porque a necessidade é muita, e os velhos cada vez são mais, naquela falácia dos hipócritas que falam da qualidade de vida, de viver até mais longe.
Não se vem de lá feliz. A fragilidade humana extrema, os corpos inertes como de flébeis passarinhos que já não cantam e jazem por terra, o olhar desbotado e sem brilho, o silêncio pesado de gente que conhecemos nas suas plenas faculdades, e que agora parecem vegetais sem nome, nem identidade. Fomos depois até à praia, para espairecer e ganhar forças. Difícil. Porque estarmos no Carnaval até parecia uma ironia despropositada e aberrante.
Por isso, Testamento Vital ou Eutanásia Assistida, para mim, fazem todo o sentido. E podem ser um acto humano misericordioso, pragmaticamente justo. E que vão para o diabo as virgens ofendidas e os hipócritas do costume e de serviço, com os seus pretensos sentimentos piedosos e moralistas.