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sábado, 1 de fevereiro de 2014

Lazer


Posso dizer, felizmente, que, na minha infância e adolescência, houve espaço para o lazer. O que, na verdade, significava também liberdade. E autonomia e responsabilidade para o uso desse ócio. De perder tempo, mas também de imaginar e pensar, de preencher a meu modo os espaços (aparentemente) vazios. De brincar, de acertar contas e inventariar acções, sem grandes nem rigorosos pragmatismos.
Creio que, a partir dos anos 80 do século passado, começámos a assistir à ocupação total dos tempos livres e dos espaços, com os pais, frenéticos, a inscrever, sistematicamente, os filhos em aulas de judo, de línguas, de natação, de música ou ballet... No tempo sobrante, as criancinhas derramavam-se num sofá, estafadas e quietas, frente ao televisor. E, julgo, que começaram a crescer e amadurecer muito mais devagar.
Suspeito, embora possa estar a ser injusto, que alguns pais procuravam que os filhos os não incomodassem demasiado. Mas, mesmo que de boa-fé, perdeu-se muito desse diálogo intergeracional que contribuía, mesmo que não fosse seguido, de imediato, pelos mais novos, perdeu-se - repito - essa transmissão de experiência, fundamental para o amadurecimento e compreensão da vida.
Pode haver hoje, realmente, mais competência tecnológica e mais destreza física nos infantes. Mas a alforria chega mais tarde e a infantilização - parece-me - vai mais longe.