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terça-feira, 17 de junho de 2025

Divagações 206

 

É minha convicção que o rigor e a exigência abrandaram no mundo, nos últimos tempos. A tolerância quando não o relaxe ganharam uma flexibilidade impensável ainda no século passado. Ponto assente, anteriormente, era de considerar a literatura policial como um género menor...
A precedência de Georges Simenon em La Pléiade, de algum modo, permitiu que a prestigiada colecção francesa, quase equivalente a uma academia de imortais, viesse a albergar  agora parte dos livros de Arthur Conan Doyle (1859-1930), em dois volumes. Incluindo a dita obra canónica do escritor composta por 4 romances policiais e 56 novelas, produzidos entre 1887 (Um estudo em vermelho) e 1927, que têm por figura central o detective Sherlock Holmes. 

sábado, 9 de janeiro de 2021

Um CD por mês (21)


Pianista autodidacta, Walter Gieseking (1895-1956), nascido em França embora de ascendentes alemães, desde cedo foi considerado um competente intérprete de Mozart, Mendelssohn, Grieg e Ravel. Dotado de uma memória prodigiosa e vasta obra executada e gravada, a EMI Classics - Références, achou por bem, em 1998, incluir Gieseking na sua colecção nobre. Sinónimo, em música erudita, de uma consagração, em literatura, comparável à conhecida colecção da Bibliothèque de la Pléiade. Creio que terá sido em 1999 que comprei este duplo CD, na Valentim de Carvalho, ao Rossio.




quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A democratização da glória


O nosso tempo está carregado de pressa e sofreguidão. Não se compadece com as minudências do rigor nem com o olhar desapaixonado da distância. A reflexão ponderada, para muitos, é pura perda de tempo e uma inutilidade dispensável.
E a própria e prestigiada colecção La Pléiade, da Gallimard, começa a parecer-se, cada vez mais, com os panteões e os nóbeis, que entraram num processo acelerado de banalização democrática.
O escritor português António Lobo Antunes (1942) vai integrar, também, La Pléiade. Não sei se fico contente... Mas, pelo menos, Fernando Pessoa não ficará sozinho, nas estantes da Gallimard, a falar com os seus botões ou com os seus heterónimos, em português. E Pessoa merece tudo. Mesmo as más companhias.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Do que fui lendo por aí... (13)


Por uma daquelas razões singulares, ou coincidência frutuosa, encontro-me a ler, em locais diferentes, dois diários da mesma época (1939-1945), escritos por dois intelectuais (Gide e Jünger), em França. Se nas notas do ocupante alemão predomina uma atmosfera de tranquilidade, apenas interrompida por alguns sonhos perturbantes, que ele descreve ao pormenor, nas palavras sobre o dia a dia do francês ocupado (Gide) perpassa uma fina angústia que o leva a abordar circunstâncias dramáticas do passado (curiosamente, ainda hoje actuais), sobre a liberdade. Vou assim dar a palavra ao escritor francês, em dois pequenos extractos:


"... Os judeus, também, de oprimidos se transformaram em opressores, como sucede, parece que necessariamente, logo que as convicções religiosas contam com o apoio do poder - digamos ,simplesmente, se têm poder. ..."
...
"... Texto da excomunhão pronunciada contra Spinoza, a 2 de Julho de 1656: «Que ele seja amaldiçoado dia e noite... Que Deus não possa nunca perdoar-lhe. Ordenamos que ninguém tenha comércio com ele, por palavra ou por escrito, que nunca ninguém lhe dê mostras de amizade, dele se aproxime ou habite sob o mesmo tecto, que ninguém leia nenhuma obra escrita ou composta por ele."
...


André Gide (1869-1951), in Journal - 1939-1949 (Pléiade. 1955).

sábado, 11 de abril de 2015

Imortalidades


A polémica mais acesa, presentemente, em França e nos meios intelectuais, é a pré-anunciada inclusão da obra de Jean d'Ormesson (1925) na prestigiada colecção La Pléiade, da Gallimard. Muitos contra, alguns, a favor. O simpático Académico ficará situado entre Mark Twain e Casanova, que se lhe seguirá. Escusado será dizer que estar representado na colecção é uma consagração e o direito de ser considerado um clássico - a fictícia imortalidade...
Há sempre divisões, sempre que um vivo é institucionalizado, ou um recém-falecido, como foi o caso da polémica a propósito da entrada de Simenon na célebre colecção francesa. Mas como me dizia um romancista, aqui há uns anos: "Eu quero a glória e o proveito é enquanto estou vivo!..." Felizmente que o nosso Panteão Nacional só acolhe os mortos. O clamor acaba por se atenuar, quase sempre...