O episódio singular vem descrito a páginas 234/5 da obra René Char (Tempus, 2013), de Laurent Greilsamer. Se eu tivesse que lhe dar um título individualizado, pôr-lhe-ia: Uma noz medieval...
Por volta de 1942/3, o poeta René Char (1907-1988), com o nome de guerra Alexandre, comandava, na zona de Ceréste, um grupo da Resistência francesa, contra os nazis ocupantes.
Precisavam na região de um terreno discreto e favorável a aterragens de pequenos aviões, vindos de Inglaterra, que pudessem vir descarregar provisões e armas, ou até trazer e levar resistentes.
Conseguiram escolher o local ideal, pertencente a um quinteiro da região. Havia porém um problema: uma centenária e frondosa nogueira ocupava o centro do desejado e futuro "aeroporto".
Após aturados esforços lá conseguiram convencer o quinteiro, que lhes tinha arrendado o referido espaço, a consentir que deitassem abaixo a produtiva e longeva árvore de fruto.
Demos, então, a palavra a Laurent Greilsamer:
"...Le lendemain, Alexandre remonte sur le plateau avec une équipe pour s'attaquer au noyer. Ils dégagent la base de l'arbre, cherchent la racine majeure et finissent pour isoler une épaisse liane qu'ils suivent sur une dizaine de mètres. À son extremité repose... la dépouille d'un guerrier dans son armure!
Char jubile. Quel histoire! ..."
Séculos depois, a noz, que o guerreiro tinha guardada na sua algibeira, produzira frutos.