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segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Da leitura 49



De Laurent Greilsamer, René Char (2004), a páginas 563, traduzindo:

Tigron* declina. Também ele sofre de vários males: problemas respiratórios, problemas de visão. Char fala dele com respeito e consideração: "Ele sabe, sobre o essencial, talvez mais do que nós. E isso não me surpreenderia que ele pensasse como um frade franciscano."

e

Tal como Orion, Tigron* cegou. Os seus olhos dourados ganharam uma sombra de tom azulado. Char manda chamar um amigo biólogo, Léo Goudard, que lhe promete atenuar esta situação. E, de facto, um tratamento - uma injecção diária - permite-lhe recuperar a visão e poder rever a aurora. (pg. 569)


* nome do cão de René Char (1907-1988).

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Divagações 162


São como as cerejas, as palavras - diz-se. E assim foram, para mim, contagiosas. De Agustina (O Susto), passei para Pascoaes (Regresso ao Paraíso) que, curiosa e poeticamente, nunca me contagiou muito; e ao ensaio e antologia escolhida por Sena (Brasília Editora) sobre o poeta de S. João de Gatão. Poupei-me a reler Os Afluentes do Silêncio, em que Eugénio traça um belo e comovido retrato de Teixeira de Pascoaes (1877-1952), real e não ficcionado como o de Bessa-Luís.


Pela biografia de René Char (Tempus, 2013) ando eu, há meses, mergulhado em leituras do maravilhoso texto de Laurent Greilsamer. Até que fui dar com umas palavras sobre o pintor russo Nicolas de Staël (1914-1955), amigos que eles foram, que me fez ir à estante buscar o livro de Antoine Tudal (Le Musée du Poche, 1958). Sucinto de escrita, como convém à biografia de um suicida, mas bastante. E de competente iconografia.
Fiquemos por aqui!

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Pequena história (57)


O episódio singular vem descrito a páginas 234/5 da obra René Char (Tempus, 2013), de Laurent Greilsamer. Se eu tivesse que lhe dar um título individualizado, pôr-lhe-ia: Uma noz medieval...
Por volta de 1942/3, o poeta René Char (1907-1988), com o nome de guerra Alexandre, comandava, na zona de Ceréste, um grupo da Resistência francesa, contra os nazis ocupantes.
Precisavam na região de um terreno discreto e favorável a aterragens de pequenos aviões, vindos de Inglaterra, que pudessem vir descarregar provisões e armas, ou até trazer e levar resistentes.
Conseguiram escolher o local ideal, pertencente a um quinteiro da região. Havia porém um problema: uma centenária e frondosa nogueira ocupava o centro do desejado e futuro "aeroporto".
Após aturados esforços lá conseguiram convencer o quinteiro, que lhes tinha arrendado o referido espaço, a consentir que deitassem abaixo a produtiva e longeva árvore de fruto.
Demos, então, a palavra a Laurent Greilsamer:
"...Le lendemain, Alexandre remonte sur le plateau avec une équipe pour s'attaquer au noyer. Ils dégagent la base de l'arbre, cherchent la racine majeure et finissent pour isoler une épaisse liane qu'ils suivent sur une dizaine de mètres. À son extremité repose... la dépouille d'un guerrier dans son armure!
Char jubile. Quel histoire! ..."
Séculos depois, a noz, que o guerreiro tinha guardada na sua algibeira, produzira frutos.