Mostrar mensagens com a etiqueta Lourinhã. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lourinhã. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Mercearias Finas 157


Não sei qual o motivo que presidiu a este almoço de homenagem, em 12 de Fevereiro de 1961, ao Cardeal-patriarca Manuel Gonçalves Cerejeira (1888-1977), nem sequer o local onde teve lugar (Lourinhã?).
Mas a escolha de iguarias pareceu-me criteriosa, a começar pela Canja de Galinha - confere!
O Linguado, também, mais os Escalopes. Fiquei no entanto intrigado com a sobremesa: o que será o Braço Gitano*? Será a favor do ecumenismo? Aprove-se também o Ananás, açoriano certamente.
Só foi pena a ementa não descrever os vinhos e os espirituosos...

* Posteriormente ao poste, vim a descobrir que esta sobremesa é a canónica Torta Recheada ou, como domesticamente se chamava, na minha casa minhota de infância, o Rolo (dominical). Recheado tradicionalmente com geleia de marmelo.

Um bom almoço, a quem ainda o pratica e cozinha, em casa!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Produtos Nacionais 21


Falemos de Broa. De milho.
Que era, aqui há uns 60 anos e no Minho, o contrapeso, nas padarias, para o acerto de trocos em tostões do montante pago pelos bijous e bicas. E, muitas vezes, única refeição de pobres, com magro concurso e conduto de uma sardinha, ou singela malga de caldo. Eram broas enormes essas de antanho, esbranquiçadas de miolo, gretadas na crosta pelo calor do fogo de fornos rústicos e artesanais. A côdea era rija, quase tinha que se rilhar. Outras vezes, esfarelava-se na sopa, para melhor a amolecer. Era, porém, imprescindível para acompanhar o Caldo Verde, com a sua tora e a rodela de chouriço, mais o fiozinho de azeite canónico.
Ainda a vi cozer em casa do meu Tio, no forno ao fundo do quintal, na antiga rua dos Palheiros vimaranenses (hoje, renomeada e militarizada para Humberto Delgado), e em Urgezes, já fora de portas, pela dona Irene, que era a especialista da família Coelho. E lhe punha folhas de vide, por baixo, para que não crestasse muito no lar.
Ainda hoje considero a broa como o acompanhante ideal para um cozido de bacalhau, com todos, ou para umas sardinhas assadas, rechinantes, a pingar. Só que, a Sul, broa de milho minhota, não há. Encontra-se a de Avintes, mais pesada e doce, a Beirã, mais seca e menos saborosa. Por isso, terei de levar uma da Lourinhã, que é parecida com a minhota, mas mais maneirinha e amarelada de miolo, para uma sardinhada com amigos, que vai haver a meio da semana, ali para os lados do Areeiro.
E que nos venha a fazer proveito e sirva para matar saudades!...

domingo, 6 de setembro de 2015

As maçãs


Chegaram-nos as reinetas (ou rainetas, no Minho), em boa hora e por mãos amigas, vindas dos lados da Lourinhã, terra de grande tradição agrícola. Eram grandes, muitas, limpas de nódoas e pisaduras. Jovens e frescas, recentes de seu primor, como agora se chamam a vinhos a vender antes de feitos, à moda de Bordéus.
Aciduladas, desfizeram-se no forno, ao assar, algumas delas. Sobremesa macia na boca, no jantar de hoje, foram servidas por um Fernão Pires, monocasta, de Palmela. Mereciam melhor branco, as reinetas saborosas...

Um agradecimento gastronómico, cordial a quem as trouxe. E a quem as trabalhou e delas cuidou...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Mercearias Finas 69 : globalização, cavalos e batatas


Às vezes esquecemos que a primeira globalização, no séc. XVI sobretudo, contribuiu grandemente para o enriquecimento cultural, gastronómico e até para uma maior biodiversidade dos continentes. Por termos visto muitos filmes sobre o faroeste americano, temos dificuldade, por vezes, em lembrarmo-nos que os primeiros cavalos que pisaram o solo americano, foram levados da Europa, por Fernando Cortez.
Mas também recebemos em troca. Por exemplo a batata, que veio dos Andes e acabou por substituir as castanhas, no acompanhamento das refeições, em muitos países europeus. No entanto - e era aqui que eu queria chegar, para o dizer -, nunca, até há 15/20 anos atrás, me chegou ao prato batata de tão fraca qualidade como agora. Na maior parte dos casos, vem de França, para as grandes superfícies. Mesmo que a dividam em batata para cozer e batata para fritar e assar. Farinhentas, descoradas, insípidas - uma lástima...
Longe vai o tempo em que elas começavam a aparecer, primeiro, da Lourinhã e do Montijo, depois iam amadurecendo nas Beiras, até chegarem, finalmente, de Trás-os-Montes - bons tempos de produção nacional, porque a batata era, quase sempre, boa. Agora, só através de deslocações às terras saloias e por ofertas amigas, vindas de Constância ou da Lourinhã, temos o gosto de as saborear no seu sabor inteiro.
Claro que a França, com a parte de leão que recebe da PAC para a sua agricultura, pode bem vender o rebotalho da produção aos Santos e aos Belmiros, ao preço da uva mijona, para eles encherem os bolsos, depois, e as grandes superfícies de toneladas de péssima batata, para consumo do pagode luso.
E vem tudo isto a propósito porque, no domingo passado, dois magníficos linguados grelhados iam-se perdendo no meio de reles batatas cozidas, francesas... que acabamos por deixar no prato, quase todas.

domingo, 2 de setembro de 2012

Da Lourinhã à Praia da Areia Branca



Saindo da auto-estrada, abre-se o caminho para as "leirinhas" da Lourinhã, ou seja, essas terras cultivadas de que saíram as batatas que, em tempos, comprei naquele Mercado Municipal do Oeste.
Desta vez, encontramos muitos campos arados, preparados para receber pés de couves (?), numa quantidade enorme, e que, ao fim do dia e na viagem de regresso, já estavam todos plantados. Também vimos muitas abóboras, pequenas e grandes, à espera de serem apanhadas. 
Na Areia Branca houve tempo, para além do convívio sempre memorável com os amigos, de ver o mar e as Berlengas ao longe.
Por fim recebemos, entre outras coisas, produtos de "leirinhas" amigas e que fixamos nesta imagem.


Post de HMJ, dedicado a H. e H.N.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Mercearias Finas 33 : sardinhas


Que só lá para Setembro e que a culpa é das nortadas, que não têm soprado como habitualmente - dizem os especialistas. E, por isso, as sardinhas estão enfezadas e não têm engordado como deviam. Nem pingam, ou rechinam sobre os grelhadores e assadores caseiros. E andamos nisto há quase 2 meses. Mas a paciência tem limites, nestes hábitos ancestrais que, nos nossos genes ou chips, já vem inscritos quando nascemos, e acabam por fazer exigências impacientes e instintivas.
Como não há fome que não dê em fartura, em vez de uma sardinhada, foram duas - na sexta-feira e neste domingo passado. Aproveitamos uma aberta, um parecer positivo no nosso restaurante de estimação, e a aprovação avisada ("comprar!", como se diz na Bolsa de Valores) da nossa Peixeira preferida, no Mercado do Monte (da Caparica), logo pela manhãzinha de domingo. E lá vieram mais 8: foi um fartar vilanagem!...
Não poderei dizer, em nome do rigor, que estavam excelentes, mas eram boas, tinham sabor marítimo e fresco, algumas já tinham ovas (ou mílharas, como se diz no Norte) - o que é sempre um bom sinal. Acompanhadas a broa de milho, como manda a lei. E, à falta do verde tinto de Monção que completaria a trindade santíssima, abri um Dão tinto, com Alfrocheiro, que é mais rude do que a casta Jaen - mais suave e elegante. Em lote de Touriga Nacional e Tinta Roriz, como é de norma na região demarcada do Dão. Esteve bem.
E não faltou a salada, com todos os matadores: alface, tomate, cebola, pimentos verdes e vermelhos e pepino - que se dane o E. coli. Falta dizer que as batatas da Lourinhã, cozidas, levaram uns pinguinhos de azeite (0,3 de acidez) da Quinta do Noval. De lamber os beiços!